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Em uma entrevista ao podcast do Gay Blog BR, Daniel Kehl, diretor-executivo da TODXS, uma organização não governamental (ONG) focada no empoderamento de pessoas LGBTQIA+, compartilhou sobre sua carreira e o impacto de seus trabalhos na comunidade.

Daniel, que é gaúcho e tem 36 anos, mudou-se para São Paulo há cerca de seis anos em busca de uma transição de carreira do setor corporativo para o social, impulsionado por uma crise existencial sobre seu papel e contribuição para a sociedade.

Daniel Kehl - Divulgação
Daniel Kehl – Divulgação

Daniel explicou que a TODXS atua em três frentes principais: programas sociais, pesquisa e consultoria. Os programas sociais buscam formar lideranças dentro da comunidade LGBTQIA+, visando não apenas o autoconhecimento e empoderamento desses indivíduos, mas também a sua inserção no mercado de trabalho por meio do empreendedorismo ou empregabilidade. A pesquisa ajuda a fundamentar as ações da ONG com dados concretos, enquanto a consultoria busca integrar práticas de diversidade e inclusão em empresas públicas e privadas.

Um dos projetos destacados por Daniel durante conversa com o gestor cultural Maurício Kino foi o “Embaixadorxs“, iniciado em 2017, que foca na formação de lideranças jovens LGBTQIA+. O programa começou em São Paulo mas se expandiu para o formato online durante a pandemia, alcançando um número maior de participantes de várias regiões do Brasil. A formação oferece uma “explosão de informações” para os participantes, que posteriormente são ajudados a encontrar seus caminhos e potenciais, seja no ativismo, no empreendedorismo ou no mercado tradicional.

Daniel também citou exemplos de sucesso como o Ateliê TRANSmoras, em Campinas, que começou como um projeto dentro dos programas de aceleração da ONG e hoje é uma referência em moda para pessoas trans e travestis. Outro projeto mencionado foi a formação de pilotas de drones no Maranhão, voltado especialmente para pessoas trans e travestis.

Questionado sobre os projetos que mais o emocionaram recentemente, Daniel falou sobre o curso de pilotagem de drones que, além de formar profissionais, também apoiou a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho. Ele destacou a importância de romper as barreiras geográficas e sociais para alcançar e empoderar mais pessoas dentro da comunidade LGBTQIA+.

Ouça na íntegra:

Confira trechos da entrevista

Sobre a TODXS, o que é a organização e quais são as atividades e projetos que vocês realizam?

  • A nossa grande missão, de fato, é transformar o Brasil num país mais diverso e mais inclusivo. E para isso, a gente atua em três grandes frentes, três grandes pilares que a gente gosta de pontuar bem. Através de nossos programas sociais, nossos projetos sociais em prol da comunidade LGBT, que é desde a formação de lideranças LGBTs. Então, a gente entende que é importante esse lugar de se autodefinir como uma pessoa LGBT, tornar-se uma pessoa cidadã LGBT, entender seus direitos, seus deveres como uma pessoa LGBT. E o que eu faço com isso? Quais são os caminhos possíveis que eu posso usar essa potência de ser uma pessoa LGBT na sociedade? E depois que a gente forma essas pessoas, essas lideranças, a gente dá continuidade na nossa jornada através de dois programas: ou empreendedorismo ou empregabilidade. Muito entendendo que empoderamento econômico é fundamental para nossa comunidade. A gente cada vez mais acredita que quando a gente se empodera economicamente, nós, pessoas LGBTs, a nossa identidade enquanto pessoas LGBTs começa a ser formada mais potencializada. Então, empoderando-me economicamente através do empreendedorismo ou da empregabilidade, do emprego formal, a gente se torna a potência LGBT que a gente busca. Então, o viés dos nossos programas sociais são esses. O outro pilar é pesquisa. Como a gente começa a consolidar números e fazer pesquisas em prol da nossa comunidade? Hoje, a gente ainda não tem políticas públicas de pesquisa exclusivas ou que atendam à nossa comunidade LGBT. Então, a TODXS, junto com outras organizações, também começa a puxar essa pauta para nós. Então, contra números não há tantos argumentos, né? A gente traz essas pautas de fomentar pesquisas em prol da comunidade LGBT. E o outro pilar é a consultoria. Como a gente vai levar a diversidade e inclusão para dentro das empresas, tanto públicas ou privadas, mas que realmente estejam mudando a cultura para atrair e reter mais talentos diversos? Daí, quando a gente fala da consultoria, não é só sobre comunidade LGBT, mas pega todos os pilares do guarda-chuva da diversidade e inclusão. Principalmente aqui no Brasil, pautas como raça, gênero, interseccionalidade LGBT, pessoas com deficiência e outras demandas que o mercado corporativo vem trazendo. A nossa estrutura de impacto é baseada nesses três pilares.

Dentre todos os projetos que vocês realizam, ‘Impacto’, ‘Fundo’, ‘Respeita a Minha Identidade’ e ‘Empregabilidade’, gostaria que você explicasse um em específico, que é o de ‘Embaixadorxs’ e a importância de se formar líderes e lideranças.

  • O ‘Embaixadorxs’ foi o nosso primeiro grande projeto. A TODXS começou oficialmente em 2017 e, desde então, a gente entendeu que precisava formar lideranças, formar realmente as pessoas que vão, nas próximas gerações, liderar [não apenas] o movimento LGBT, mas também liderar a sociedade como um todo. E a gente entendeu que isso é muito potente, principalmente para a juventude LGBT se entender nesses espaços, entender-se nesses lugares e realmente que esses lugares transformem a potência que elas são. O Embaixadores começou lá em 2017, com uma turma de 20 pessoas e hoje a gente está em uma turma de 870 pessoas. Começou presencial, aqui em São Paulo e hoje, desde a pandemia, conseguimos transformar a nossa metodologia para ela ser 100% on-line. E, para isso, a gente ganhou principalmente em números de escala – de 20 para 800 pessoas. Mas também, o que é mais importante para nós, conseguimos ter outras pessoas em todo o Brasil, todo o território brasileiro. É um programa de formação, de liderança e cidadania. O que a gente gosta de falar é que a gente pega as pessoas, explode a cabeça delas com muitas informações e muitas alternativas, para depois a gente estar: “Agora, vamos aterrar, vamos assentar, vamos ver quais alternativas possíveis”. Mas principalmente, qual o perfil dessa pessoa, qual o perfil dessa liderança que a gente está formando? É um perfil mais ativista? É um perfil mais empreendedor? É um perfil mais mercado tradicional? A gente começa a entender depois que a gente dá essa explosão de informação, de alternativas, de cunho político, de ser uma pessoa LGBT. Como é que a gente vai aterrar esse conhecimento, essa potência, essa energia que a gente atrai nas pessoas que estão passando? Então, o ‘Embaixadorxs’ é o nosso grande programa, que a gente consegue ter mais capilaridade.

Sobre os casos de sucesso da organização, dois projetos chamam muita atenção, que é o Ateliê TRANSmoras, de Campinas, no Estado de São Paulo, que trata de arte, cultura e moda e voltado à comunidade trans e parcerias com propósito que tem essa capilaridade em todo o país. Qual é o real impacto e qual a definição de sucesso utilizados nestes casos?

  • Sim, é muito importante para nós. Acho gratificante e valida muito nosso trabalho quando a gente começa a elencar alguns casos de sucesso dentro desses seis ou sete anos dos nossos programas. Principalmente no ano passado, a gente elencou o Ateliê TRANSmoras, que começou com uma ideia ainda muito no começo dentro dos nossos programas de aceleração de negócios e de projetos, e hoje se transformou em uma potência na moda de pessoas trans e travestis. A gente dá esse apoio para os projetos. Ou as pessoas chegam com zero ideias e a gente tenta ajudar essas pessoas a colocar no papel e depois tirar do papel, ou as pessoas já chegam com a ideia ou com alguns projetos rodando e a gente [pensa]: “Tá, vamos respirar, vamos entender, vamos colocar algumas metodologias aí para que isso faça sentido no papel, ganhe o processo para que, quando crescer, e a gente está aqui para te ajudar a crescer, isso seja de uma forma ordenada”. E cada vez mais a gente começa a entender que quando a gente fala de empreendedorismo, é um rótulo que a gente entende ser um rótulo, é um rótulo muito sudestino, um rótulo muito empresarial, corporativo, para realidades de sobrevivência, muito da população LGBT. Essa população LGBT, que entra em ciclos de violência, tanto no trabalho quanto na sociedade, enxerga o empreendedorismo como uma forma de sobrevivência, principalmente a trazer esses vocabulários, que é onde circula aqui, para que essa pessoa se empodere e comece a bater na porta das pessoas com um lugar de investimento. “Está aqui meu projeto, invista nesse projeto”. É muito importante a gente começar a solidificar isso através de metodologia. Essa trilha realmente começou há uns três anos e ela vem em uma evolução, em um expoente, que a gente começa a ter esses indicadores. O indicador mais básico de quanto o caixa de indicadores de sucesso de projeto, mas também o quanto o projeto está impactando na vida de outras pessoas. Indicadores diretos e indiretos. Isso está tudo na nossa metodologia e a gente tem como acompanhar também esses projetos que começam na TODXS e vão para o mundo, mas a gente tenta sempre estar perto para entender o que a gente pode contribuir mais e, principalmente, criar uma rede de apoio, tanto entre as pessoas que criam. É muito potente essa rede de apoio entre as pessoas que participaram, mas como a gente, como profissionais ali dentro da TODXS, a gente consegue potencializar.

Quais são os maiores desafios para se desenvolver e implementar todas essas iniciativas dentro de uma comunidade tão diversa, com suas interseccionalidades e em um país como o Brasil?

  • Um dos nossos grandes desafios, primeiro, é a gente ganhar escala sem perder, sem perder profundidade. Isso é muito importante para nós, porque muitas das pessoas que a gente impacta são pessoas de vulnerabilidade alta. E como a gente vai impactar mais pessoas de mais localidades do Brasil de uma forma on-line, sem perder essa profundidade que a gente quer. É uma discussão e uma linha tênue: quanto mais a gente pode ampliar os projetos que a gente tem sem perder realmente o nosso conceito? A gente pega muitas pessoas pela mão que passam pelos nossos programas. E é uma relação muito próxima de acolhimento e de afeto que a gente tem mesmo com essas 800 pessoas que estão passando pela primeira fase do ‘Embaixadorxs’. Esse é um dos nossos desafios que a gente tem pela frente. Tem o desafio financeiro também. Apesar de o ano passado ter sido muito bom, a gente tem um histórico muito feliz por ser uma ONG dentro do universo de ONGs aqui no Brasil e a gente não pode se queixar, mas ainda tem uma instabilidade dentro desses processos. [Por isso] a gente não consegue fazer uma gestão tão a longo prazo – os nossos planejamentos são anuais. A gente não consegue ter tanto planejamento porque, realmente, é uma instabilidade, mas ainda a gente precisa atingir mais. Como a gente consegue realmente trabalhar com o Brasil todo? Esse é o nosso objetivo. E, principalmente, agora a gente já está vislumbrando a América Latina como um todo. A comunidade LGBT, na América Latina. A gente começa a entender que a gente pode começar a trabalhar também [com ela].

Daniel, a gente sabe que os números tão expressivos de investimento são importante porque são de impacto. Mas você também não acha que cria uma ilusão de que todos os problemas são resolvidos e que, na verdade, o buraco é muito mais embaixo?

  • É uma discussão que a gente sempre traz. O que é crescimento para nós, o que está na base do nosso crescimento? É fomentando mais negócios, é impactando mais gente, é aumentando o nosso fundo? O que a gente faz para nossa comunidade LGBT, aumentando nossa equipe? O que é o crescimento para nós? É uma pergunta difícil de responder porque em um lado a gente entende que cada vez mais, como um todo, a gente consegue consolidar o nosso modelo de impacto, o modelo de negócio, a nossa sustentabilidade. Ano após ano, a gente começa a ter um crescimento. Mas, por outro lado, a gente entende que a comunidade LGBT e, principalmente, quando a gente olha para a interseccionalidade, tem muito trabalho ainda para ser feito. É um lugar muito de base e a gente não consegue alcançar com os nossos projetos esse lugar de base, de atendimento de base. Tem outras ONGs que conseguem, mas a gente não consegue. Muito pelo recorte de que precisa ter acesso à internet, e acesso à internet hoje, no Brasil, banda larga, só 10% da população tem. Quando a gente olha para os recortes sociais e econômicos é menos ainda. Sim, de um lado a gente está conseguindo consolidar o nome da TODXS de todos os nossos projetos, mas, por outro lado, a gente tem uma realidade que ainda não está sendo mudada. É muito interessante, nesse momento que a gente está chegando, no mês do orgulho, parece que as pautas são sempre as mesmas. Faz seis anos que estou na TODXS, parece que as pautas, os números são os mesmos. Então, para que lado a gente está indo? Para que perspectiva a gente está olhando? É claro que a gente ganhou muito direito nesses anos todos. Acho que lá no começo da ONG, ela começou com uma pauta, com uma situação de LGBTfobia. Então um grupo de pessoas amigas começou: ‘Não, vamos entender como é que a gente pode criar uma rede para divulgar quais são as leis que nos protegem’. Mas enfim, lá em 2019, a lei de homofobia foi aprovada. A gente tem uma lei que nos protege, então que passo que a gente está dando para frente? Quantos passos a gente está dando para trás? E é uma resposta que eu, realmente, não tenho, porque a gente olha para os números da TODXS, a gente está indo num crescimento legal, a gente está impactando, mas olhando da porta para fora, ver que a realidade na nossa comunidade é totalmente diferente e a gente começa a dar uns passos muito para trás.

O consultor de comunicação e de responsabilidade social Jeff Ares, que foi entrevistado recentemente no podcast do Gay Blog BR, deixou uma pergunta para você. “Eu acompanho o trabalho da ONG há algum tempo já e tenho vontade de me conectar mais profundamente. Daniel, parabéns por esse trabalho fundamental para nossa comunidade, essa ampla comunidade que precisa tanto de apoio. Eu queria saber de você qual é o mais recente projeto que te emocionou e por quê? O que, pessoalmente, te trouxe mais satisfação e o motivo dessa dessa emoção? Porque eu entendo que tudo parte desse lugar. Quero te ouvir. Muito obrigado e parabéns“.

  • Obrigado pela pergunta, Jeff. Tem um projeto que a gente está rodando ainda, está na segunda fase do projeto, que a gente começou a estudar já uns seis meses para fazer esse projeto. Ele chegou muito com uma demanda de uma empresa parceira nossa. Chegou com a ideia que, no primeiro momento, parecia absurda, mas que está dando muito certo. A gente tem uma demanda aqui no Maranhão, então uma das unidades dessa empresa [fica] em São Luís do Maranhão, [que é uma demanda] de pessoas pilotas de drones. Para usarmos aqui internamente, dentro da empresa, uma indústria. Mas também a gente entende que é uma das profissões do futuro. Pilotagem de drone, tanto comercial quanto de entretenimento. Enfim, a gente cada vez mais está entendendo que drones para todos os fins são possíveis. Mas a gente queria fazer um projeto social através disso. A gente tem uma verba e a gente queria muito que fosse de pessoas trans e travestis. A primeira vez que recebemos essa proposta e entendendo e articulando junto com a empresa, falamos: “Ah, diferente, É muito específico”. Então pessoas trans e travestis do Maranhão, que tinham alguns recortes que eram importante para o projeto como um todo, passaram por um treinamento. Vinte pessoas passarem por um treinamento de pilotagem de drones [para] depois dele, saírem como pessoas capacitadas para pilotar um drone. Na segunda fase, estamos fazendo todo um acompanhamento de empregabilidade dessas 20 pessoas. Mesmo com todos esses desafios de recortes e de local, quando a gente passou por um processo de entrevista, conseguimos 62 pessoas trans e travestis da região de São Luís do Maranhão [para 20 vagas], que se inscreveram conosco. A gente faz um processo de entrevista muito para ver qual é a sintonia dessa pauta com essas pessoas. São Luís do Maranhão, com essa potência enorme de pessoas pilotando drones, que é uma profissão do futuro e depois saindo com uma jornada de empregabilidade. É uma coisa que nos emocionou muito. Muito por entender que a gente conseguiu furar a nossa bolha sudeste. Isso é muito importante. Então a gente deu um check estratégico. A gente consegue chegar em muitas outras regiões que a gente quer queira chegar articulando com outras associações, outros agrupamentos de pessoas LGBTs. Temos realmente a certeza que a gente tem muitas potências LGBTs espalhadas por todo o Brasil, e ali a gente teve o recorte de pessoas trans, travestis e não binárias e de fato, que a gente vai conseguir ter uma uma jornada de início, meio e fim. A gente potencializou essas pessoas na formação de drone. Claro que não somos especialistas na pilotagem, então trouxemos pessoas especialistas para ensinar essas pessoas a pilotar drones durante dois dias. Mas depois, a gente começou uma jornada online, que começou mês passado, para realmente trilhar o caminho do empreendedorismo e a empregabilidade dessas pessoas. “Ah, então eu sou uma pilota de drone, por exemplo, eu vou poder fornecer esse serviço para outras empresas, para casamentos, para entretenimento”, ou não “Eu quero me empregar dentro dessa rede, dessa empresa, de outras indústrias que estão, cada vez mais, solicitando esses serviços”. E conversar com essas pessoas, ver a potência dessas pessoas e ver essas trocas… A gente enxerga as pessoas [com quem] a gente atua. Contribui muito com uma troca [que] é muito potente. Mesmo as pessoas vindo de situações sociais muito diferentes, sempre quando a gente para para conversar é uma troca muito incrível que é cíclica, a gente vai trocando e vai entendendo essas potências e dando possibilidades para essas potências.

Tem algum caso que te chama a atenção que a pessoa impactada… Claro, acho que todas ficam super agradecidas porque vocês trazem essa possibilidade de esperança, perspectiva de vida. Porque é isso: empregabilidade e toda a rede que se constrói a partir dessas formações e atividades. Tem alguém em específico que te fala assim: “Nossa, eu sei que mudou”?

  • Tem sim. Particularmente, nesses anos em que estou na TODXS. Há três anos, fizemos um projeto piloto que hoje é um programa consolidado, um fundo de empreendedorismo para pessoas trans e travestis e era um piloto mesmo. A gente conseguiu vender esse projeto para uma empresa que patrocinou e a gente queria realmente pilotar esse programa exclusivo, específico para pessoas trans e travestis. E eu, naquela época não trabalhava diretamente com os projetos sociais da ONG. Eu era focado muito nos projetos de consultoria, que eram as consultorias de diversidade e inclusão, e ficava um pouco afastado dos projetos realmente de impacto. E esse projeto veio para mim, muito por questão de tempo e realocação de recursos humanos ali dentro da TODXS. Esse projeto veio para mim, que foi: “Tá, tu tem isso. ‘Bora’ fazer”. E dentro dessa trajetória passou pela nossa jornada a empreendedora Bruna, que é de Brasília. Ela é uma mulher trans de 44 anos – na época ela tinha, há três anos – e ela tinha seu emprego formal, mas aos finais de semana fazia feijoadas para vender pelo bairro, pelo iFood. E justamente ela queria capacitar esse negócio dela, porque ela tinha um sonho de ser mãe. Fico até um pouco emocionado, porque a Bruna me atravessou muito. A gente conseguiu estruturar melhor a feijoadaria dela, então de passar a ter uma estrutura melhor, a gente tem aporte financeiro em todos os nossos projetos. Então esse aporte financeiro é um “fundo perdido”, que a gente fala. Mas não necessariamente ele precisa ser exclusivamente para o negócio, porque a gente sabe a realidade, principalmente de pessoas trans e travestis. “Primeiro eu preciso pagar uma conta de uma luz; primeiro eu preciso comer; primeiro eu preciso pagar o aluguel para depois investir no meu negócio. Então a gente entende que esse fundo é para isso. Ela tinha o seu emprego e usou 100% da primeira parcela para otimizar a cozinha dela, que era uma cozinha de casa, para ter mais volume. E das dez que ela fazia, começou a ter dez entregas, então ela começou a ampliar. No final desse projeto, ela já tinha o dinheiro suficiente para entrar com a papelada para a adoção. E eu acho que isso, para mim, fez-me reencantar com o impacto que a gente faz, porque é muito potente esse empoderamento econômico para nossa comunidade LGBTs. É claro que, no dia a dia, a gente é atropelado por muitas coisas, principalmente agora, no lugar de gestão, [que] eu fico olhando para outras coisas mais concretas. Quando eu fui atravessado por esse projeto, atravessado pela Bruna, eu vi: “Poxa, é esse lugar que eu quero primeiro usar meus privilégios de ser quem eu sou, da onde eu venho, do lugar que eu ocupo para potencializar essas pessoas. Para dar o que essas pessoas precisam para ser potentes”.

Como as pessoas podem contatar a TODXS, participar e saber mais sobre os projetos?

  • Nosso principal meio de comunicação são as nossas redes sociais. No Instagram é @todxsbrasil. No LinkedIn estamos cada vez mais ativos, temos a nossa página ali onde conversamos muito mais com um lugar corporativo. Então, desde pautas de diversidade, equidade, inclusão, mas também sobre impacto social, como empresas podem unir essas duas forças. E ali, através das nossas redes sociais, eu acho que compartilhando conteúdo, compartilhando vozes e dando perspectivas e holofotes dentro da sua rede social, você já está contribuindo muito. E é uma coisa que eu desafio todo mundo que eu converso e falo e troco. Acho que é um espaço muito importante para isso quando estamos falando de diversidade, de inclusão e, principalmente, a pauta LGBT. Acho que hoje as redes sociais têm um lugar muito no nosso dia a dia de consumir conteúdos. Então, eu desafio todo mundo a olhar para sua timeline e se perguntar: Quantos conteúdos de pessoas pretas estou consumindo, quantos conteúdos de pessoas trans e travestis estou consumindo, quantos conteúdos de pessoas LGBTs em geral estou consumindo? Isso é muito importante porque a gente entende que está potencializando a voz dessas pessoas, o conteúdo dessas pessoas. Dar like, compartilhar é muito importante e é uma coisa simples que a gente pode fazer. Mas também a gente começa a ter acesso a narrativas diferentes, a realidades diferentes. E existem pessoas LGBTs com conteúdos de todas as pautas possíveis, de RH, de finanças, engenharia, arquitetura ou até também o ativismo. Mas consuma pessoas LGBTs, tanto conteúdo, mas também faça a economia girar em prol da comunidade LGBTs.

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