This article is also available in: Español

GAY BLOG BR by SCRUFF

Críticos dizem que o diretor canadense Bruce LaBruce pegou leve no longa “Saint-Narcisse”,em cartaz no 28º Festival MixBrasil até dia 22 de novembro. O objetivo da sutileza – mas nem tanto – seria conquistar um público mais comercial.

Reprodução

No filme, Dominic é um jovem dos anos 1970 que já era viciado em selfies. Quando sua avó morre, o rapaz descobre que sua mãe está viva, morando numa cabana com uma mulher mais jovem. Nos arredores, há um monastério, lar de um monge muito parecido com ele. O longa joga com essa semelhança para explorar temas espinhosos, como o incesto e o narcisismo.

Reprodução

“A ideia de uma pessoa fazer amor consigo mesma, com seu sósia, sua outra metade, está muito alinhada ao tipo de narcisismo que se tornou uma epidemia com as redes sociais. Então eu misturei essas ideias e adicionei tons gays a ela”, disse LaBruce em uma conferência assistida pela Folha de São Paulo.

“Meus filmes são quase todos sobre algum fetiche. Esse amor das pessoas por algum desejo incomum se assemelha muito à religião, elas têm uma devoção extrema por um objeto ou uma ideia. É um comprometimento tão grande que me atrai e que tem muita relação com a contemplação espiritual.”

A programação de longas-metragens, organizada por João Federici, também exibe:

The World to Come (EUA), de Mona Fastvold: No interior do estado de Nova York na década de 1850, Abigail começa um novo ano na fazenda em que vive com seu marido, Dyer. Enquanto Abigail pensa no ano por vir através das anotações em seu diário, observamos o contraste marcante entre seu jeito deliberado e impassível e suas complexas emoções desvendadas. A primavera chega e Abigail conhece Tallie, uma mulher recém-chegada, emocionalmente franca e atraente que aluga uma fazenda vizinha com seu marido, Finney. As duas começam um hesitante relacionamento, preenchendo um vazio em suas vidas que nenhuma das duas sabia que existia. Leão Queer em Veneza, seleção oficial em San Sebastian.

I Carry You With Me (EUA, México), de Heidi Ewing – Uma épica história de amor de décadas é deflagrada por um encontro casual entre dois homens na província mexicana. Baseado em uma história real, a ambição e a pressão social levam um aspirante a chef a deixar sua alma gêmea e fazer a perigosa viagem para Nova York, onde a vida nunca mais será a mesma. Seleção oficial de Sundance.

Lingua Franca (EUA, Filipinas), de Isabel Sandoval –  Uma imigrante filipina em situação ilegal, paranoica com a possibilidade de deportação, trabalha como cuidadora de uma senhora judia russa em Brighton Beach, no Brooklyn, Nova York. Quando o homem americano a quem ela está secretamente pagando por um casamento pelo green card desiste do plano, ela se envolve com o empregado de um matadouro que não sabe que ela é uma mulher trans. Melhor filme do Queer Lisboa, seleção oficial de Veneza.

Verão de 85 (França), de François Ozon – O que você sonha quando tem 16 anos e em um resort à beira-mar na Normandia na década de 1980? Um melhor amigo? Um pacto adolescente ao longo da vida? Sair em aventuras em um barco ou moto? Viver a vida a uma velocidade vertiginosa? Não. Você sonha com a morte. Porque você não pode dar um chute maior do que morrer. E é por isso que você o salva até o fim. As férias de verão estão apenas começando, e essa história relata como Alexis cresceu em si mesmo. Seleção oficial de Cannes 2020 (cancelado) e Toronto.

Suk Suk (Hong Kong, China), de Ray Yeung Pak – Pak é um motorista de táxi de 70 anos de idade que vive com sua esposa; seu filho está feliz com o casamento e a paternidade, e sua filha está grávida e prestes a se casar. Hoi, desde seu divórcio, vive com seu filho, um cristão devoto, e a família dele. Os dois homens, que passaram a vida toda sem jamais revelar suas identidades sexuais, encontram-se por acaso nas ruas de Hong Kong. Quando Pak e Hoi se apaixonam, eles contemplam um possível futuro juntos. Seleção oficial de Busan e da seção Panorama da Berlinale.

Shiva Baby (Canadá), de Emma Seligman – Danielle, quase formada na faculdade, é paga por seu sugar daddy e se apressa para encontrar seus pais neuróticos em uma shivá familiar. Ao chegar, ela é abordada por vários parentes distantes sobre sua aparência e a falta de planos de pós-graduação, enquanto sua confiante ex-namorada, Maya, é aplaudida por todos por entrar na faculdade de direito. O dia de Danielle dá uma virada inesperada quando seu sugar daddy, Max, chega à shivá com sua talentosa esposa, Kim, e o bebê, que não para de chorar. Conforme o dia se desenrola, Danielle luta para manter diferentes versões de si mesma, se afastar das pressões da família e enfrentar suas inseguranças sem se perder completamente. Grande Prêmio do Júri – Melhor Longa Americano de Ficção no OutFest, seleção oficial de Toronto.

Pequena Garota, documentário francês dirigido de Sébastien Lifshitz –

Sasha, de 7 anos, sempre soube que era uma menina, embora tenha nascido menino. Como a sociedade segue falhando em tratá-la como as outras crianças de sua idade – na sua vida diária na escola, nas aulas de dança ou em festas de aniversário – sua dedicada família trava uma batalha constante para fazer com que sua diferença seja compreendida e aceita. Seleção oficial em Tóquio e na seção Panorama da Berlinale.

Cured (EUA) de Bennett Singer, Patrick Sammon – Débil mental. Aberração. Doente. E que precisa de cura. Estes foram alguns dos termos psiquiátricos utilizados para descrever lésbicas e homens gays nos anos 1950, 1960 e começo dos anos 1970. Conforme estabelecido pela classe médica, toda pessoa gay – não importa quão bem ajustada – sofre de uma desordem mental. E já que lésbicas e homens gays eram “doentes”, o avanço em direção à igualdade era impossível. Este documentário narra a batalha travada por um pequeno grupo de ativistas contra uma instituição aterrorizante – e a vitória crucial que obtiveram no moderno movimento LGBTQIA+ por igualdade. Melhor documentário pela escolha do público do Frameline, seleção oficial do OutFest.

Ellie & Abbie (Austrália), de Monica Zanetti – A capitã da escola Ellie está muito a fim de Abbie, sua rebelde colega de sala. Determinada a convidar seu primeiro amor para o baile de formatura, Ellie cria um plano de ir a público e convidá-la, mas antes que possa executá-lo, sua falecida tia Tara reaparece do além-túmulo. Acreditando ter retornado dos mortos para ser a fada madrinha de Ellie, Tara distribui conselhos amorosos não solicitados baseados em sua vida de lésbica assumida nos anos 1980. Seleção oficial no Frameline, NewFest, Inside Out, BFI Flare e Mix Milano.

Emilia (Argentina), de César Sodero – Emilia retorna ao seu povoado depois de muitos anos distante. O rompimento com Ana acelerou a decisão. Ela vai para a casa de sua mãe e consegue um emprego como professora na escola. Aos poucos, Emília se reconecta com o povo da cidade, com os afetos do passado, mas também com os sentimentos que a fizeram emigrar. A cidade, que sempre pareceu a Emília um lugar estático e previsível, vai se transformar no espaço que lhe dará uma nova possibilidade de redefinir o sentido da sua vida. Seleção oficial em Roterdã.

A Morte Virá e Levará Seus Olhos (Chile), de José Luis Torres Leiva – Duas mulheres que viveram a vida toda juntas se veem enfrentando a doença iminente de uma delas. A mulher enferma se nega a passar por qualquer tratamento, e elas se mudam para um chalé na floresta para esperar que a morte chegue a suas vidas. Assim, elas vão se dedicar novamente ao amor que o tempo e a rotina haviam sepultado. Pouco a pouco, elas fortalecem seu relacionamento, enquanto, lá fora, a morte espera seu momento. Menção especial do Júri em Mar del Plata, seleção oficial de San Sebastián, Roterdã e da Viennale.

This article is also available in: Español

Junte-se à nossa comunidade

O app SCRUFF está disponibilizando gratuitamente a assinatura PRO no Brasil, com todas as funcionalidades premium. Seja Embaixador SCRUFF Venture para ajudar os gays que estão visitando sua cidade. Tenha uma agenda atualizada das melhores festas, paradas, festivais e eventos. São mais de 15 milhões de usuários no mundo todo; baixe o app SCRUFF diretamente deste link.

Jornalista pela Universidade Federal de MS, foi repórter de economia e hoje, além de colaborar para o Gay Blog, é servidor público em Joinville (SC). Escreveu ''A Supremacia do Abandono'', livro disponível em amazon.com.br.