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O espetáculo teatral “Padre Pinto: a narrativa (re)inventada”, com Sérgio Marone e Ricardo Bittencourt, estreia em 24 de janeiro no Sesc Pompeia, em São Paulo, apresentando uma nova perspectiva sobre a trajetória de um personagem que desafiou normas e marcou a história religiosa brasileira. Com dramaturgia e direção de Luiz Marfuz, a peça traz aos palcos a jornada polêmica e transformadora de José de Souza Pinto, o Padre Pinto (1947 – 2019), explorando temas como intolerância religiosa, preconceito social e racial, e a relação entre o sagrado e o profano.

Sérgio Marone e Ricardo Bittencourt levam ao teatro a trajetória de Padre Pinto - Foto: Luis Ushirobira
Sérgio Marone e Ricardo Bittencourt levam ao teatro a trajetória de Padre Pinto – Foto: Luis Ushirobira

Nascido em Salvador em 1947, José de Souza Pinto – conhecido como Padre Pinto – foi uma figura central na Paróquia da Lapinha, onde atuou por 32 anos. Sua trajetória foi marcada por um profundo compromisso com a inclusão social, inspirado pela teologia da libertação e documentos históricos da Igreja, como o Pacto das Catacumbas, assinado no Concílio Vaticano II, e o manifesto Eu ouvi os clamores do meu povo, redigido por bispos nordestinos em plena ditadura militar.

Padre Pinto buscava integrar fé e cultura, valorizando a herança afro-brasileira e indígena em suas celebrações. Ele revitalizou a Festa de Reis da Lapinha, uma tradição que remonta ao período colonial, criando o famoso Terno da Anunciação, que se tornou um dos cortejos mais icônicos do evento. Sua atuação artística também incluiu coreografias durante missas e a criação de mais de 500 obras plásticas, muitas delas expostas em museus de Salvador.

A notoriedade de Padre Pinto cresceu em 2006, quando celebrou uma missa vestido de Oxum, orixá feminino do candomblé, dançando e cantando na igreja e nas ruas do bairro. O gesto gerou uma intensa polêmica, com reações divididas entre aplausos e críticas severas do clero conservador, resultando em sua remoção da paróquia após uma investigação do Vaticano. Após o afastamento, Pinto assumiu publicamente sua homossexualidade e aproximou-se do candomblé, mantendo-se ativo no cenário cultural até sua morte, em 2019.

A construção dramatúrgica

Padre Pinto: a narrativa (re)inventada não se limita a uma biografia linear, mas propõe uma abordagem dramatúrgica que mistura o real e o ficcional. Dividido em três atos – Ascensão e Glória, Queda e Explosão e O Silêncio de Deus –, o espetáculo explora as dimensões simbólicas da trajetória de Padre Pinto, transitando entre o plano material, o onírico e o transcendente.

Para o diretor Luiz Marfuz, a obra busca traduzir a espetacularidade que o próprio Padre Pinto trouxe à vida cotidiana. “Ele integrou elementos culturais, danças e ritos afro-brasileiros ao dia a dia da paróquia, rompendo com padrões tradicionais. No palco, essa essência é recriada, não como um documentário, mas como um diálogo entre mito e realidade.”

Intercâmbio cultural e musicalidade

A peça reúne um elenco de 15 artistas, liderado por Ricardo Bittencourt no papel-título e Sérgio Marone como o emissário do Vaticano. Além deles, o espetáculo conta com Ágatha Matos, Gabriel Frossard, Igor Nascimento, Luciana Domschke, Mariano Mattos Martins, Rita Brandi, Sylvia Prado, Thaise Reis, Tony Reis, Victor Rosa e Wilson Feitosa, além de músicos que executam a trilha sonora ao vivo, composta por João Milet Meirelles em colaboração com Claudia Manzo, Ito Alves e Wilson Feitosa.

A montagem também celebra o encontro entre artistas baianos e paulistas, promovendo um intercâmbio cultural que reflete a diversidade do próprio Padre Pinto. O figurino e a cenografia recriam os ambientes e as manifestações simbólicas que marcaram sua trajetória.

O espetáculo também carrega ecos do legado de Zé Celso, referência do teatro brasileiro e fundador do icônico Teatro Oficina, sinônimo de experimentação e provocação artística. A conexão com o Oficina é fortalecida pela presença de artistas que integraram o grupo em diferentes momentos, ampliando o diálogo entre a proposta transgressora de Padre Pinto e a tradição de um teatro que questiona convenções.

Sérgio Marone e Ricardo Bittencourt - Foto: Luis Ushirobira
Sérgio Marone e Ricardo Bittencourt – Foto: Luis Ushirobira

Serviço:

Ficha técnica

Dramaturgia e direção: Luiz Marfuz
Diretor assistente: Roderick Himeros
Assistência de direção: Rita Brandi e Fernando Filho
Consultoria artística: Onisajé
Assessoria candomblaica: Marcio Telles

Elenco principal:

  • Ricardo Bittencourt como Padre Pinto
  • Sérgio Marone como Emissário

Elenco de apoio:
Ágatha Matos, Gabriel Frossard, Igor Nascimento, Luciana Domschke, Mariano Mattos Martins, Rita Brandi, Sylvia Prado, Thaise Reis, Tony Reis, Victor Rosa e Wilson Feitosa

Banda ao vivo:
Ito Alves, Moisés Moita Matos e Wilson Feitosa

Equipe técnica:

  • Direção musical e trilha sonora original: João Milet Meirelles
  • Composições e arranjos: João Milet Meirelles, Claudia Manzo, Ito Alves, Moita Matos e Wilson Feitosa
  • Preparação vocal e assistência de direção musical: Claudia Manzo
  • Desenho de som: Paulo Altafim
  • Cenografia: Cris Cortilio
  • Assistente de cenografia: Rafael Torah
  • Criação de vídeo: Ciça Lucchesi
  • Cinegrafista: André Voulgaris
  • Direção de palco: Joana Pegorari
  • Direção de cena: Elisete Jeremias
  • Assistente de palco: Daniel Prata
  • Desenho de luz: Cesar Pivetti
  • Assistência de iluminação e programação de luz: Rodrigo Pivetti
  • Coreografia: Marilza Oliveira
  • Figurino e adereços: Kelly Siqueira e Paula Mares Ruy
  • Visagismo: Polly e Yuri Tedesco
  • Fotografia: Luis Ushirobira

Consultoria biográfica: Pablo Henrique da Silva Pinto
Assessoria de imprensa: Pombo Correio

Pesquisa histórico-social e biográfica:
Eduardo Machado, Ícaro Bittencourt e Georgenes Isaac (pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFBA e do Grupo PÉ NA CENA)

Produção: Camila Bevilacqua
Assistente de produção: Kauan Ramos
Coordenação geral do projeto: Fioravante Almeida
Produtora responsável: FLO Arts Produções e Entretenimento

Idealizadores: Ricardo Bittencourt, Luiz Marfuz e Mauricio Magalhães




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