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O pastor e ex-secretário Ezequiel Cortaz Teixeira foi condenado pela Justiça do Rio de Janeiro a pagar R$ 100 mil em benefício a população LGBTQIA+ do Rio de Janeiro por declarações homofóbicas. As informações são do jornal carioca O Dia.

“Eu não creio só na cura gay, não.” – disse, em entrevista ao jornal O Globo em 2016. “Creio na cura do câncer, na cura da AIDS….Sabe por quê? Porque sou fruto de um milagre de Deus”, DISSE.

Pela declaração, o pastor foi exonerado do seu cargo à frente da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos pelo governador Luiz Fernando Pezão, além de ser processado pelo programa Rio Sem Homofobia. O juíz responsável pelo caso, Sandro Lucio Barbosa Pitassi, diz que a atitude do pastor é prejudicial.

“O conceito de direitos humanos, como se sabe, perpassa pela garantia fundamental e universal que visa a proteção de todos os indivíduos e extratos sociais, sem descriminação, face a ações ou missões que sequer tendam a abolir direitos ou possam macular a dignidade, honra e imagem dos indivíduos”, diz o juiz responsável pelo caso, Sandro Lucio Barbosa Pitassi.

Pitassi também diz que “é notória a violação e os prejuízos maiores no que se refere à imagem da população LGBTI+”, especialmente porque, na ocasião, ocupava um cargo político de  relevância para a sociedade.

O pastor também é fundador da igreja Projeto Vida Nova, ficando conhecido também por ser deputado estadual pelo RJ e propor o PL 4931/2016 que visa acabar com a punição do profissional de saúde mental para tratar o paciente com  “transtorno de orientação sexual”, que ficou conhecida como Cura Gay.

Na época, ele disse que a atuação visava “auxiliar mudança da orientação sexual, com o paciente deixando de ser homossexual para ser heterossexual, desde que corresponda ao seu desejo”. Desse modo, ele traria segurança jurídica aos “tratamentos”.

Pastor que comparou gays a câncer deverá indenizar LGBTQIA+ em R$ 100 mil
Reprodução

POR QUE CURA GAY PROPOSTA PELO PASTOR É PROIBIDA? 

Segundo o vídeo “Existe Cura Gay?“ do Nerdologia, existem muitas características nossas que queremos mudar e não necessariamente se tratam de doenças, citando que uma ruga na testa, por exemplo, dificilmente será considerada uma doença pela sociedade, mas a pessoa pode procurar um cirurgião plástico para aplicar botox e se livrar dela. Partindo dessa premissa, uma pessoa pode saber que homossexualidade não é doença e mesmo assim, por crenças e valores morais, ela queira sair daquela condição, já que isso é motivo de sofrimento. Ou seja, a pessoa sente atração sexual por pessoas do mesmo sexo, mas gostaria de desejar o sexo oposto.

Ignorando o fato daqueles que renunciam seu desejo sexual em prol de viver uma vida heteronormativa sob o argumento religioso de que “isso é o certo”, um estudo científico publicado em 2008 pela Ohio State University em parceria com a University of Minnessota, avaliou todas as tentativas de terapia publicadas nos últimos cinquenta anos, incluindo psicoterapia individual ou coletiva; tratamento eletroconvulsivo; indução de náusea ou vômito; hipnose e reorientação de orgasmo. Todas as tentativas falharam em reorientar o desejo sexual dos pacientes, causando aumento no número de depressões profundas, disfunções sociais, pensamentos suicidas e outros danos psicológicos.

O estudo também concluiu que essas tentativas não tinham fundamentação teórica, haviam sérias falhas metodológicas e violavam princípios éticos e direitos humanos. Já um outro estudo publicado na Professional Psychology: Research and Practice 33, fez uma entrevista com mais de 200 clientes que passaram pela terapia de reorientação sexual. Destes, apenas 26 declararam que a terapia era de alguma ajuda e só 9 disseram passar a desejar o sexo oposto.

No restante, os danos psicológicos foram os mesmos citados anteriormente. Os testes de hipótese apontam que, assim como os héteros não mudam sua orientação sexual pela presença de gays (ou seja, não há nada que faça a pessoa desejar o mesmo sexo), os homossexuais também não são convertidos em héteros.

A conclusão é de que não existe nenhum método que reoriente o desejo sexual de ninguém, já que a homossexualidade se trata de mais uma variação da natureza. Além disso, os gays que buscam ajuda por estarem sofrendo devido a sua condição, param de sofrer quando aceitam sua homossexualidade e não são mais perseguidos por aqueles que estão a sua volta. O que acaba com o sofrimento é a aceitação, não a reorientação.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".