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Vereador de Florianópolis (SC), Leonel Camasão (PSOL), de 36 anos, disputa uma vaga como deputado federal em Santa Catarina. Jornalista e bissexual, foi candidato a prefeito em Joinville (SC), em 2012, e a governador, em 2018. Em conversa com Gay Blog BR, ele falou sobre suas propostas no especial “Eleições 2022“.

Camasão, candidato a deputado federal pelo PSOL de SC (Foto: Reprodução/ Facebook)

Entre os desafios de ser um candidato abertamente bissexual, Camasão diz que o principal é superar preconceitos dentro e fora da comunidade LGBTQ+. Quando fui candidato a prefeito, adversários me atacavam por ser ‘gay demais’. Chegaram a dizer que o meu filho não era meu. Já em 2020, concorrentes me taxavam como “falso bi”, porque eu namorava uma mulher”, relata o candidato.

No atual cenário político, Camasão diz que “eleger Lula (PT) é importante, mas sem mudar o Congresso Nacional, não será possível fazer as reformas que o Brasil precisa”. Ele acrescenta que o país precisa “de uma Câmara dos Deputados mais representativa, com mais pessoas LGBTs, mulheres, indígenas e negros”.

Questionado sobre suas propostas, o candidato afirma que é preciso “aplicar as deliberações das conferências temáticas, como Direitos Humanos, LGBTQ+, dentre outras”. Para além da pauta LGBTQ+, ele defende a taxação dos super ricos, a descriminalização das drogas e a revogação das reformas de ex-presidente Michel Temer (MDB) e de Jair Bolsonaro (PL).

Camasão (Foto: Reprodução/ Facebook)

Confira a entrevista com Camasão na íntegra

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Camasão: Sou jornalista, com mestrado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Trabalhei como repórter nos principais jornais de Santa Catarina, como A Notícia e Notícias do Dia. Também atuei como assessor de entidades sindicais. Comecei a militar no ensino médio e desde então, nunca parei. Fui presidente do DCE da minha faculdade, em Joinville (SC). Durante nove anos, fui diretor do sindicato dos jornalistas. Atuei na Associação Arco-íris de Joinville, onde organizamos as primeiras paradas da diversidade no município. Fui candidato a prefeito, em 2012, e a governador, em 2018. Neste ano, exerci interinamente um mandato de vereador em Florianópolis e estou presidente do PSOL/Florianópolis.

GB: O que motivou a se candidatar?

Camasão: Entendo que eleger Lula (PT) é importante, mas sem mudar o Congresso Nacional, não será possível fazer as reformas que o Brasil precisa. Também acredito que precisamos de uma Câmara dos Deputados mais representativa, com mais pessoas LGBTs, mulheres, indígenas e negros.

GB: Quais desafios enfrentados ao ser um candidato abertamente LGBTQ+?

Camasão: O principal desafio é superar preconceitos dentro e fora da comunidade LGBTQ+. Quando fui candidato a prefeito, adversários me atacavam por ser “gay demais”. Chegaram a dizer que o meu filho não era meu. Já em 2020, concorrentes me taxavam como “falso bi”, porque eu namorava uma mulher. Existe um processo de invisibilização de bissexuais. Por outro lado, a violência ainda é gritante. Nesta semana, ganhei um processo contra um bolsonarista que me agrediu durante as eleições de 2020.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBTQ+?

Camasão: O grande desafio da comunidade LGBT no Congresso é colocar na letra da lei alguns avanços conquistados por decisões judiciais. Além disso, precisamos aplicar as deliberações das conferências temáticas, como Direitos Humanos, LGBTQ+, dentre outras. Para além da pauta LGBT, defendemos a taxação dos super ricos, a descriminalização das drogas e a revogação das reformas de Temer (MDB) e Bolsonaro (PL).

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Camasão: Nós precisamos discutir gênero e sexualidade nas escolas, criar programas de combate ao bullying, criar abrigos temporários para LGBTs vítimas de violência doméstica, aprovar uma legislação sobre crimes de ódio no Brasil, que envolva não só a LGBTfobia, mas outros tipos de discriminação.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PreP?

Camasão: É uma política muito importante para a prevenção do vírus do HIV e Aids. Inclusive, sou usuário. Deveria existir mais divulgação do Governo Federal, em especial, para os jovens de todas as orientações sexuais.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Camasão: A maior tragédia desde a ditadura militar. Não há uma única área do governo Bolsonaro que podemos dizer que houve algum avanço. Não só para os LGBTs, mas para toda a população. Vivemos um retrocesso de 30 anos na economia, os direitos fundamentais estão em constante ameaça, temos a volta da fome, do desemprego em massa, sem falar nas 700 mil pessoas mortas por covid-19.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)