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Larissa Stephanie (PCdoB), de 21 anos, concorre a deputada estadual em Santa Catarina. Estudante de Administração, ela é bissexual e mora em Joinville (SC). A candidata já foi tesoureira da União Nacional LGBT e presidente da União da Juventude Socialista, ambas organizações de sua cidade.

Larissa Stephanie, candidata a deputada estadual pelo PCdoB de SC (Foto: Reprodução/ Facebook)

Sua candidatura é motivada pelas vidas LGBT+, mulheres e, principalmente, da juventude. “Muito se fala que somos o futuro, que somos a inovação; mas nunca vemos os nossos nos espaços de decisão e planejamento. É importante que cada vez mais LGBTI+ possam também ocupar os espaços e colorir as Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional”, pontua a jovem.

“Eu decidi ser a mais jovem candidata de Santa Catarina, concorrendo ao cargo de deputada estadual. Minha decisão é consequência de um levante de mulheres que vem denunciando as diversas formas de violência”, acrescenta a candidata.

Entre suas propostas, ela defende a criação de um conselho estadual LGBTI+ deliberativo; ambulatórios trans em Santa Catarina; cotas trans para os cursos de graduação e pós-graduação na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC); e incentivo nas ações de turismo LGBTI+.

[…] Acredito que o desafio é, para além de falar que existimos, é apresentar um outro projeto de sociedade; um projeto que dialogue com a diversidade e que esteja alinhado com um projeto de desenvolvimento econômico e social viável e também, no qual, coloque a população que mais trabalha no centro do orçamento”, afirma Larissa, que é uma das entrevistadas no especial “Eleições 2022” do Gay Blog BR.

Larissa Stephanie e Lula (PT) (Foto: Reprodução/ Facebook)

Confira na íntegra a entrevista com Larissa Stephanie

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Larissa Stephanie: Eu estudo Administração na UNISOCIESC aqui em Joinville, trabalhei na minha faculdade e tenho interesse na área de Administração Pública e Gestão de Pessoas. Além disso, como trabalho voluntário atuei nos movimentos sociais, sendo tesoureira da União Nacional LGBT de Joinville, presidindo a União da Juventude Socialista de Joinville e atuando no movimento estudantil, através da União Catarinense das e dos Estudantes.

GB: O que motivou a se candidatar?

Larissa: Acredito que as vidas LGBTI+, as mulheres e, principalmente, a juventude é o AGORA. Muito se fala que somos o futuro, que somos a inovação; mas nunca vemos os nossos nos espaços de decisão e planejamento. É importante que cada vez mais LGBTI+ possam também ocupar os espaços e colorir as Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional, para propor leis que dialoguem com toda a pluralidade do Brasil. Por isso, eu decidi ser a mais jovem candidata de Santa Catarina, concorrendo ao cargo de deputada estadual. Minha decisão é consequência de um levante de mulheres que vem denunciando as diversas formas de violência, precisamos mudar a realidade do nosso estado, para o lugar onde Antonieta de Barros e Anita Garibaldi acreditaram que era possível viver.

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidatura abertamente LGBT+?

Larissa: A LGBTfobia é uma realidade dura em nosso país. Estar na disputa eleitoral é lidar com ataques LGBTfóbicos das mais diversas naturezas. Nós, pessoas bissexuais, lidamos com a invisibilidade diariamente e, por isso, acredito que o desafio é, para além de falar que existimos, é apresentar um outro projeto de sociedade; um projeto que dialogue com a diversidade e que esteja alinhado com um projeto de desenvolvimento econômico e social viável e também, no qual, coloque a população que mais trabalha no centro do orçamento. Acredito que não podemos mais tolerar o pensamento de que nós LGBTI+ não temos condições de discutir sobre as políticas públicas; precisamos estar no centro das decisões, e isso só vai acontecer quando cada vez mais de nós ocuparmos a política

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBT+?

Larissa: Uma das primeiras propostas publicadas são propostas LGBTI+. Eu defendo a criação de um conselho estadual LGBTI+ deliberativo, para que o governo tenha um diálogo direto com a população LGBTI+ e esse diálogo se transforme em ações concretas; defendo a criação de ambulatórios trans em Santa Catarina, pois aqui não temos ambulatórios cadastrados no Processo Transexualizador e a demanda é muito alta, o que gera uma enorme fila de espera, deixando travestis e transexuais à mercê; eu defendo um programa de premiação que tenham programas de empregabilidade LGBTI+; defendo cotas trans para os cursos de graduação e pós-graduação na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC); defendo o incentivo nas ações de turismo LGBTI+, pois o turismo, além de gerar renda a curto, médio e longo prazo, obriga o governo estadual a propor políticas e ações afirmativas para a população LGBTI+ de Santa Catarina, além de incentivar a vinda de pessoas LGBTI+ a virem morar em nosso estado, Florianópolis é considerada a “capital gay” do país. porque Santa Catarina não pode ser o estado que mais acolhe LGBTI+ do nosso país?! E defendo a produção de um relatório anual com dados estatísticos sobre a população LGBTI+ catarinense, esse relatório vai produzir dados oficiais para serem transformados em políticas públicas permanentes, além de mostrar para o Poder Público as necessidades da população LGBTI+, assim ninguém poderá vir com o discurso de que os Direitos Humanos LGBTI+ são privilégios ou desnecessários.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Larissa: Em minhas propostas, eu defendo um diálogo permanente com a população LGBTI+. Hoje, o Brasil e o estado de Santa Catarina não produzem políticas por dois motivos: Primeiro, porque o Estado não dialoga, por falta de interesse ou falta de conhecimento, com a população LGBTI+; Segundo, porque há uma cultura estrutural de negligência das populações vulnerabilizadas, como é o caso da população LGBTI+. Esse diálogo permanente não deve ser apenas de caráter consultivo; ou seja, o Estado brasileiro e catarinense não tem que “chamar as LGBTI+ para um chá das cinco”, nosso diálogo deve se transformar em responsabilidade da sociedade para com as vidas LGBTI+, reverberando em diálogo sobre segurança pública, educação, saúde, assistência social, renda, previdência, economia, turismo, cultura, lazer e participação social. Veja, o governo brasileiro não chama uma Conferência Nacional de Direitos Humanos e Políticas Públicas LGBT desde 2016! E todos os direitos que conquistamos foram via Judiciário, sem haver um diálogo amplo com a sociedade civil organizada e com constante ameaça de ser derrubada com um “canetaço” do STF. Por mais que a atuação do Judiciário foi nossa aliada, sabemos que os tempos mudam não só no Executivo e Legislativo; e não podemos ficar de mãos atadas, esperando a boa vontade de algumas pessoas decidirem sobre a vida de milhões. Por isso, eu penso não apenas em Políticas Públicas LGBT, mas em um tripé de cidadania, no qual o Conselho Estadual LGBT possa provocar ações como a criação de Coordenadoria LGBT Catarinense, a criação de um Estatuto Estadual dos Direitos Humanos LGBT e a promoção de Conferências LGBTs no estado inteiro.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Larissa: Todas as políticas de combate ao HIV/Aids e outras ISTs são exemplos no Brasil. Quando falávamos, na pandemia, que o Sistema Único de Saúde (SUS) salva vidas, não era à toa. Somos um dos poucos países que têm um sistema de saúde público, universalizado, gratuito e interdisciplinar que constrói ações de atenção, prevenção e promoção à saúde. E isso já nos enche de orgulho; o uso da prevenção combinada (que engloba a PrEP, PEP, preservativos, informativos, exames e outros procedimentos combinados para prevenção ao HIV/Aids e outras ISTs) é uma política de saúde que o movimento LGBTI+ e o movimento de pessoas soropositivas conquistaram com muito custo. Agora precisamos ampliar o acesso a todas as pessoas, incluindo não apenas o acesso à PrEP, mas também o acesso à saúde mental e a programas de prevenção de ISTs. No entanto, precisamos também pensar em programas mais amplos de combate à sorofobia e toda forma de discriminação contra pessoas que vivem com ISTs, sobretudo pessoas LGBTI+ que acabam sofrendo suplamente a sorofobia, pois essa acaba sendo combinada com a LGBTfobia. Por isso, o SUS precisa de mais investimento e não de teto de gastos ou corte de verba, como o governo federal vem fazendo.

GB: omo você avalia o governo de Bolsonaro?

Larissa: O governo Bolsonaro não é louco, como dizem. É um governo criminoso, e GENOCIDA, com letras em caixa alta, para que se ecoe por toda a história. A população que elegeu o Bolsonaro estava indignada e queria mudanças, no entanto, optaram pela pior mudança em nossa história; Bolsonaro manipulou as eleições, tentou manipular o Congresso, não respeitou nem mesmo a democracia do próprio partido, o qual ajudou a implodir, levando a destruição do PSL (Partido Social Liberal), que para sobreviver precisou juntar-se com o DEM (Democratas), transformando-se em UNIÃO BRASIL. Além disso, Bolsonaro ataca diretamente a população LGBTI+, inclusive cometendo vários crimes LGBTfóbicos e incitando o ódio contra nossas vidas. O governo Bolsonaro é o governo do desmatamento, é o governo para “deixar a boiada passar”, como disse o Sales; é o governo onde trai os próprios aliados, sentencia os filhos, caçoa das mortes por COVID-19, ataca jornalistas, mulheres e estudantes. Mas também é o governo que recua quando a população organizada avança. O governo Bolsonaro é o governo que fez o movimento estudantil continuar aceso, que recuou quando os estudantes pressionaram a demissão dos seus Ministros da Educação e que perdeu ano a ano a aprovação de grande parte da população. Esse ano de 2022, sabemos que o povo precisa de comida no prato e vacina no braço, por isso seguimos ganhando mentes e corações para eleger o maior presidente da história do nosso país e voltar a ser feliz com Lula.

GB: Como você acredita que enfrentará a LGBTfobia dentro da Assembleia Legislativa?

Larisa: Minha candidatura é uma candidatura feita por pessoas LGBTI+, desde quem pensa as propostas a quem está divulgando, incluindo a mim. Além das propostas destinadas especificamente à população LGBTI+, seguiremos em contato com coletivos e entidades LGBTI+ do estado de Santa Catarina e do Brasil para transformar Santa Catarina em um lugar acolhedor para quem é LGBTI+. Além da construção de um Conselho Estadual, vamos cobrar o Executivo de construir uma Conferência Estadual LGBT e que seja uma conferência deliberativa, na qual o governo seja obrigado a discutir as políticas públicas LGBTI+; queremos ampliar o acesso de pessoas LGBTI+ nos mais diversos espaços e assim, vamos colorir Santa Catarina de Esperança.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)