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Ana Fadigas é o nome responsável por um feito inédito que, atualmente, poderia parecer até uma ideia platônica. Fadigas fundou a G Magazine, onde conseguiu tirar a roupa de modelos, ex-BBBs, esportistas, atores e cantores da grande mídia para apreciação da comunidade gay no final dos anos 90 e 2000 a dentro. As personalidades faziam nu frontal – algumas vezes até mostravam ereção – para a publicação que tinha uma tiragem mensal em torno de 20 mil exemplares.

Inicialmente sob o nome de Bananaloca, a G Magazine ia além dos corpos despidos, era sinônimo também de ativismo, com pautas comportamentais e colunistas importantes que colaboraram ao longo de anos. Foram 176 edições que deixaram saudades.

A G Magazine chegou a circular por mais de quinze anos e, segundo o IVC (Instituto Verificador de Circulação), chegou a vender 180.000 exemplares por mês, o que representa mais da metade da tiragem média da Playboy na época, que era de 240 mil.

Em entrevista ao GAY BLOG BR, Ana Fadigas recorda alguns pontos da trajetória da revista de maior sucesso já feita para o público gay no Brasil:

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Reprodução: Ana Fadigas

Na revista Bananaloca, antecessora da G Magazine, você tinha dois sócios, dentre eles, o apresentador Otávio Mesquita. Por que eles saíram do projeto logo que ele começou? Eles não acreditaram no potencial de mercado?

Sim, a Bananaloca foi o grande ensaio para entrar nesse mercado. Dois jornalistas, que não usavam seus nomes reais, tinham a propriedade do site Bananaloca e, numa parceria com eles, fizemos acho que cinco edições. Por motivos de divergência de caminhos a tomar, deixamos Bananaloca de lado e veio a G Magazine. Na Fractal Edições, nossa editora, éramos três sócios: Ângelo Rossi, Otávio Mesquita e eu. Seguimos os três com a revista Sexy (primeira revista da editora), bem depois Otávio saiu da sociedade, mas trabalhou muito a marca e segmento antes disso. Ângelo Rossi também saiu anos depois levando a Revista Sexy para sua editora, a Peixes, uma nova editora na época. Fiquei eu com a Fractal e a G Magazine.

A G Magazine teve 176 edições, qual a sua favorita?

Impossível escolher um edição como favorita! De verdade. A cada edição me apaixonava pelo projeto.

E a que menos você gostou?

Talvez tenham algumas que não tenha gostado tanto. Mas acho que quando o modelo de capa “só” posava pelo cachê me incomodava um pouco. Mas não seria capaz de citá-las (risos).

A G Magazine do Alexandre Frota foi a que vendeu mais?

Frota fez quatro edições da G, se não me engano, todas foram muito bem de vendas. Penso que foi nosso parceiro também na divulgação de suas edições. Sempre se empenhou para que fossem bons trabalhos.

A publicação durou de 1997 a 2013, qual foi o ano mais rentável da revista?

Eu só  considero a revista G Magazine até a edição 120, marcando os 10 anos da revista. Até aí eu assinei a revista. A editora que comprou a G Magazine, comprou com a intenção de ganhar dinheiro com a marca. Mas, além disso, não tiverem respeito ao projeto original da G Magazine, que era ter um  jornalismo de primeira qualidade juntamente com a nudez, e, sem seguir caminho nenhum, a revista foi chegando ao fim. Tanto a edição impressa como a virtual. 

A vida financeira da G Magazine teve altos e baixos. Nos primeiros anos investimos muito em estrutura física da revista, cachês, colunistas e afins. Reinvestíamos, normalmente. Em toda sua existência, a G Magazine teve seus períodos de vigor financeiro. Até muitas vezes mais com o portal na UOL. Por exemplo, as capas com jogadores de futebol. Participantes do BBB, atores de novelas e assim por diante. Tiveram ótimas vendas. Meu sonho seria que a nova editora investisse em um novo caminho, talvez, pois eu já não tinha mais fôlego para investir.

Quem você gostaria de ter visto na capa da G Magazine?

Na época eu gostaria muito de ter visto Reynaldo Gianecchini.

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Reprodução

E o que achou do ensaio do Roger, do Ultraje a Rigor?

Não gostei. Sem alma.

As publicações e jornais estão passando por uma grande crise, você acredita que a mídia impressa está com os dias contados?

A mídia impressa já contou seus dias! Restam alguns jornais e poucas revistas que muito em breve se tornarão obsoletos. Talvez no papel, tenhamos somente veículos muito segmentados. A própria G já estava totalmente inserida no mundo virtual. Era o futuro esperado desde lá.

Você trabalhou durante décadas na Editora Abril como editora, passando por várias publicações, do que você tem mais saudades da época em que a revista tinha bastante destaque?

Nós, os amantes de revistas ou veículos impressos, temos saudades de tudo (risos). E eu respirei revista por quatro décadas mais ou menos. Amava o cheiro da tinta no papel e outras saudosas sensações. Me recordo com alegria meus oito anos à frente da Revista Contigo, quando ela batia recordes de vendas em banca. Revista semanal era apaixonante.

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Reprodução: Ana Fadigas

Mudando um pouco de assunto, qual a sua opinião sobre o governo atual?

Uau! Vamos falar do inominável agora? O Brasil caiu num engodo de onde não sabemos como sair. Desmontam o país sem pensar no dia de amanhã. Futuro zero com esse governo. Mas como sou, e sempre fui de esquerda penso que dias melhores virão. Talvez a esquerda precisasse dessa tomada de consciência brutal.

E atualmente, nos tempos de isolamento social, o que tem feito?

Demorei uns dez anos para me recuperar da venda da Editora. Ver a G Magazine acabar, o terceiro casamento também chegar ao fim, o mercado diminuir fortemente em minha área, sem conseguir enxergar bem o futuro… Fui tratar da depressão. Me dediquei muito (risos). Hoje, avó de quatro netos homens, dois adolescentes e dois garotões, vivo meio dividida entre esses amores, a pandemia, e a militância dentro dos parâmetros de minha idade. Acompanho bem esse cenário. E ainda sonho em catar os pedaços dessa história e deixar contada de alguma forma.

Para acompanhar Ana Fadigas no Instagram.

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“Bananaloca”, a publicação que deu origem à revista G Magazine

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