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Fábio Arruda (51) é considerado um dos mais populares consultores de “etiqueta” do Brasil. Na televisão, além de ter participado de duas edições de “A Fazenda”, esteve em quase todos os programas vespertinos de TV falando sobre tópicos relacionados a comportamento, modos e sofisticação.

Comunicativo, Arruda conversou com a redação do GAY BLOG BR sobre os mais diversos assuntos, de reality show rural a personalidades conhecidas, como Clodovil, no qual ele teve um contato próximo durante um longo período.

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Fábio Arruda – Crédito: Reprodução
  • Sendo um consultor de etiqueta do Brasil, o que o Fábio considera abominável em se tratando de ?

Fábio Arruda: O preconceito, para mim, é o mais abominável de todos os defeitos do ser humano, seja ele em que âmbito for; mas a falta de generosidade, gratidão e o exercício de compreensão do outro, para mim são essenciais para uma pessoa elegante. Então, eu abomino não a falta da sofisticação – ela você pode adquirir, você não é obrigado a nascer sabendo – mas eu abomino a falta da gentileza estimulada, que isso independe de classe social e nem de formação.

  • O povo brasileiro, de modo geral, sabe se portar à mesa?

Fábio Arruda: O povo brasileiro é desprovido de tanta coisa. Se a gente parar pra pensar que o povo brasileiro é tão privado da cultura, da informação… Mas a essência generosa do brasileiro, essa coisa do brasileiro de ser acolhedor, de ser simpático, consegue deixar tudo tão mais especial, que aí eu acho que toda essa parte da etiqueta, mesa e tudo isso, é um item tão a mais que pode ser acrescentado, que fique como um bom acessório.

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Fábio Arruda – Crédito: Reprodução
  • Algumas pessoas que atuam com etiqueta, muitas vezes, ficam com a fama de serem soberbas, metidas…

Fábio Arruda: As pessoas que acreditam que quem trabalha com etiqueta e comportamento é metido, esnobe, ou “s’en noblesse”, é muito boba e é muito preconceituosa. Toda forma de preconceito é boba. Não preestabeleça nenhuma definição sobre as pessoas em função do que elas fazem, ou do que elas tem como rotina de vida, porque aí a gente está enxergando um mundo muito limitado, um mundo muito distante do que ele pode ser.

  • Você já namorou ou namoraria alguém que não tivesse o básico de educação?

Fábio Arruda: Nunca namorei e nem namoraria alguém que tivesse uma educação muito diferente da minha, porque não adianta. Pássaros de mesma plumagem voam juntos. Para mim, seria muito difícil. Não precisa ter uma origem sofisticada, não precisa ter dinheiro, não é nada disso. Mas para mim, se não tiver educação, se comer feio… nunca me aconteceu, mas que no mínimo tivesse a predisposição de aprender já seria meio caminho andado. E, as pessoas que querem aprender são capazes de tudo. Agora, a pessoa que não sabe, não quer aprender, e não quer se aprimorar – não conseguiria de jeito nenhum.

  • Você participou da primeira edição de “A Fazenda” (2009) e, anos depois, retornou em “A Fazenda: Nova Chance” (2017), valeu a pena? Arrependimentos?

Fábio Arruda: Sim, participei da primeira edição de ‘A Fazenda’. Foi uma coisa absolutamente inovadora e, na época, nós, inclusive, batemos a audiência da Globo, do ‘Fantástico’. Foi uma coisa muito legal. E a ‘Nova Chance’, quando eu voltei, a proposta foi tentadora. Na primeira ainda havia a curiosidade, na seguinte, quando eu participei, foi um trabalho. Eu pedi uma remuneração muito boa, e fui remunerado dessa maneira. Então eu vou dizer para vocês: arrependimento? Eu não tenho arrependimento de nada na vida. Talvez muitas coisas eu não fizesse novamente, mas eu não me arrependo do que eu fiz, porque eu era uma pessoa naquele momento e nós evoluímos ao longo da vida, graças a Deus. Então, arrependimentos não, escolhas talvez diferentes.

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Crédito: Reprodução
  • De ambas edições, quem era o participante mais educado e o mais mal-educado?

Fábio Arruda: Nas duas edições eu acho que tinham pessoas especiais, cada um a sua maneira. Acho que ninguém primava pela sofisticação, nada disso, mas tinha uma elegância de alma que me agradava muito. Eu tive uma grande afinidade na primeira edição com o Carlinhos (humorista), uma grande afinidade com a Mirella, que eu vejo bastante até hoje, isso na primeira edição. A Danni Carlos era uma figura. Todos eles eram interessantes à sua maneira. Na ‘Nova Chance’, eu posso te dizer que a Nicole Bahls foi de uma gentileza comigo que me cativou, gosto muito dela. Adriana Bombom também. O Dinei foi protetor comigo, foi muito bacana. E duas que foram muito acolhedoras e muito generosas na essência foram a Rita Cadillac e a Aritana. Então eu vou te dizer, não importa nesse momento a sofisticação e nem a elegância, mas a verdadeira elegância vem do coração e que essas pessoas tem/tinham e isso é muito especial.

  • Você conviveu com o Theo Becker na 1º edição, acredita que ele inventou um personagem para o programa?

Fábio Arruda: O Theo… eu não gosto nem de citar, porque ele criou uma indisposição comigo desnecessária. Ele optou por brigar com todo mundo. Eu não tenho absolutamente nada contra ele, até porque eu não tenho raiva de ninguém. Eu não quero o mal de ninguém, tem pessoas que eu gosto de ver e conviver e pessoas que eu prefiro não estar junto. Mas eu não tenho nada de negativo por esse moço, e acho que ele fez um personagem, não sei dizer se funcionou ou não; provavelmente não, pelo que nós podemos acompanhar, mas enfim, foi uma opção. A vida é feita de opções e ele fez as dele, assim como eu as minhas.

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Fábio Arruda – Crédito: Reprodução
  • Você teve quadros em vários programas de TV, acha que falta um apenas sobre etiqueta?

Fábio Arruda: Eu acho que eu estive em todos os canais de televisão. Estive com grandes apresentadoras e apresentadores do Brasil. Tenho um orgulho muito grande da minha carreira. Eu não sei te dizer… um programa só de etiqueta o tempo inteiro na televisão, até porque a TV aberta está indo por caminhos muito complicados, muito difíceis, muito cruéis. Mas eu acho que esses quadros são absolutamente enriquecedores. Eu tenho fãs há mais de 20 anos, que acompanham, que estão junto. Então, eu acho que é muito legal, acho que deveria ter sim mais quadros, não sei te dizer um programa inteiro. Mas eu também apresentei o ‘The Bachelor’ na Rede TV e que não era voltado para etiqueta. Era uma reality show de relacionamento e também foi uma experiência muito gratificante, então acho que tudo se complementa.

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Fábio Arruda – Crédito: Reprodução
  • Qual a sua opinião sobre Clodovil e Ronaldo Ésper?

Fábio Arruda: Eu tive a oportunidade de conviver mais com o Clodovil. Minha mãe fez roupas com ele. O Clodovil era uma pessoa de personalidade muito forte, mas ele era muito talentoso, ele cantava, atuava… tinha participações muito especiais, e acho que ele foi memorável. Ele é uma figura que vai ficar no imaginário da moda, da atitude. Uma pessoa de gênio muito difícil, muito forte, aliás o Eduardo Martini está representando ele com maestria no teatro. O Ronaldo… eu também acho ele talentoso, cheguei a fazer vestidos de noiva que organizei casamentos com ele, vestidos das famílias, das madrinhas, da mãe. E ele foi em um dado momento… eu achei ele bobo, porque ele me julgou, me criticou pela echarpe que eu uso, que cada um faça o que quiser. Depois a vida terminou sendo irônica, porque em um momento diferente teve todo aquele episódio tão constrangedor para ele. Mas isso, para mim, não apaga a importância dele na moda brasileira. Eu não gosto de alfinetar, eu não gosto de desmerecer… Enfim.

  • Você gravou um quadro com a Inês Brasil sobre regras de etiqueta. Como foi essa experiência?

Fábio Arruda: O quadro com a Inês Brasil foi uma ideia do Franklin David. Ele que teve a ideia de fazer essa gravação e foi muito divertido; até hoje é meio trending top da internet. Ela é uma ótima pessoa, é generosa, ela estava pronta para aprender. Então, eu acho assim, valeu, foi divertido, foi simpático, foi muito verdadeiro e autêntico. Gosto de coisas autênticas na vida e acho muito bacana se a gente pode proporcionar momentos leves para as pessoas onde elas riem. Tudo isso é muito bom.

Em entrevista, Fábio Arruda fala sobre participações em "A Fazenda", trabalhos na TV e, claro, etiqueta
Fábio Arruda – Crédito: Reprodução
  • Como você avalia o atual momento político no Brasil?

Fábio Arruda: O momento político do Brasil está muito complicado. Eu já tive o meu momento bolsonarista no começo, por uma total decepção e desilusão com o PT. Hoje tenho ressalvas contra uma série de coisas. Mas eu sou uma pessoa, de certa maneira, conservadora, mas dentro de limites, sem preconceitos, sem maluquices… nada disso. Mas eu sou muito família, eu sou muito tradição, eu sou muito respeito. E, é uma pena, né?! Porque o nosso presidente é uma figura que eu acho correto, idôneo, mas ele não prima pela gentileza das palavras e nem pela polidez das atitudes. Enfim, que nós encontremos uma boa saída e que o nosso cenário político não volte ser a tragédia que o PT deixou implantado aqui, infelizmente.

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