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O espetáculo solo “Boy“, com dramaturgia de Rogério Corrêa, direção de Isaac Bernat e interpretação de Gil Hernández, Boy estreia na próxima segunda-feira (20) na Casa Fluida, onde segue em cartaz até o dia 28 de junho, com apresentações gratuitas às segundas e terças feiras, às 19:30h.

“Boy” nasceu da peça “De Bar em Bar“, escrita por Corrêa, que reúne os monólogos de quatro personagens que viveram no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992), quando, além da grande crise econômica e política, o país enfrentava o auge da epidemia de HIV/AIDS. 

(Foto: Leekyung Kim)

O solo é a versão expandida da história de um desses personagens, o michê Fernando. “Eu sentia que a história dele não cabia na peça. Ele não só descreve essa época do ponto de vista das pessoas LGBTQIA+, como viveu muito intensamente nesse período. Ele perdeu muitos amigos e viu a AIDS surgir logo depois da enorme liberação sexual, política e cultural que aconteceu depois do fim da ditadura militar“, conta Corrêa.

O espetáculo conta a história do garoto de programa que trabalhava como michê em uma sauna gay desde os anos do governo Collor, tendo se relacionado até com figuras importantes da política. Em 2022, no aniversário de 30 anos do impeachment de Collor, ele está no bar da sua sauna e relembra como aqueles anos impactaram a sua vida. 

O que mais me atrai nesse personagem é que ele tem uma mensagem positiva de que a AIDS não destruiu a comunidade, mesmo diante de toda a tragédia e todas as perdas representadas por aquele período. Foi preciso começar a se falar de gays, de sexo anal, de camisinha e de sexualidade. […] Existia uma ilusão de que a sexualidade era uma opção, mas esse período ajudou a nos mostrar como ela é tão essencial para as pessoas, pois ninguém escolheria algo que traria tanto risco para a sua vida“, comenta o dramaturgo. 

(Foto: Leekyung Kim)

Já o diretor Isaac Bernat, que fez parte do elenco da primeira peça no Brasil sobre a AIDS – o espetáculo “Por Que Eu?” (1987), dirigido por Roberto Vignati –, conta que o novo trabalho também tem a missão de alertar as pessoas os risco  de  exposição ao HIV. “Quando fiz a peça nos anos 80, aprendi muito sobre a AIDS, porque tínhamos aulas e conversas com muitos cientistas e pesquisadores. […] Aprendemos que deveríamos falar, na verdade, sobre comportamento de risco e passamos a entender que qualquer pessoa, independentemente da orientação sexual, pode entrar em contato com o vírus“, afirma Bernat.

Além do texto de Corrêa, o diretor traz como referência para a encenação, obras como o seriado “Pose“, que retratada os bailes LGBTQIA+ e a cena drag queen nos anos de 1980 no Estados Unidos, e o trabalho do grupo de teatro e dança brasileiro Dzi Croquettes, ícone da contracultura que apresentava performances provocantes, sensuais e eróticas para falar sobre sexualidade e questionar o conservadorismo nos anos de 1970-80.

(Foto: Leekyung Kim)

Serviço

BOY, de Rogério Corrêa

Estreia para convidados: segunda-feira (20), às 19h30;
Temporada: Segunda, terça e quarta-feira dias 21, 22, 27 e 28/06/2022 às 19h30;
Debates após espetáculo: Bárbara Iara Hugo (20.06) e Dr. Emmanuel Nasser (21.06)
Sessão inclusiva com Libras: 28/06/2022
Casa Fluida – Rua Bela Cintra, 569, Consolação
Ingressos: gratuitos distribuídos 1h antes do início do espetáculo.
Classificação: 18 anos
Duração: 50 minutos
Capacidade: 30 lugares




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)