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Ex-goleiro do Grêmio, Emerson Ferretti se declarou gay. Em entrevista ao podcast “Nos Armários dos Vestiários“, do Globo Esporte, o gaúcho, de 50 anos, falou sobre o preconceito que conviveu dentro do futebol durante a carreira de mais de 20 anos.

O ambiente do futebol é muito hostil para um gay, muito mesmo. Eu fico imaginando quantos garotos desistiram de se tornar jogador de futebol por conta disso, por perceberem essa situação. Quantos talentos foram perdidos? O futebol perdeu, os clubes perderam, porque o ambiente realmente não ajuda”, disse Emerson.

Emerson Ferretti, ex-goleiro (Foto: Marcos Ribolli)

Emerson era titular do Grêmio, em 1993, quando sofreu uma fratura na perna durante um amistoso. Foram quase dois anos fora dos gramados e um período bem difícil, que mexeu com o emocional do ex-goleiro. 

Eu me joguei desesperado. Na verdade, o desespero era outro, não era um desespero para não tomar gol. A minha vida pessoal, a cada defesa que eu fazia, cada vez que eu me destacava mais dentro de campo, o buraco vazio aumentava também inversamente proporcional. Quanto mais famoso eu ficava, mais difícil se tornava ser gay dentro desse ambiente”, revelou.

Quando eu quebrei a perna, e foi uma lesão grave que poderia inclusive ter acabado com minha carreira, porque quebrou a tíbia e fíbula, eu acabei saindo de cena. […] E foi o que me deu a oportunidade de poder repensar algumas coisas e começar a equilibrar isso. Foi inconsciente, mas foi um ato de desespero mesmo para tentar mudar o rumo das coisas”, declarou.

Após entender sua sexualidade e repensar o esporte, o atleta diz: “É possível ser gay, ídolo e ganhar títulos. Dá para ser um jogador talentoso. Dá para ter sucesso no futebol. Eu cumpri minhas obrigações dignamente. Fui profissional e entreguei desempenho, isso acaba me motivando para deixar um legado fora de campo também“.

Após sua recuperação, em 1995, o atleta saiu do time gaúcho e foi para o Flamengo. Em 1999, ele conquistou o grande título da carreira, a Copa do Brasil, pelo Juventude. Já em 2001, pelo Bahia, foi eleito o melhor goleiro do Brasileirão. Também jogou pelo América-RN, América-RJ, Ituano, Bragantino e no Vitória, seu último clube.

Emerson foi campeão da Copa do Brasil de 1999 pelo Juventude (Foto: Reprodução)

Vida solitária

Ao podcast, Emerson contou que não teve contato com o universo gay até os 21 anos.O que eu ouvia era o pensamento de todo mundo da família que reproduzia o pensamento da época e do local, o Rio Grande do Sul, um estado bem machista, conservador. Falavam que ser gay era sem-vergonhice, descaração, uma aberração. Era inferiorizado, muito relacionado à promiscuidade. Então, tudo o que era negativo, se jogava lá. Eu cresci ouvindo isso”, relatou.

Até se entender como gay, Emerson disse que demorou muito tempo, pois não tinha com quem conversar sobre esse processo. “Sentia os desejos, mas não entendia direito. Quando eu entendi o que era, demorou tempo para aceitar o fato e depois ainda demorou muito tempo para aceitar me relacionar com alguém do mesmo sexo”, contou.

Foi um processo muito demorado, e eu acho que o pior de tudo foi solitário. Não tive com quem dividir esse peso. Eu enfrentei tudo sozinho. Tentei entender tudo sozinho, e era uma criança, era um adolescente, sem acesso à informação”, desabafou Emerson.

Jogar luz sobre o assunto vai fazer, com certeza, primeiro, quebrar um pouco esse silêncio que existe, porque sempre existiu gay no futebol. Só que ninguém fala, todo mundo ignora isso, faz de conta que não tem“, pontua ele.

Emerson em campo (Foto: Reprodução)



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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)