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Vereadora suplente de Canoas (RS), Ágata Mostardeiro concorre a deputada estadual pelo PT do Rio Grande do Sul. Bióloga, professora e trabalhadora da cultura, a candidata tem 29 anos, é travesti e bissexual. Em conversa com o Gay Blog BR, no especial “Eleições 2022“, ela falou sobre sua trajetória e propostas.

Ágata Mostardeiro, candidata a deputada estadual pelo PT do RS (Foto: Reprodução/ Facebook)

De acordo com a candidata, sua entrada na política teve início em 2018, quando o Estado negou a possibilidade dela registrar seu filho, pois não tinham leis que dessem suporte a uma travesti com documentos retificados. “Sofri, diversas violências por parte do Estado e levamos dois anos pra conseguir o registro de forma adequada. Foi quando eu senti a necessidade de estarmos representando nos espaços de poder as demandas da população LGBTQIA+”, relata.

Os desafios de ser uma travesti também atravessam sua candidatura desde 2020, quando concorreu a vereadora em Canoas. “Em 2020, durante a campanha, me perguntaram cinco vezes “Quanto custa o programa?”, ou seja, mesmo sendo uma candidata a um cargo político, por ser uma travesti acham que nossos corpos estão a venda”, relata Ágata.

Como bióloga, suas principais propostas estão dentro de sua área de conhecimento. “Acabar com o uso de venenos pesados em nossa comida, desmantelar a aproximação de mineradoras que visam apenas explorar nossas matas sem respeito a áreas de povos originários indigenas, fomentos para que as escolas tenham condições de dar uma formação digna, com estrutura suficiente e com alimento para as crianças e adolescentes”, pontua.

“Também temos propostas exclusivas para LGBTQIA+, que seriam desde programas que possam fomentar parcerias pra gerar empregos, até criação de casas de acolhimento pra pessoas que hoje, sem suporte da família, também não recebem suporte do Estado”, acrescenta a candidata a deputada estadual do Rio Grande do Sul.

Ágata Mostardeiro e Lula, candidato a presidência pelo PT (Foto: Reprodução/ Instagram)

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Ágata Mostardeiro: Sou formada como bióloga e professora. Trabalhei como educadora social no ‘Ação Rua’ em Porto Alegre (RS), programa onde eu cuidava da abordagem e acompanhamento de pessoas em situação de rua e famílias com casos de trabalho infantil. Trabalhei como profissional da cultura por três anos dentro da palhaçaria com apresentações e esquetes. 

GB: O que motivou a se candidatar?

Ágata: Em 2018, quando eu tive meu filho, o Estado me negou a possibilidade de registrar o meu filho, por eu ser uma travesti com documentos retificados, pois não tinham leis que dessem suporte. Sofri, diversas violências por parte do Estado e levamos dois anos pra conseguir o registro de forma adequada. Foi quando eu senti a necessidade de estarmos representando nos espaços de poder as demandas da população LGBTQIA+, pois somente nós conseguimos entender as nossas necessidades e criar projetos de leis que possam melhorar nossa qualidade de vida.

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidata abertamente LGBTQ+?

Ágata: Desde questões de preconceito com a minha candidatura, por parte de alguns membros do próprio partido (e acredito que aconteça em todos os espaços), até abordagens na rua de forma violenta e por vezes agressiva. Em 2020, durante a campanha, me perguntaram cinco vezes “Quanto custa o programa?”, ou seja, mesmo sendo uma candidata a um cargo político, por ser uma travesti acham que nossos corpos estão a venda.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBTQ+?

Ágata: Minhas principais propostas estão dentro de minhas áreas de conhecimento. Como bióloga, acabar com o uso de venenos pesados em nossa comida, desmantelar a aproximação de mineradoras que visam apenas explorar nossas matas sem respeito a áreas de povos originários indigenas, como professora, fomentos para que as escolas tenham condições de dar uma formação digna, com estrutura suficiente e com alimento para as crianças e adolescentes e sim, temos propostas exclusivas para LGBTQIA+, que seriam desde programas que possam fomentar parcerias pra gerar empregos, até criação de casas de acolhimento pra pessoas que hoje, sem suporte da família, também não recebem suporte do Estado.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Ágata: Precisamos investir em educação. Parece um clichê, mas é a nossa única forma de combatermos a LGBTfobia na raiz do problema. Quando a gente vê os casos mais violentos de LGBTfobia, estes começam nos insultos, nas “brincadeiras” na escola, na falta de formação dos profissionais que estão nos espaços de educação, mas também daqueles que estão nos espaços de saúde, segurança pública e assistência social. Precisamos criar um programa estadual sério que busque capacitar, informar para proteger nossas LGBTQIA+.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Ágata: As políticas de PrEP são indispensáveis. Venho de uma cidade, que teve formação de profissionais em 2020, chegada de medicamentos, mas que ficou mais de dois anos sem realizar a PrEP por falta de interesse do poder executivo. Não podemos deixar que isso aconteça, precisamos que assim como no centro referência de PrEP do estado, o Sanatório Partenon, tenhamos condições de dar um tratamento e acolhimento digno em toda região metropolitana e também em áreas que facilitem o acesso em todo o Estado. A medicina preventiva, além de cuidar das pessoas, melhorar qualidade de vida e ser uma possibilidade incrível de prevenção, é um investimento inteligente de ponto de vista econômico. É INACREDITAVEL que não tenhamos grandes investimentos para PrEP ainda, assim como outras medidas relacionadas a medicina preventiva que já deveriam ser implementadas.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Ágata: Péssimo, nojento, indecente, arrogante, detestável, abominável, intolerável.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)