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Uma pesquisa brasileira investigou o sofrimento psíquico entre adolescentes trans e apontou índices relevantes de automutilação, ideação suicida e tentativas de suicídio. O estudo foi conduzido por pesquisadoras do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Paraná e publicado em 2024. As informações são do Ciência UFPR.

Segundo o portal, a investigação ouviu pais, mães e responsáveis por jovens não cisgênero, com idades entre 12 e 17 anos, por meio de 64 entrevistas on-line. Os participantes integravam redes de apoio voltadas à população LGBTQIA+, o que influenciou o perfil dos dados analisados.

Pesquisa analisa possíveis causas de sofrimento psíquico entre adolescentes trans
Pesquisa analisa possíveis causas de sofrimento psíquico entre adolescentes trans (Imagem: @gayblogbr)

Entre os resultados, o levantamento identificou que 50% dos adolescentes já haviam praticado automutilação. Além disso, 37,5% apresentaram ideação suicida e 17% chegaram a tentar suicídio, segundo relatos dos responsáveis.

O estudo também analisou fatores associados a esses comportamentos. Entre eles, aparecem conflitos familiares que podem levar à saída precoce de casa, fenômeno descrito como êxodo LGBTQIA+. Esse processo está ligado a maior vulnerabilidade social e emocional.

No ambiente escolar, situações de bullying e agressões foram apontadas como recorrentes. De acordo com os dados, 67% dos responsáveis citaram a falta de aceitação por parte de amigos e familiares como um fator central para o sofrimento psíquico.

A pesquisa também indica que a exposição contínua à violência, aliada à falta de acesso a redes de proteção e a serviços de saúde especializados, contribui para o agravamento do quadro. A marginalização social e o estigma aparecem como elementos presentes nesse contexto.

Os dados dialogam com estatísticas internacionais. Informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2019, o suicídio foi a quarta principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos no mundo.

Outro levantamento, publicado na revista Pediatrics em 2018, apontou que adolescentes trans apresentam taxas mais altas de tentativa de suicídio em comparação com a média geral da população jovem.

Como resposta, o estudo brasileiro sugere o fortalecimento do suporte familiar e a ampliação do acesso a cuidados em saúde mental, incluindo psicoterapia individual, em grupo e acompanhamento familiar, além de estratégias de acolhimento em rede.

As autoras também destacam a necessidade de políticas públicas específicas para adolescentes trans e de novas pesquisas. “São necessárias pesquisas que investiguem a saúde mental de crianças e adolescentes trans brasileiros sem acolhimento”, afirma a pesquisadora Fernanda Bonato, ao apontar lacunas nos dados atuais.

Saiba mais no portal Ciência UFPR.




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