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Pedagoga, artista e produtora cultural, Ruth Venceremos (PT), de 38 anos, concorre a deputada federal no Distrito Federal. Gay e drag queen, Ruth mora em São Sebastião (DF) e é mestre em Educação. Além disso, a candidata é co-fundadora do coletivo artístico Distrito Drag, que trabalha com a produção e difusão da cultura LGBT+.

Ruth Venceremos, candidata a deputada federal pelo PT do DF (Foto: Divulgação)

Motivada pela falta de representatividade no Congresso Nacional, Ruth resolveu disputar as eleições de 2022. “Quando olho para o plenário da Câmara dos Deputados, vejo que faltam ali parlamentares que representem o povo brasileiro. Faltam pessoas negras, LGBTs, pessoas que vieram da base da nossa pirâmide social, como a gente do MST, por exemplo”, comenta a drag queen.

“O Congresso Nacional precisa urgentemente reverter esse quadro. Precisa de pessoas do povo, e não apenas da elite. Porque somos nós, pessoas do povo, que vivemos na pele as dificuldades que nos são impostas, que devemos estar lá para criar e para aprovar leis e políticas públicas que atendam às reais necessidades do povo. A minha candidatura, vem para suprir essa necessidade, para representar as lutas do povo e a diversidade nos espaços de poder. Nada sobre nós sem nós, nunca mais!”, acrescenta Ruth.

De acordo com a candidata, sua atuação política sempre passou por questões amplas ao povo brasileiro, como a reforma agrária, a educação, o direito de existir. “Ao representar uma luta em função do povo, a comunidade LGBTQIA+ é uma parte fundamental. […] A minha luta é pela nossa necessidade de existir, de ser quem somos, de termos dignidade, segurança, trabalho, educação, acesso à saúde“, afirma Ruth, que é uma das entrevistadas no especial “Eleições 2022” do Gay Blog BR.

Ruth Venceremos (Foto: Divulgação)

Confira na íntegra a entrevista com Ruth Venceremos

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Ruth Venceremos: Sou pedagoga, formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Fui educadora de jovens e adultos em acampamentos do Movimento Sem Terra (MST) desde meus 13 anos de idade, e dirigi a Escola Nacional Florestan Fernandes, que é referência em formação pedagógica e política, fundada e mantida pelo MST. Sou artista drag e produtora cultural. Em 2017, quando eu já atuava como drag queen no Distrito Federal, fui co-fundadora do coletivo artístico Distrito Drag, que trabalha com a produção e difusão da cultura da comunidade LGBTQIA+, com a defesa dos direitos humanos, capacitação profissional e inclusão social de pessoas da nossa comunidade.

GB: O que motivou a se candidatar?

Ruth: Quando olho para o plenário da Câmara dos Deputados, vejo que faltam ali parlamentares que representem o povo brasileiro. Faltam pessoas negras, LGBTs, pessoas que vieram da base da nossa pirâmide social, como a gente do MST, por exemplo. O Congresso Nacional precisa urgentemente reverter esse quadro. Precisa de pessoas do povo, e não apenas da elite. Porque somos nós, pessoas do povo, que vivemos na pele as dificuldades que nos são impostas, que devemos estar lá para criar e para aprovar leis e políticas públicas que atendam às reais necessidades do povo. A minha candidatura, vem para suprir essa necessidade, para representar as lutas do povo e a diversidade nos espaços de poder. Nada sobre nós sem nós, nunca mais!

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidatura abertamente LGBT+?

Ruth: São desafios semelhantes aos que enfrentamos na sociedade, na família, no mercado de trabalho. Vivemos sob um governo LGBTfóbico, que não tem pudor em fazer o que pode para atacar a nossa comunidade. Então, o desafio em representar uma candidatura LGBTQIA+ é o desafio do enfrentamento. Este enfrentamento ao qual eu falo é para manter os direitos que já conquistamos e para conquistar direitos que precisamos para sobreviver, para ter a dignidade que nos foi historicamente roubada.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBT+?

Ruth: A minha atuação política sempre passou por questões amplas ao povo brasileiro, como a reforma agrária, a educação, o direito de existir. Ao representar uma luta em função do povo, a comunidade LGBTQIA+ é uma parte fundamental. Nós LGBTs compomos o povo brasileiro e precisamos ter as nossas vidas asseguradas. A minha luta é pela nossa necessidade de existir, de ser quem somos, de termos dignidade, segurança, trabalho, educação, acesso à saúde. Eu quero ver a nossa comunidade brilhando, com a possibilidade de que cada um possa exercer o seu melhor, numa sociedade diversa e livre.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Ruth: Precisamos criar políticas nacionais de combate à LGBTfobia e que elas sejam amplas no sentido de educar a população, de combater a desinformação sobre as nossas existências, de acolher juridicamente, economicamente e psicologicamente as vítimas de violência LGBTfóbica. Precisamos também fortalecer as políticas já existentes, e que atualmente estão enfraquecidas pelo atual governo, integrando serviços públicos de todas as áreas para potencializar as atuais e as novas políticas públicas que podemos criar e executar no Brasil.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Ruth: São questões de saúde pública que dialogam com os tempos de hoje e que carecem de mais informação a respeito. O Brasil é extremamente carente em educação sexual. Antes mesmo de falarmos sobre a PrEP, que é uma medida de combate ao HIV super necessária, temos que criar políticas mais efetivas e amplas de educação sexual para todas as faixas etárias. É necessário que as pessoas saibam como é viver com HIV diante dos tratamentos que temos hoje pelo SUS, que discuta o preconceito contra quem vive com HIV, que combata os estigmas que recaem sobre a comunidade LGBTQIA+, e que tratem de um modo maduro e laico sobre HIV, PrEP e outros métodos de prevenção e tratamentos.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Ruth: Vivemos o pior momento da nossa democracia. Temos um presidente genocida que comete crimes recorrentes. É absurdo viver num país onde o governo odeia pobres, mulheres, negros, LGBTs, indígenas, um governo que, declaradamente, odeia o povo. Bolsonaro é o pior presidente da história do Brasil, o pior presidente do mundo hoje. Nosso povo sofre a fome, o descaso, o caos da falta de governança. Nossa natureza sofre a destruição. Nosso país sobre por ter se transformado em vexame internacional. Temos na eleição deste ano a missão de tirar Bolsonaro do poder, para que ele seja julgado e que pague por seus crimes. Vamos colocar Bolsonaro no seu único lugar possível: a lata de lixo da História.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)