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Não bastasse o preconceito da sociedade, Caio Prado, Daniel Chaudon e Diego Moraes dizem enfrentar esse mesmo preconceito na comunidade gay, cercada de racismo, gordofobia e elitismo. É com essa crítica, que o trio “Não Recomendados”, lançou o seu disco de estreia. As informações são da Folha Press.

Batizado de “Não Recomendados”, o disco leva o nome do grupo e também de uma canção de Caio Prado com o mesmo nome. “Pervertido, mal amado, menino malvado, muito cuidado!/ Má influência, péssima aparência, menino indecente, viado!”, diz a canção que foi regravada por Elza Soares no álbum “Planeta Fome

Os versos da canção “Não Recomendado”, foram inspirados na vivência de Caio – um homem gay, negro e afeminado do subúrbio carioca, como ele se descreve em entrevista à Folha Prees.

(Foto: Reprodução)

“O trio surgiu a partir de um encontro de inquietações. No início da década, os artistas ainda não tinham acordado para discutir este cenário de pré-caos político que estávamos vivendo”, lembra Diego, que conheceu Caiu no extinto reality show “Ídolos“. Já Daniel, ele conheceu em um sarau, anos antes de formarem o trio.

O primeiro disco do trio

Quase 10 anos após as primeiras apresentações, o trio de amigos, que também seguem carreiras solo, decidiram gravar o disco de estreia, que foi lançado em julho nas plataformas de streaming. Com seis canções, a produção busca enfrentar a discriminação dentro da comunidade gay.

A gente quer levar esta bixa ‘discreta, fora do meio’ a se questionar, para ela enteder que ser viado não tem problema, para empoderar, porque essa cultura da heteronormatividade e do preconceito contra outras bixas é tóxica, leva até à depressão, ao suicídio”, diz Daniel para a Folha Press.

(Foto: Reprodução)

Em “Discreto, Fora do Meio”, canção que abre o disco, o trio ironiza gays que, para esconder sua sexualidade, fogem de tudo que pode ser associado à homossexualidade, diante Da sociedade conservadora.

Já em “Impitimá”, o trio canta sobre as ideologias políticas divergentes de um casal. “Eu quero você, mas você acha que bandido morto é bom/ Que panelaço acaba com a corrupção/ Que a Rouanet sustenta minha lacração”, diz a letra.

Com duração de 17 minutos, o disco ainda traz temas como o “pink money”. “O disco é uma autocrítica. A gente está dizendo que não dá para você ser uma gay, uma trans, uma mulher lésbica que vota em pessoas que nos matam”, diz Caio Prado. “Precisamos afirmar nossas vidas como elas são, em toda sua potência bicha, e não pautada pela heteronormatividade.” acrescenta o artista.

 

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Jornalista formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (RS).

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