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Na próxima terça-feira (30), o espetáculo “A Doença do Outro”, com texto e atuação de Ronaldo Serruya, abre a Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos do Centro Cultural São Paulo (CCSP). A montagem, com direção de Fabiano Dadado de Freitas, estreia no Espaço Cênico Ademar Guerra, no CCSP. Em formato de palestra-performance, a peça traz à cena um diálogo sobre os corpos vivendo com HIV, suas estigmatizações e as conquistas sociais.

(Foto: Jonatas Marques)
(Foto: Jonatas Marques)

“A Doença do Outro” é um processo autoral, já que Ronaldo Serruya é o autor e ator do monólogo. Para não deixar um contaminar o outro, o ator convidou Fabiano Dadado de Freitas para assumir a direção trazendo novas possibilidades para a encenação.

No espetáculo, Ronaldo propõe um formato interativo. Ao mesmo tempo que leva o rigor teórico e documental em forma de palestra, joga com a teatralidade através do videografismo, permeando toda a encenação com projeções em vários locais, inclusive no figurino.

Ronaldo conta que recebeu o diagnóstico positivo para HIV em 2014. Depois de um período de elaboração e relacionamento com a revelação, encontrou nos discursos artísticos uma maneira de debater, criticar e confrontar toda a construção dos estigmas em torno da doença.

“Para a maioria, o corpo portador do HIV é um corpo perigoso, recusado, fracassado e sigiloso. Escrever a peça era um sonho antigo, agora materializado como forma de recusar o silêncio e a culpabilização”, explica Ronaldo. Para ele, nesses 40 anos de HIV no mundo os avanços científicos foram enormes, mas o preconceito e a “sorofobia” fazem do HIV uma doença social.

(Foto: Jonatas Marques)
(Foto: Jonatas Marques)

Como diretor, Fabiano traz para a encenação um tom de convocação reconhecendo as questões trazidas pelo texto. “Apostamos no formato de palestra-performance, mas em uma construção conjunta com a plateia”, adianta. Ele ainda conta que a opção pelo uso de várias projeções ajudará nesse contato mais direto com o público. “Ao longo do espetáculo a performance invade a palestra”, pontua ele.

Além do videografismo proposto na cenografia, o espetáculo conta com figurino criado por Luiza Fardin (vencedora dos prêmios Cesgranrio, Shell e APTR 2016 na categoria melhor figurino pelo espetáculo “Se eu fosse Iracema”). O figurino em tons claros apresenta uma concepção desconstruída e assimétrica e servirá também como plataforma de projeção.

As apresentações presenciais acontecem até 5 dezembro, de terça-feira a sábado às 21h e domingo às 20h. Depois a montagem ganha uma temporada virtual com sessões de 31 de janeiro a 6 de fevereiro pelo canal do YouTube do Centro Cultural SP.

Foto: Jonatas Marques
Foto: Jonatas Marques

Serviço

Espetáculo: A Doença do Outro;
Quando: De 30 de novembro a 5 dezembro, terça-feira a sábado às 21h e domingo às 20h;
Onde: Espaço Cênico Ademar Guerra do Centro Cultural São Paulo;
Ingressos: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia-entrada);
Duração: 55 minutos
Classificação: 14 anos

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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)