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Gorete Silva (Solidariedade), de 41 anos, concorre a deputada estadual em São Paulo. Lésbica e assistente social, ela é moradora na capital paulista. Além de trabalhar por cinco anos com pessoas em situação de vulnerabilidade social e liderar grupos de mulheres lésbicas, travestis e transexuais, em 2015, a candidata assumiu a vice-presidência da Casa de Apoio Brenda Lee.

Gorete Silva, candidata a deputada estadual pelo Solidariedade de SP (Foto: Divulgação)

Sempre fui uma Assistente Social compromissada com os mais vulneráveis e, por isso, constantemente questionada por que eu não entrava para a política. Mesmo assim, para mim, a política era uma realidade tão distante, pois nós mulheres não somos preparadas para a cidadania plena e a vida cívica e política”, comenta Gorete.

A participação paritária da mulher na política e na vida pública em geral integrará, ao lado de homens públicos, aspirantes e veteranos, o trabalho democrático de construção de uma sociedade justa, fraterna e próspera“, acrescenta a candidata. De acordo com Gorete, seu nome entra disputa “para lutar, e muito, em prol de  cada eleitor necessitado da assistência humanizada, independentemente de sua condição pessoal, cultural, social ou econômica”.

Entre suas propostas, a candidata destaca alguns eixos temáticos: mulher e feminicídio; comunidade LGBTQIA+; assistência social; segurança pública; combate à fome e Economia popular; participação popular digital; combate à evasão escolar e propostas para PETs. Gorete é uma das entrevistadas da semana no especial “Eleições 2022” do Gay Blog BR.

Gorete Silva (Foto: Divulgação)

Confira na íntegra a entrevista com Gorete Silva

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Gorete Silva: Trabalhei por cinco anos, serviço de portas abertas, atendendo a pessoas em  situação de vulnerabilidade social e liderando grupos de mulheres lésbicas, travestis e transexuais. 

Trabalhei como Assistente Social nos seguintes estabelecimentos: no centro de acolhida “Frei Leao”, por três anos, atendendo a famílias, idosos e adultos; no Núcleo “São Martim de Lima”, com o público de idosos, famílias, homossexuais, travestis, trans e mulheres lésbica; no CTA para imigrantes, atendendo no acolhimento de imigrantes.

Em 2015, assumi a vice-presidência da “Casa de Apoio Brenda Lee”.  Em 2015 e 2016, comecei rodas de conversas com as travestis e transexuais, seguido de acolhimento entre 2017 e 2018. 

Fiz trabalhos no grupo de apoio da parada LGBTQIA+ de São Paulo. Atualmente na Cracolândia, tenho atuado no atendimento a usuários em cenas de  uso, atendimento adultos, idosos, crianças e adolescentes, LGBTQIA+ e família desses usuários. 

GB: O que motivou a se candidatar?

Gorete: Sempre fui uma Assistente Social compromissada com os mais vulneráveis e, por isso, constantemente questionada por que eu não entrava para a política. Mesmo assim, para mim, a política era uma realidade tão distante, pois nós mulheres não somos preparadas para a cidadania plena e a vida cívica e política. Todavia, uma amiga ativamente política fez-me refletir, instigando-me: “Gorete  Silva, se você faz tanto, com tão pouco recurso, para a população vulnerável, imagine o que você poderia fazer na política. Você faria pra todos que dela  precisa e não só para um segmento ou uma região”.

Isso inquietou-me e motivou-me a me candidatar, para lutar, e muito, em prol de  cada eleitor necessitado da assistência humanizada, independentemente de sua condição pessoal, cultural, social ou econômica, posto que todos são merecedores  da vida condigna, devendo o Estado tutelar e garantir essa dignidade, principalmente, para os mais vulneráveis

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidatura abertamente LGBT+?

Gorete: Apesar dos avanços em termos de representatividade, meus familiares tiveram  medo com a exposição a toda sorte de desrespeito e violência, que eu pudesse ser vítima por ser mulher, lésbica e nordestina, apesar da nobre caminhada em prol dos mais vulneráveis na sociedade desigual. 

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBT+?

Gorete: Há relevantes propostas para os seguintes grupos temáticos: “Mulher e Feminicídio”, “Comunidade LGBTQIA+”, “Assistente Social”, “Segurança Pública”, “Combate à  Fome e Economia Popular”, “Participação Popular Digital”, “Combate à Evasão  Escolar” e “Propostas para PETs”.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Gorete: Sem prejuízo das demais propostas direcionadas à “Comunidade LGBTQIA+”, desenvolver e incentivar parcerias com a  iniciativa privada e movimentos sociais para a realização de campanhas  educacionais e institucionais de conscientização junto à população em geral, sobre  a prevenção e o combate à toda forma de discriminação por homofobia, transfobia, lesbofobia e bifobia nos ambientes familiar, educacional, acadêmico,  profissional e social em geral.  Ainda, estimular projetos e ações para a participação na vida pública e a  representação na política nacional da comunidade LGBTQIA+, nas três esferas de  governo.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Gorete: Devido à natureza complexa e sensível, todas as iniciativas e demandas sociais  referentes à saúde serão enfrentadas, em conjunto e de forma abrangente, com os  demais mandatários eleitos por minha legenda, o Partido Solidariedade, concomitantemente àquelas minhas demais propostas eletivas

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Gorete: Uma fatalidade para a sociedade brasileira. A olhos vistos, em especial, no relatado pela CPI da Pandemia, o atual governo omitiu-se em diversos momentos, todos de extrema importância, na gestão da crise  sanitária instaurada pela Pandemia do COVID-19

Com viés profundamente equivocado, ideológica e cientificamente, atuou em  medidas de prevenção e profilaxia ineficazes, provocando, diretamente, a morte  de cerca de 700 (setecentas) mil almas, que poderiam ser, na sua maioria, salvas. Economia estagnada. Cultura inexistente. Ciência, educação e academia  desprezadas e obscurecidas. Meio ambiente dizimado e seus defensores letalmente abandonados. Ingerência e aparelhamento nos controles da República,  favorecendo a proliferação de casos de corrupção e comprometendo a  credibilidade da nação no cenário internacional, tanto para negócios, como para  política. Ainda no cenário internacional, isolamento nunca antes visto, com  posicionamentos diplomáticos totalmente estranhos à nossa tradição de país  assumidamente conciliador e pacífico. Vergonhoso sigilo de 100 (cem) anos para  atos inegavelmente suspeitos de corrupção perpetrados, inclusive, por homens de  fé, em notória subversão da laicidade do Estado. Governo de inédito questionamento deletério à harmonia entre os Poderes da República e ao Pacto  Federativo, ao nosso seguro e exemplar sistema eleitoral, gerando crises  institucionais seguidas com o Legislativo, o Judiciário, Governadores e Prefeitos.  Cerceamento e agressão verbal e física à imprensa livre, inclusive, com robustos e  inexplicáveis arroubos costumeiros de misoginia

Esqueceu-se dos brasileiros a quem deveria servir, acima de tudo, com espírito  pacífico, agregador, probo, amante da verdade, democrático e republicano,  passando a ser governo amesquinhado para “cercadinhos” e “gados eleitorais”.  Dividiu e insuflou famílias, amizades e eleitores de divergentes correntes ideológicas, partidárias e religiosas, no entanto, desprezando que todos brasileiros formam um só  povo com um mesmo destino: a ordem e o progresso. 

Um lastimável hiato na nossa vida republicana, que testou nossa jovem democracia  constitucional, mas que deve passar para as páginas da história como um governo  enganador e mentiroso, confesso e sem pudor, em nada representante da alma  humana, solidária e cristã do povo brasileiro

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)