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Clóvis Bornay [1916-2005] é considerado um dos maiores ícones do carnaval brasileiro. O carnavalesco foi idealizador do “Baile de Gala” do Theatro Municipal de Rio de Janeiro, em 1937.

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(Clóvis Bornay – Reprodução)

Logo na estreia, arrematou o grande prêmio com a fantasia “Príncipe Hindu”. A partir daí, Bornay colecionou inúmeros títulos, até ser declarado “hors-concours” e ganhar o direito de se apresentar nos concursos sem ser julgado.

O seu talento ia muito além do evento mais aguardado do ano. Bornay também foi ator, cantor, pesquisador, professor, criador de bailes de fantasia, agitador cultural e militante LGBTQIA+. Natural de Nova Friburgo (RJ), filho de mãe espanhola e pai suíço, ele era o caçula de uma família de 12 filhos.

Aos 12 anos, sempre presente nos bailes carnavalescos cariocas da época, venceu seu primeiro concurso de fantasia. Aos 21 anos, em 1937, Bornay convenceu o diretor do Theatro Municipal do Rio a instituir os bailes de gala, com concursos de fantasias inspirados nos tradicionais festas de Veneza.

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Clóvis Bornay – Reprodução

Durante anos, Bornay conquistou vários prêmios, sempre com fantasias luxuosas e extravagantes. O excesso de vitórias fez com que ele fosse declarado, em 1961, “hors-concours”. Logo depois, vieram os desfiles nas escolas de samba, sempre sendo notado pela grandeza e originalidade de suas fantasias.

Bornay atuou como carnavalesco de escola de samba como Salgueiro, Portela, Mocidade Independente, Unidos da Tijuca e Viradouro apresentando sempre inovações – foi uma criação dele a “figura de destaque” (pessoa no alto de um carro alegórico). Foram 77 anos de carnaval (69 em desfiles) e que não se restringiu apenas ao Rio de Janeiro, tendo sido destaque da escola de samba Nenê de Vila Matilde, em São Paulo.

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Clóvis Bornay – Reprodução

Em 1966, recebeu a “Medalha Tiradentes” da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), tida como uma das mais alta condecoração para personalidades de relevância cultural para o estado.

As homenagens não parariam por aí. Quase 20 anos depois, a escola de samba Unidos da Tijuca homenageou Bornay com o samba enredo: “Um conto marcado no tempo – O olhar suíço de Clóvis Bornay“. Suas fantasias deslumbrantes foram expostas em vários países. Outras peças fazem parte do acervo de alguns museus, além, é claro, de exposições no Brasil.

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Clóvis Bornay – Reprodução

Dono de vários talentos, Bornay também gravou algumas marchinhas de carnaval nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Também trabalhou como ator, tendo feito alguns filmes e participações em programas humorísticos como “Escolinha do Professor Raimundo” nos anos 1990, além de jurado em programas de TV do Chacrinha e Sílvio Santos.

Em 1967, o carnavalesco foi chamado para atuar no filme “Terra em Transe“, de Glauber Rocha, contracenando com ator Paulo Autran. Mais tarde, também participou do filme “Independência ou Morte“, de 1972

Longe dos holofotes, também trabalhou, durante 42 anos, como chefe da Divisão Artística e Literária no Museu Histórico Nacional.

Morador de Copacabana, Clóvis Bornay nos deixou aos 89 anos, em 9 de outubro de 2005, vítima de uma parada cardiorrespiratória.

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Clóvis Bornay – Reprodução



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