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No próximo dia 08 de maio, sábado, a companhia Os Satyros estreia “Uma Canção de Amor”, sua 12ª peça criada especialmente para os meios digitais. É uma nova montagem, totalmente reformulada, da peça homônima apresentada pela companhia em 2018. A direção é de Gustavo Ferreira e Rodolfo García Vázquez e a dramaturgia de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.

O espetáculo “Uma Canção de Amor” é baseado em recortes da obra e vida do escritor e dramaturgo francês Jean Genet (autor de “O Balcão”, “As Criadas”). Conhecido como “poeta dos marginais”, criou polêmica com seu filme, censurado à época pelo conteúdo homoerótico, a peça é uma ode poético-erótica através do olhar de Jean Genet, em que dois prisioneiros, um homem de meia-idade e um senhor de oitenta anos, cada um em sua cela, divagam em sonhos lascivos criando a imagem do outro, alimentando seus gozos e mais íntimos fantasmas.

Roberto Francisco e Henrique Mello Os satyros
Roberto Francisco e Henrique Mello – Reprodução

No elenco estão o veterano Roberto Francisco e Henrique Mello, que juntos também assinam o dramaturgismo do espetáculo. Nascido no bairro da Mooca, em São Paulo, em 31 de outubro de 1944, Roberto Francisco acumula mais de 50 anos de carreira e atualmente integra a companhia Os Satyros. Francisco participou de peças históricas do teatro brasileiro, como “O Balcão”, de Jean Genet dirigida em 1969 pelo argentino Victor García e produzida por Ruth Escobar; e “Macunaíma”, clássica versão de Antunes Filho em 1978 para o livro de Mário de Andrade, montagem com a qual excursionou pela Europa.

“Cada peça que faço considero um presente. E esta é ainda mais especial. Desde que entrei para a Companhia. Os Satyros, aprendo algo novo a cada dia. Fui acolhido com muito carinho e respeito. Sinto-me integrante dessa turma, estou jovem outra vez. Faço teatro desde criança, quando encenava para meus vizinhos, e profissionalmente desde 1969. Nunca parei. Fiz também o infantil ‘O Aniversário do Palhaço’, que ficou 20 anos em cartaz”, lembra. “Agora, estou ao lado do Henrique Mello, que é um ator excelente e por quem tenho uma grande amizade”, conta o Roberto Francisco.

Para Henrique Mello, contracenar com Roberto Francisco “é um grande privilégio”. Ele conheceu o amigo no Palacete dos Artistas, moradia pública paulistana para artistas na terceira idade, onde Roberto vive: “Fiz assistência para o Rodolfo García Vázquez em um projeto no Palacete da Av. São João e foi quando nos conhecemos. Ele me contou das peças históricas que havia feito, muitas das quais eu havia estudado em livros ainda quando morava em Sorocaba. Gostei dele de cara e logo imaginei que um dia trabalharíamos juntos. Fizemos em 2017 a peça ‘O Incrível Mundo dos Baldios’, do Satyros. Apesar de estarmos no mesmo elenco, não contracenávamos. Agora, chegou a vez de realizar esse sonho”.

JEAN GENET (1910-1986)

Filho de uma prostituta, de pai desconhecido, foi adotado por um casal de Morvan, na Borgonha. Após abandonar a família adotiva, Genet passou a juventude em reformatórios e prisões onde afirmou sua homossexualidade. Conhecido como “escritor maldito”, provocou as mais diversas reações sobre sua personalidade e obra. Condenado por crime de morte à prisão perpétua, obteve o perdão em 1948 graças aos esforços de Jean Cocteau e Jean-Paul Sartre, rendidos a seu talento literário.

Em 1983 foi-lhe concedido o mais importante prêmio literário francês, o Grande Prêmio Nacional. Em seus romances e peças de teatro, cujos protagonistas são quase sempre delinquentes e marginais, Genet abala a consciência social e a fragilidade do sistema de valores da sociedade burguesa. Dentre suas obras se destacam Nossa Senhora das Flores (1944), Querelle Amar e Matar (1947), que foi levado ao cinema em 1982 por Rainer Werner Fassbinder com o título “Querelle”, e Diário de Um Ladrão (1949), além das peças de teatro As Criadas (1947), Haute Surveillance (1949), O Balcão (1956), Os Negros (1958) e Les Paravents (1961).

Condenado por crime de morte à prisão perpétua, Genet obteve o perdão em 1948 graças aos esforços de Jean-Paul Sartre e Jean Cocteau, rendidos ao seu talento literário.

OS SATYROS NA PANDEMIA

A companhia Os Satyros, uma das mais ativas durante a pandemia, além de realizar o festival Satyrianas em formato digital (com mais de 400 atrações, em 2020), é também uma das mais antigas e importantes em São Paulo. A companhia já produziu, em 32 anos, mais de 100 espetáculos, se apresentou em 27 países e ganhou mais de 100 prêmios – incluindo os maiores do teatro brasileiro, como APCA, Shell, Mambembe, APETESP e Governo do Estado de São Paulo.

Com o período de isolamento, o monólogo de Ivam Cabral, “Todos Os Sonhos do Mundo”, passou a ser apresentado de modo on-line, em temporada regular, pelo Instagram. Esse foi o pontapé inicial para o surgimento do “Espaço Satyros Digital”, que passou a receber os espetáculos digitais da companhia, concebidos na plataforma Zoom.

A pioneira “A Arte de Encarar o Medo”, criada e apresentada em 2020, recebeu três montagens: as versões brasileira, afro-europeia e norte-americana, todas dirigidas e ensaiadas remotamente pelo diretor brasileiro Rodolfo García Vázquez, e vistas por mais de 30.000 pessoas pelo mundo. As duas versões internacionais, chamadas “The Arte Of Facing Fear”, reuniram em suas montagens 10 países de 4 continentes (Brasil, EUA, Inglaterra, Senegal, Nigéria, Cabo Verde, África do Sul, Zimbabwe, Alemanha, Suécia). Foram vencedoras dos Prêmios de Melhor Espetáculo e Melhor Elenco no festival indiano Red Curtain, de Calcutá, e indicadas em seis categorias ao BroadwayWorld de Los Angeles, incluindo Melhor Espetáculo, Elenco e Direção, ao Prêmio Arcanjo de Cultura, na categoria Teatro e como Melhor Espetáculo Virtual ao Prêmio APCA de Teatro.

SERVIÇO

TEMPORADA: de 08 a 30 de maio | apresentações online e ao vivo
HORÁRIOS: sábados às 21h e domingos às 18h / INGRESSOS: GRATUITOS E R$10,00
ONDE COMPRAR E ASSISTIR: https://sympla.com.br/produtor/espacodigitaldossatyros
DURAÇÃO: 45 min / CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: 16 anos / GÊNERO: drama

FICHA TÉCNICA

Direção Geral: Rodolfo García Vázquez e Gustavo Ferreira
Dramaturgia: Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez
Dramaturgismo: Henrique Mello e Roberto Francisco
Elenco: Henrique Mello e Roberto Francisco
Produtor: Silvio Eduardo
Assistente de Produção: Janna Julian
Secretariado e Social Media: Isabella Garcia
Designer: Henrique Mello
Fotografia: André Stefano
Administração: Rodolfo García Vázquez
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

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