Maikon Balbino (30) passou metade de sua vida indo à igreja regularmente com a sua família. Ainda criança ele notou que era diferente dos outros meninos, mas desde muito jovem havia aprendido que ser homossexual era um pecado. Mentiu para si mesmo (e para os outros) a respeito da sua sexualidade e seguiu, por algum tempo, tendo relacionamentos com mulheres.

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Aos 22 anos, após contar para o pastor sobre sua orientação sexual, Balbino sofreu uma espécie de boicote nas atividades que exercia na igreja – paralelamente aos olhares de reprovação das pessoas nos cultos. Foi quando decidiu deixar a igreja e escolheu ser quem realmente ele é.

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Você vivenciou um conflito interno entre a sexualidade e a fé na sua religião, algo como ‘será que vou para o inferno?’, ‘sou pecador’?

Sim, sempre tive esse medo. Medo de decepcionar a minha família, amigos, pessoas que admiravam o meu trabalho na época e, principalmente, medo de perder a minha salvação. Os conflitos eram a maior parte dos meus problemas. 

E você há anos frequentava a igreja como cantor gospel?

Sim, sempre cantei desde criança. Quando tinha dois anos de idade fui desenganado pelos médicos devido um problema no pulmão. Deus fez um milagre e me curou. E sempre usei o pulmão que Ele me deu para louvá-lo. Na adolescência na época da igreja tradicional Assembleia de Deus, lancei dois CDs: Leva-me, em 2007, e Quero te ver quero te tocar, em 2009. Tinha mais três CDs programados para lançar antes de sair da igreja.

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Você chegou a ficar noivo de uma mulher, certo?

Sim, passei por aproximadamente três relacionamentos sérios e longos, admirei muito as meninas com as quais me relacionei na época. Mas hoje sei que no fundo estava tentando me enganar.

Você contou para o pastor da sua igreja na época que era gay, qual foi a reação dele naquele momento? Quantos anos você tinha?

Isso aconteceu entre 2010 e 2011, eu tinha aproximadamente 22 anos. Quando falei, ele aparentemente ficou surpreso, mas me orientou a buscar a Deus, pois segundo o que ele acreditava esses sentimentos não eram algo de Deus. 

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Como você reagiu quando foi desligado da Igreja?

Não fui desligado de imediato, mas pressionado a sair. Assim que falei ao pastor, automaticamente ele me tirou da liderança e do grupo de jovens que eu fazia parte da igreja. E também me proibiu de tomar a Santa Ceia, que era um culto mensal que tinha a ideia de unidade e comunhão. E como os meus pensamentos não eram como o de todos, eu não poderia participar, só assistir… fiquei assim por uns dois ou três meses, mas os olhares e comentários automaticamente me fizeram sair.

E a sua família como reagiu quando você contou para eles?

Um pouco antes de me assumir, a minha mãe já separada do meu pai, começou um relacionamento com outra mulher, hoje já estão juntas há mais de 10 anos. Fiquei inconformado, pois não me aceitava e quem dirá aceitar a minha mãe (risos). Mas com o tempo vi como ela estava bem, livre e feliz. Então com a minha mãe foi mais fácil de conversar. Sempre tive um receio maior com o meu irmão mais velho, que sempre demonstrou não gostar da diversidade, mas quando falei me respeitou. Com o meu pai não foi fácil pois ele disse que preferia morrer do que ver isso. Com o tempo ele viu que o filho dele era o mesmo e ser gay não mudaria nada, hoje sinto o amor e a preocupação dele por mim.

Algum tempo depois você encontrou uma igreja que te acolheu sem criticar a sua orientação sexual.

Sim, entre 2011 e 2012 comecei a frequentar a igreja Cidade de Refúgio, uma igreja inclusiva e pluralista que recebe a todos. Lá me reencontrei e tive forças para retomar o meu ministério e carreira como cantor. 

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Você criou um projeto musical chamado Resplandecer.

Sim, o projeto Resplandecer é o meu 3° projeto desde a minha volta. Em 2015 lancei o CD Inovação e em 2017 o CD Sonhos. Em 2019 lancei nas plataformas digitais o EP Resplandecer, fiz dois clipes. E dos três, tem sido o projeto que mais divulguei. Em junho deste ano, lancei uma canção romântica chamada Você chegou, uma música que fiz para uma pessoa importante pra mim e que lancei em comemoração ao Dia dos Namorados.  Tem sido um grande sucesso também com mais de 40k execuções no Spotify

E gravou uma música com a Léo Áquilla que atingiu mais de 30 mil execuções nas plataformas. 

A Léo é uma grande amiga e parceira, estamos devendo um clipe para essa canção que representa tanto para nós. A minha amizade com ela vai muito além da canção Estou Aqui. Nos falamos quase todos os dias por Whatsapp e somos dois fãs de música no geral, então haja assunto (risos).

Para acompanhar o cantor no Instagram: @maikonbalbino

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