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Em 1972, um grupo de dança e teatro formado por 13 homens desafiava a censura da Ditadura Militar com espetáculos que mesclavam encenações com dança e humor. O figurino exuberante abusava de trajes femininos e maquiagem pesada, contrastando com seus corpos masculinos e peludos, provocando uma ambiguidade de gênero. Era o Dzi Croquettes.

Dzi Croquettes - Um símbolo de resistência e orgulho no apogeu da Ditadura
Dzi Croquettes – Um símbolo de resistência e orgulho no apogeu da Ditadura – Reprodução

O revolucionário grupo era grande demais para um país mergulhado em uma censura que ditava as regras. Buscando liberdade a trupe partiu para o exterior, onde conquistou fama e o sucesso. Para uma parcela da sociedade na época, o grupo era um “desvio moral”, para outros, uma androginia de homens que estavam à frente do tempo fazendo algo provocativo e artístico.

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Dzi Croquettes – Crédito: reprodução

O grupo foi criado em 1972 para o espetáculo “Gente Computada Igual a Você”. Com texto de Brunna Ribeiro Maciel e coreografias para a música Tinindo Trincando, a atração era formada por diversos monólogos alternados com números de canto e dança. O espetáculo foi censurado e a trupe se exilou então em Paris, onde reestreou a peça e se apresentou no Le Palace.

Em 1974, na Europa, alcançou status de “estrela”. Na plateia, Dzi contou com presenças ilustres como Omar Sharif, Catherine Deneuve e Josephine Baker, tendo como madrinha e fã a cantora Liza Minnelli que, era amiga próxima do grupo.

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Dzi Croquettes – crédito: reprodução

Questionados sobre o que seriam no palco, costumavam responder: “Nem homem, nem mulher: gente”. Os números em cena eram variados: da dança à mímica, cantando, dançando e atuando, passando pelo cabaré e pelo estilo Broadway – mas sempre com um teor crítico subentendido.

A revolução cultural provocada pelo Dzi Croquettes nos anos 1970 expôs o mundo gay no Brasil para o mundo afora através da liberdade de ser o que quiser. O grupo ficou na ativa até 1976.

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Dzi Croquettes – crédito: reprodução

Que fim levou os integrantes

O Dzi Croquettes era composto por homens cuja idade variava entre 18 e 30 anos, viviam todos juntos em uma casa em Santa Teresa como uma família: Lennie Dale, o autor Wagner Ribeiro de Souza, e os atores/bailarinos Cláudio Gaya, Cláudio Tovar, Ciro Barcelos, Reginaldo di Poly, Bayard Tonelli, Rogério di Poly, Paulo Bacellar (Paulette), Benedictus Lacerda, Carlinhos Machado, Roberto de Rodrigues e Eloy Simões.

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Dzi Croquettes – crédito: reprodução

Lennie Dale era o mais conhecido da trupe, além de coreografo, era também dançarino, ator e cantor. Nascido nos Estados Unidos, veio para o Brasil nos anos 1960. Dono de um humor irreverente, era apaixonado pelo país e bastante namorador. Faleceu em decorrência da AIDS em 1994 nos Estados Unidos.

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Lennie Dale – crédito: reprodução

Ciro Barcelos, aos 67 anos, continua na ativa: é ator, diretor e coreógrafo. Fez abertura do programa dominical Fantástico nos anos 1980, peças teatrais e viveu alguns anos na Europa após o fim do Dzi Croquettes. Foi namorado do bailarino Rudolf Nureyev e amigo de Peter Berlin.

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Ciro Barcelos – crédito: reprodução

Claudio Tovar seguiu carreira no teatro. Em 1986, ao lado da esposa a atriz/cantora Lucinha Lins, apresentou um programa infantil na extinta TV Manchete chamado Lupu Lupin Clapla Topo, que durou aproximadamente um ano. Após isso, se dividiu entre a TV e o teatro trabalhando como ator, diretor, cenógrafo e figurinista.

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Claudio Tovar – crédito: reprodução

Paulo Bacellar, mais conhecido como Paulette, após o término do Dzi, se dedicou a carreira de ator participando de vários programas humorísticos na TV Globo com o humorista Chico Anysio, também atuou em algumas novelas. Faleceu aos 41 anos em 1993, em decorrência da AIDS, assim como Simões e Gaya.

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Claudio Gaya – crédito: Reprodução

Roberto de Rodrigues morreu de aneurisma e Rogério di Poly em função de problemas de saúde em 2014. Tonelli se tornou ator, poeta e coreografo e Lacerta guia de turismo internacional. Souza, Reginaldo di Poly e Machado tiveram destinos cruéis, foram assassinados, segundo fontes da época.

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Bayard Tonelli – crédito: reprodução

Documentário

Em 2009, foi lançado um documentário revelando a trajetória do grupo, que teve a coragem de peitar a ditadura através da arte transgressora. O filme conta com depoimentos de vários artistas, imagens de arquivo e entrevistas com os ex-integrantes.

Para acompanhar:
instagram.com/dzicroquettes
facebook.com/DziCroquettes

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