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Nesta sexta-feira (17), ocorre a solenidade de entrega do título de Cidadã Honorária à Cintura Fina, em condição de post mortem. A ação é da vereadora Iza Lourença (PSOL-BH) e tem o objetivo de resgatar a memória da travesti precursora da luta LGBTQIA+ na cidade, símbolo de resistência ao conservadorismo e de ocupação dos espaços públicos.

Cintura Fina começou sua trajetória aos 20, em Belo Horizonte, em 1953. Travesti, negra, cearense, pobre e órfã, Cintura foi cozinheira, faxineira, lavadeira, gerente de pensão, profissional do sexo, alfaiate, cabeleireira e gari.

“Cintura é parte da história da cidade, do seu desenvolvimento, e como tal deve ser conhecida. Essa é uma forma de honrar sua memória e de tantas mulheres trans e travestis que resistem nesta cidade. Vamos contar a verdadeira História de BH”, defende Iza.

(Foto: Reprodução)

Descrita como uma figura ambígua e vibrante, Cintura aprendeu a se defender da transfobia permanente que sofria utilizando navalhas. Foi dessa forma que  ganhou a alcunha de “rei da navalha” pela imprensa. “Cintura foi resistência em uma sociedade conservadora, no país que mais mata pessoas trans no mundo, cuja expectativa de vida é de 35 anos”, pontua a vereadora. Cintura morreu no dia 18 de fevereiro de 1995, aos 62 anos.

No final da década de 1990, sua história ficou conhecida nacionalmente através da minissérie “Hilda Furacão”, da TV Globo. Recentemente, a disponibilização da minissérie na plataforma Globoplay acendeu uma polêmica por sua personagem ter sido interpretada pelo ator Matheus Nachtergaele, um homem branco e cis.

(Foto: Reprodução)

De acordo com Iza, a imprensa da época construiu uma lenda ao redor da história de Cintura,  ao criar e reproduzir estigmas e violências contra a sua figura. “Cintura teve sua vida e imagem exploradas de forma cruel. Quando a imprensa dizia que a violência era uma constante em sua vida, deveria ter dito da violência que ela sofria por ser quem era”, destaca a vereadora.

Ela completa: “As várias prisões de Cintura por vadiagem demonstram que, em última instância, o Estado estava lhe dizendo: ‘você não tem direito de circular por aí! Esta cidade não é sua! Você não é sujeito, você não é nada’. […] Concedê-la esse título reconhecerá sua importância na luta pela cidadania e garantia de direitos na cidade, além de fazer justiça à forma criminosa como foi tratada quando viveu por aqui”, finaliza Iza.

(Foto: Reprodução)

Serviço

Solenidade de entrega do título de Cidadã Honorária à Cintura Fina
Sexta-feira, dia 17/12, às 18h;
Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira (dentro do Mercado da Lagoinha);
Av. Presidente Antônio Carlos, 821 – Lagoinha.

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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)