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Arildo Júnior (PSOL), de 33 anos, é candidato a deputado estadual no Rio de Janeiro. Abertamente gay, o morador da capital fluminense é biólogo, mestre e doutor em Genética e atualmente está desempregado. “A necessidade de mudar a realidade e combater as injustiças”, foi o que o motivou a entrar na política e disputar as eleições em 2022.

Arildo Junior, candidato a deputado estadual do PSOL do RJ (Foto: Divulgação)

Professor de ensino fundamental, médio, e superior, Arildo foi “o primeiro brasileiro a propor uma estratégia de cura funcional do HIV através de terapia gênica”. “Apesar de tanta dedicação à ciência, hoje estou desempregado e os projetos de cura do HIV que eu desenvolvi foram interrompidos devido aos cortes nos investimentos em ciência”, comenta.

Em relação as suas propostas, o candidato diz que quer construir a “Bancada do Povo”. “E como o povo possui muitas demandas, eu possuo inúmeras propostas para diversos problemas sociais. Possuo propostas gerais e propostas para a comunidade LGBTQIA+”, destaca o candidato

Arildo diz que irá “destinar verbas para combater a homofobia; garantir cota de vagas nas universidades e nas vagas de emprego para pessoas LGBTQIA+” e “criar regras trabalhistas e previdenciárias adaptadas a realidade de quem se dedica unicamente ao trabalho sexual e ao trabalho do entretenimento adulto”. O candidato conversou com o Gay Blog BR no especial “Eleições 2022“.

Arildo Junior (Foto: Divulgação)

Confira na íntegra a entrevista com Arildo Junior

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Arildo Junior: Graças a uma bolsa Prouni e uma bolsa CNPq hoje sou biólogo, mestre e doutor em genética pela UFRJ. Também sou professor (de ensino fundamental, médio, e superior), e fui o primeiro brasileiro a propor uma estratégia de cura funcional do HIV através de terapia gênica. Apesar de tanta dedicação à ciência, hoje estou desempregado e os projetos de cura do HIV que eu desenvolvi foram interrompidos devido aos cortes nos investimentos em ciência.

GB: O que motivou a se candidatar?

Arildo: A necessidade de mudar a realidade e combater as injustiças que eu presencio todos os dias foram as principais motivações para a minha candidatura, muito embora eu já seja militante de esquerda desde a adolescência. Eu também sofro com o desemprego, além disso já fui muito explorado no trabalho. Já sofri preconceito de raça, de classe social, e de orientação sexual. Tudo isso se somou e me fez tomar a iniciativa de ser eu o agente da mudança dessa realidade, e ser o representante dos outros que sofrem com os mesmos problemas que eu passei e passo.

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidatura abertamente LGBTQ+?

Arildo: Morar na cidade que é conhecida como o berço do bolsonarismo no Brasil não é nada fácil. Sofro preconceito e repúdio quase diariamente de pessoas conservadoras. Isso me deixa triste, pois mostra o quanto temos que trabalhar para termos algum progresso no que se refere a igualdade LGBTQIA+. Isso também ocorre até mesmo com outros temas mais gerais, como na defesa de direitos trabalhistas para todos. Ao se deparar com pessoas que querem abertamente privilégios para si e a exploração para os demais, fico descrente em termos alguma melhora social a curto ou médio prazo. Perco a fé na humanidade. Mas os meus apoiadores me fazem perseverar, e eu jamais fugirei à luta.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBTQ+?

Arildo: Quero construir a Bancada do Povo! E como o povo possui muitas demandas, eu possuo inúmeras propostas para diversos problemas sociais. Possuo propostas gerais e propostas para a comunidade LGBTQIA+.

São as principais propostas gerais: Redução da carga horária de trabalho de 8 para 6 horas diárias e de 6 para 4 dias na semana, bem como plantões com tempo de descanso ampliado. Tudo sem redução de salário; Direito de sindicalização e greve para os agentes de segurança pública; Direitos trabalhistas e previdenciários para estudantes e bolsistas de graduação e pós-graduação; Renda para as donas de casa, e aposentadoria quando elas atingirem 63 anos de idade; Investimentos em ciência, saúde, educação, tecnologia, e transporte; Valorização dos professores e dos profissionais da educação, bem como valorização dos agentes de segurança pública e privada. Valorização dos profissionais da saúde e de todos os demais trabalhadores; Criar Leis para garantir que artistas menos famosos ou no início da carreira devam ser contratados pelo estado para participarem ou abrirem apresentações artísticas de artistas mais famosos onde tenha havido emprego de verba pública do estado; Garantir estabilidade trabalhista, para que o trabalhador não seja mão de obra descartável; Que o aviso prévio seja pago na mesma quantidade de tempo já trabalhado; Que o emprego seja um direito e não um privilégio de poucos; Combate ao desemprego, a exploração do trabalhador, e ao trabalho escravo; Pelos direitos dos trabalhadores da cidade e do campo; Desenvolver a economia solidária para dar autonomia econômica e alimentar para o povo, e nisso auxiliar na despoluição, preservação do meio ambiente, e sustentabilidade, dentre muitas outras.

Principais propostas LGBTQIA+: Destinar verbas para combater a homofobia; Garantir cota de vagas nas universidades e nas vagas de emprego para pessoas LGBTQIA+; Criar regras trabalhistas e previdenciárias adaptadas a realidade de quem se dedica unicamente ao trabalho sexual e ao trabalho do entretenimento adulto, o que engloba pessoas LGBTQIA+ e não LGTQIA+, de todos os gêneros e orientações sexuais, dentre outras.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Arildo: Precisamos inserir as pessoas LGBTQIA+ em todos os locais da sociedade. Mostrar nas escolas como é feita a convivência com a diversidade, o respeito e a igualdade. Precisamos também responsabilizar aqueles que cometem crimes por qualquer tipo de preconceito.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Arildo: A PrEP precisa ser algo de amplo acesso para a comunidade LGBTQIA+. Acesso facilitado, gratuito, e próximo do domicílio, com os devidos acompanhamentos periódicos feitos com qualidade. A comunidade LGBTQIA+ precisa também ter amplo acesso a vacinas como a Meningite B (devido a proteção cruzada contra a gonorréia), a vacina contra o HPV (prevenindo vários tipos de lesões e cânceres genitais masculinos e femininos), e vacinas para hepatite. A comunidade LGBTQIA+ sexualmente ativa (bem como pessoas não LGBTQIA que sejam sexualmente ativas) também precisam ser periodicamente acompanhadas para todas as possíveis Infecções Sexualmente Transmissíveis, como Sífilis. Além disso tudo, precisamos informar as pessoas sobre PrEP e desmistificar sobre o assunto, fazendo com que as pessoas que fazem uso não sejam discriminadas devido ao seu comportamento sexual.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Arildo: Um verdadeiro desastre. Um governo que se orgulha de ser opressor, que mente, e que engana o povo. Esse governo representa um retrocesso que precisa ser combatido.

GB: Qual é o seu maior ideal? O que você quer para o futuro da sociedade?

Arildo: Espero que o meu mandato faça a diferença e dê voz aos excluídos, bem como seja um mandato participativo e construtivo. Eu serei somente o veículo que irá lutar por esses ideais e permitir que muitos tenham a voz que precisam ter. Meu sonho é viver em um mundo igualitário, sem opressões, sem fome, sem discriminações, onde todos se orgulham de serem humanos, diversos, e construtores de uma sociedade pacífica e feliz.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)