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Juan Savedra (NOVO), de 34 anos, concorre a deputado estadual no Rio Grande do Sul. Abertamente gay, ele é advogado e mora em Porto Alegre (RS). O candidato também é especialista em Direito e Processo do Trabalho e atuou na iniciativa privada de 2015 a 2018.

Em 2020, Juan concorreu a vereador da capital gaúcha e ficou como segundo suplente de seu partido, com 2.907 votos. “Eu me motivei a ser candidato neste ano, tendo vindo de uma campanha recente, a de 2020, porque eu quero ocupar um espaço dentro do meu partido e de representação dentro da pauta LGBT, com foco na solução dos problemas reais como a violência, a educação e o mercado de trabalho”, explica.

“Precisamos abandonar as narrativas vazias e o combate retórico que não foca nos problemas reais. Eu também trago comigo a pauta do combate aos privilégios da elite do funcionalismo público, sobretudo de juízes e desembargadores, além de pautas focadas no desenvolvimento econômico que, pra mim, é a maior ferramenta de independência dos indivíduos”, acrescenta o candidato.

Entre suas propostas, o candidato destaca “a qualificação dos profissionais e agentes da segurança pública para que sejam capazes de realizar um acolhimento” da população LGBT+ em casos de violência. “O RS possui hoje apenas duas delegacias especializadas no atendimento à população LGBT+ e eu acredito que, dado o tamanho do nosso estado, é fundamental que outras duas delegacias regionais possam atender a esses casos”, afirma Juan, um dos entrevistados no especial “Eleições 2022” do Gay Blog BR.

Juan Savedra, candidato a deputado estadual pelo NOVO do RS (Foto: Reprodução)

Confira na íntegra a entrevista com Juan Savedra

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Juan Savedra: Eu sou advogado, formado pela UniRitter e especialista em Direito e Processo do Trabalho pela Fundação Escola da Magistratura do Trabalho do Rio Grande do Sul – FEMARGS. 

Atuei na iniciativa privada de 2015 a 2018, ano em que assumi a coordenação da campanha do então candidato a deputado estadual Fábio Ostermann, eleito com 48.897 votos. Após a eleição do Fábio, atuei como chefe de gabinete do mandato até abril de 2020, quando sai para concorrer a vereador em Porto Alegre. 

Na eleição municipal, fiz 2.907 votos e fiquei como 2º suplente de vereador, tendo assumido o mandato por duas oportunidades. Durante o ano de 2021 e até junho deste ano, atuei como chefe de gabinete da vereadora Mari Pimentel, a primeira mulher eleita pelo partido NOVO no Rio Grande do Sul.

GB: O que motivou a se candidatar?

Juan: Não existe espaço vazio na política, ele sempre é ocupado por alguém. Eu me motivei a ser candidato neste ano, tendo vindo de uma campanha recente, a de 2020, porque eu quero ocupar um espaço dentro do meu partido e de representação dentro da pauta LGBT, com foco na solução dos problemas reais como a violência, a educação e o mercado de trabalho. 

Precisamos abandonar as narrativas vazias e o combate retórico que não foca nos problemas reais. Eu também trago comigo a pauta do combate aos privilégios da elite do funcionalismo público, sobretudo de juízes e desembargadores, além de pautas focadas no desenvolvimento econômico que, pra mim, é a maior ferramenta de independência dos indivíduos.

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser um candidato abertamente LGBT+?

Juan: O maior desafio que eu tenho enfrentado é o de mostrar que existe representatividade LGBTQ+ fora da esquerda, que tradicionalmente é quem carrega consigo essa pauta. E ao mesmo tempo em que isso é um desafio, também tem sido uma imensa alegria encontrar muitos LGBTs que buscam essa representatividade fora da esquerda. 

Eu respeito muito quem carrega essa bandeira, mas entendo que chegou a hora de termos uma representação LGBT que carrega os valores liberais. Essa diversidade de pensamento dentro da própria pauta da diversidade vai ser muito positiva para o debate público e para que outras visões de mundo também estejam contempladas. 

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBT+?

Juan: Uma das minhas principais bandeiras é o combate aos privilégios, algo que eu tenho feito há bastante tempo como advogado, por meio do ativismo judicial. Eu acredito que aqueles que se autoconcedem privilégios às custas da sociedade (juízes, desembargadores, conselheiros de tribunais de contas) vivem desconectados da realidade das pessoas. 

É preciso combater esses abusos com o nosso dinheiro de forma rigorosa. Além disso, tenho falado muito sobre o combate ao aumento de impostos, a desburocratização e a facilitação para a geração de emprego e renda. 

Sobre a temática LGBT, eu escrevi a parte do plano de governo do nosso candidato aqui no Rio Grande do Sul, Ricardo Jobim e as propostas que estão lá são as que eu também tenho adotado na minha campanha. Como exemplo, cito duas: a qualificação profissional, sobretudo para as pessoas trans, para que possam ter mais oportunidades e um trabalho digno. 

O outro eixo, voltado para a segurança, com a qualificação dos profissionais e agentes da segurança pública para que sejam capazes de realizar um acolhimento efetivo daqueles que precisam buscar esses serviços por conta dos casos de violência. 

O RS possui hoje apenas duas delegacias especializadas no atendimento à população LGBT+ e eu acredito que, dado o tamanho do nosso estado, é fundamental que outras duas delegacias regionais possam atender a esses casos.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Juan: Eu não acredito em soluções mágicas e nem acredito que isso acontecerá do dia para a noite. O trabalho de ensinar o respeito à liberdade alheia é um esforço constante e de longo prazo. Sem dúvida nenhuma a educação precisa ser um desses eixos, além claro, da segurança pública. 

O que os LGBTs precisam é de liberdade e de segurança e é isso que eu tenho ouvido em todos os lugares. Aliás, está aí uma das minhas maiores discordâncias a quem hoje pauta esse debate, pois discursos como o de linguagem neutra, por exemplo, apenas afastam as pessoas e aprofundam o preconceito. 

É preciso qualificar o debate sobre as pautas de interesse dos LGBTs e não resumir nossas demandas a questões como essas. O Brasil tem sérias dificuldades na alfabetização, em garantir a segurança das pessoas e me parece que o debate a respeito das nossas pautas ficou preso em discursos ideológicos e em atacar “não-problemas”.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Juan: Eu acredito que políticas como essa, que eu chamo de redução de danos, são muito importantes para a saúde, seja o PrEP ou o PEP. É uma forma eficiente de preservar a saúde das pessoas que, por qualquer razão, estejam mais expostas ao vírus do HIV. No entanto, esse tipo de política não pode servir como um incentivo para a não utilização de preservativos, pois o PrEP e o PEP, por exemplo, não são eficazes contra uma outra série de ISTs. 

A cidade de Porto Alegre tem uma das maiores taxas de infecção por sífilis dentre as capitais, e o Rio Grande do Sul é o segundo estado com a maior taxa de sífilis adquirida do Brasil, atrás apenas de Santa Catarina. O uso do PrEP, portanto, não pode servir como um método isolado de prevenção e de cuidado com a saúde sexual.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Juan: Eu tenho respondido essa pergunta da mesma forma já faz alguns anos: o governo Bolsonaro foi fraco, confuso e contraditório. Se envolveu em polêmicas fúteis, discursos populistas e deixou de lado as reformas que eram importantes serem feitas no país, como a reforma tributária. 

Além disso, nesse período, o Brasil teve retrocessos no combate à corrupção e na própria relação de transparência entre os cidadãos e o governo federal. Infelizmente eu acredito que, caso se confirme a polarização entre Lula e Bolsonaro, independente de quem vencer, o Brasil perderá mais uma vez a oportunidade de construir avanços nos próximos quatro anos. 

GB: Em um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro, como irá se posicionar?

Juan: Da mesma forma como me posicionei em 2018: o meu voto será nulo. E eu não concordo com quem diz que anular é se omitir, pelo contrário. Lula e Bolsonaro não serão as únicas opções, pois existem pelo menos mais duas: o voto branco e o voto nulo. 

O voto em branco, na minha opinião, é um voto de indecisão, um voto de “tanto faz”; já o voto nulo é um voto de protesto, um recado: nenhuma das opções me representa. Acredito que votar em alguém é chancelar aquele candidato, é como se fosse assinar um contrato com ele: eu voto em ti e tu me representa. Bom, eu não assinaria um contrato nem com o Lula e nem com o Bolsonaro.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)