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Em 1970, o diretor italiano Luchino Viscoti buscava incansavelmente mundo afora um jovem que fosse considerado o mais belo do mundo para estrelar seu novo filme. Após centenas de audições, eis que ele encontra em Estocolmo, na Suécia, aquele que seria para ele o rapaz mais bonito do universo. Björn Andresen tinha apenas 15 anos, cabelos longos, loiro, corpo franzino e a pele tão branca que quase dava para ver os vasos sanguíneos. O filme de Viscoti era uma adaptação da obra “Morte em Veneza” (1912), de Thomas Mann, sobre um compositor enfermo que durante umas férias encontra por acaso um jovem dono de uma beleza única.

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Quando o filme chegou aos cinemas, Andresen foi promovido como o rapaz mais bonito do mundo, mas os anos posteriores não seriam nada belo na vida do jovem completamente inexperiente.

Mesmo não sendo homossexual, aos 16 anos, o promissor ator foi levado a uma boate gay por Visconti e sua equipe. Os empregados do clube noturno olhavam para o ator como se ele fosse um “pedaço de carne”, declarou Andresen décadas depois em uma entrevista internacional. Nos Estados Unidos, rumores apontavam que Andresen era gay, algo que ele negou prontamente, muito em função da obra mostrar olhares romantizados entre ele e o ator mais velho. Ele também recusou interpretar outros personagens gays, no intuito de desassociar seus papéis do cinema com sua vida pessoal.

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Sucesso de bilheteria no Japão, o rapaz logo se tornou um ídolo teen no país com uma avalanche de fãs meninas enlouquecidas por ele, onde gravou comerciais de TV e até músicas em japonês. Suas visitas ao país se tornaram frequentes no decorrer dos anos, onde se sentia acolhido e também porque apreciava a cultura local.

A fama precoce roubou fases importantes de sua adolescência que um anônimo vivencia, mas não quando se é um queridinho mundial. Na década de 1970, viveu em Paris onde recebia vários presentes de homens ricos, que só queriam ser vistos ao lado do famoso “rapaz mais belo do mundo”.

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Reprodução: Björn Andresen

Fruto de uma família considerada desestabilizada, sua mãe desapareceu quando ele tinha apenas 10 anos e só soube o seu paradeiro quase dois anos depois quando ela já havia falecido. Criado pelos avós, foi a figura materna que o levou para o teste do filme, pois depositava nele as chances se tornar um astro um dia.

Foto: Reprodução Björn Andrésen
Foto: Reprodução

Passado o auge da fama, a carreira como ator não decolou, ele então retornou para a Suécia, fez algumas atuações sem grande relevância. Apaixonado por música, aprendeu a tocar piano, teve anos depois uma banda de jazz, mas sempre era lembrado pelo papel em “Morte em Veneza”.

Em busca de anonimato, chegou a viver na Dinamarca, mas ainda assim a fama o perseguia. O retorno ao estrelato só viria em 2019, quando ganhou um papel de destaque no filme sucesso de crítica e público “Midsommar”, já como um senhor idoso, com longas madeixas e barba branca. 

No lado pessoal, enfrentou um divórcio e a morte do filho que tinha apenas alguns meses, o que o afundou na depressão e no alcoolismo durante um longo tempo.

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Atualmente, aos 66 anos, ele virou tema de um documentário polêmico que retrata as últimas cinco décadas desde que protagonizou a obra cinematográfica. Intitulado “The Most Beautiful Boy in the World” (O Mais Belo Garoto do Mundo), o documentário revela os altos e baixos do ator sueco que sucumbiu à depressão e ao álcool e as consequências da fama súbita e acarretou em sua vida. O filme destrincha a vida de Andresen a partir do momento que ele se torna uma figura famosa no mundo inteiro, no início dos anos setenta. 

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Reprodução: Björn Andresen

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