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GAY BLOG BR by SCRUFF

O assessor de imprensa Cacau Oliver (40), vive rodeado de belas mulheres, são figuras anônimas donas de corpos esculturais esculpidos na academia e também no bisturi, que após passarem pelas mãos do mago da s (sub)celebridades, alcançam o posto de musas sob a alcunha de Peladona de Congonhas, Peladona do Busch, Miss Bumbum e por aí vai, conforme a criatividade do criador.

Oliver iniciou a carreira em 2004, em uma agência que assessorava modelos para participar do popular quadro “Banheira do Gugu”, do programa Domingo Legal. Na época as agenciadas eram as beldades Solange Gomes, Nana Gouvea e algumas outras. Nascido na pequena cidade Carolina, no sul do Maranhão, Oliver sempre foi fascinado pelo meio artístico desde que era criança. Não é a toa que, nos tempos de faculdade, ele queria ser o Nelson Rubens, um dos jornalistas de fofocas mais longevos da imprensa, atualmente com 83 anos.

Em uma entrevista para o GAY BLOG direto de Portugal, onde reside, o midiático das subcelebridades, preferiu não responder 9 perguntas feitas pelo site para não se comprometer, mas nos deu a chance de conhecer melhor o seu trabalho em tempos de busca pela fama a qualquer preço e afirmou que nunca quis ser famoso.

posando de modelo
Cacau Oliver – Reprodução

Quando e como você percebeu que você tinha o talento de transformar uma mulher sexy e anônima em uma subcelebridade?

Na agência, eu trabalhava apenas como produtor. A minha história como pessoa da imprensa, no lado mais criativo, foi apenas 3 anos depois quando decidi montar minha própria agência. A partir daí, eu comecei a desenhar um pouquinho sobre o que eu gostaria de fazer. Eu sempre gostei muito de estar por trás das câmeras, nos bastidores. Comecei a fazer jornalismo nessa época e foi uma coisa engraçada, porque todo mundo na sala falava que queria ser o William Bonner ou a Fátima Bernardes e eu falava que queria ser o Nelson Rubens. Eu gostava dessa vertente diferente da notícia. Sempre fui apaixonado por entretenimento nos Estados Unidos, como sites de celebridades como TMZ, tabloides britânicos como o Daily Mail e The Sun, porque eles mostram as celebridades ou subcelebridades exatamente como o povo quer, sem ser algo engessado. Ao trabalhar com esses “sexy sing” na agência que prestava esse suporte para essas mulheres famosas na época do Gugu e outras, eu acabei sendo convidado pela Sexy para fazer um trabalho como headhunter em uma revista masculina, que hoje não existe mais. Aqui estamos falando de uma época de ouro das revistas masculinas, com grandes cachês. Por trabalhar com essas mulheres, facilmente eu conseguia identificar que elas poderiam ir além da nudez. Que não era só a nudez pela nudez, que precisava ter um conteúdo, uma história. A partir daí eu comecei a desenhar essas mulheres, os títulos, os ganchos, as chamadas, as histórias além da nudez.

Você é o criador do concurso Miss Bumbum Brasil. Como surgiu a ideia?

O Miss Bumbum surgiu quando eu estava em uma viagem de férias na França e assisti a um show. Era uma edição de lingerie masculina e feminina e quem ganhou a competição foi uma brasileira e aquilo ficou na minha cabeça. Pensei em como eu poderia transformar o lance do bumbum em uma competição. Voltei em 2011 com essa ideia e fiz apenas “cápsula” do projeto e deu certo.

Cacau Oliver – Reprodução

Além de beleza física, o que uma aspirante a subcelebridade precisa ter?

A beleza física na verdade nem conta tanto. Eu sempre tentei olhar além disso. E é isso que me diferencia de outros assessores. Os assessores em geral têm uma posição muito passiva de aguardar o que a pessoa pode dar. Eu gosto de entender o que a pessoa quer. Até onde ela quer ir. E o que ela pode mostrar. Claro que tudo com muita cautela para que a pessoa não se arrependa, porque ela está criando uma imagem real e essa imagem não dá para voltar atrás. As pessoas gostam de colocar sub e celebridade em categorias diferentes, mas se você colocar todos os artistas que hoje são considerados famosos, como: Xuxa, Adriane Galisteu, todas essas mulheres vieram de uma época de concursos de beleza. A Xuxa posou para a Playboy, a Galisteu também. Então elas vieram de algum lugar e na época elas também eram subcelebridades, com o tempo elas se transformaram nas artistas que são hoje.

Foi esse concurso que projetou para a fama a Andressa Urach. Como você vê a conversão religiosa dela?

O concurso projetou Andressa Urach, Suzy Cortez, Claudia Alende e Erika Canela. Tiveram mais de 300 mulheres no total de todas as edições. A Andressa sempre teve uma naturalidade midiática e uma personalidade muito forte. Ela sempre soube exatamente o que queria e onde queria chegar. Ela ficou comigo na assessoria por 6 anos, isso bem antes do Miss Bumbum. Eu comecei um outro projeto com ela quando ela dançava com o Latino. Na época chamavam “latinex”, ali começou toda a história da Andressa. Sobre a conversão dela, é um momento muito particular. Ela realmente passou por muitos problemas de saúde em busca da beleza. Mas eu vejo isso como algo positivo para ela. Eu sempre dei muito apoio para ela.

Cacau Oliver e Andressa Urach – Reprodução

O desejo de criar subcelebridades surgiu do próprio interesse do criador Cacau Oliver em se tornar famoso?

Eu nunca quis ser famoso. Tudo que aconteceu na minha vida, essa transição de trás das câmeras para a frente das câmeras, o criador de celebridades, entrevistas na Globo e muitos outros, foi para mostrar meu trabalho, para que as pessoas entendessem e dessem voz para essas pessoas. As pessoas têm que começar de algum lugar e eu dou essa ponte para elas. No Brasil, o universo dos famosos é muito fechado e eu crio essas pontes. Hoje as pessoas que eu trabalho têm nota no mundo inteiro, então o mundo se abriu para essas celebridades.

Como assessor de imprensa de várias celebridades e subcelebridades, você já conseguiu emplacar várias delas em reality show como A Fazenda? Quem foram elas?

Como assessor de imprensa, eu já emplaquei 11 pessoas na Fazenda. Entre essas 11 pessoas, tem uma campeã, que é a Joana Machado, e tenho uma vice-campeã. Acredito que de todos os assessores do Brasil, eu seria a pessoa que mais conseguiu emplacar clientes na Fazenda, entre elas campeões e vice-campeões. Já emplaquei: Joana Machado, Cátia Paganote, Lorena Bueri, Andressa Urach e Raissa Barbosa. Na edição da Fazenda de Verão, foram mais 4 pessoas, entre outras.

Não é tirar leite de pedra na hora de tentar extrair algum talento de alguém que muitas vezes apenas tem um corpo bonito?

É um pouco tirar leite de pedra, já que é preciso entender por que a pessoa quer ser famosa. As pessoas falam muito sobre isso, mas muita gente só quer ser famosa. Ela só quer ser uma pessoa conhecida pelo que faz. A pessoa não precisa dançar, cantar ou atuar. Ela só quer ser conhecida pelo que faz. Hoje a gente tem uma evolução dessas subcelebridades. Nós temos influencers que estão aí, que na verdade não têm nada para mostrar. Elas só mostram o dia a dia delas e elas só querem ser aquilo, muitas nem tem talento mas estão aí. Meu trabalho é muito mais difícil do que você pegar uma pessoa já conhecida. Eu tenho uma lista de 27 pessoas. Eu tenho que criar pessoas que você coloca o nome no Google e não aparece nada e um tempo depois você busca e tem o nome dela sendo citado no mundo inteiro. É difícil, então precisa entender essa pessoa e fazer um planejamento

As pessoas que procuram você para serem assessoradas estão desesperadas pela fama a qualquer preço?

A pessoa que procura a assessoria, ela tem um projeto. Tenho meu trabalho e minha equipe com 3 pessoas. Já tenho uma equipe aqui em Portugal que cuida dessa pessoa, das redes sociais, da interface dela com a mídia e isso tem um preço como em qualquer outra assessoria. Eu tenho muito cuidado ao falar disso porque você acaba mensurando o sonho de alguém. O preço para você se tornar uma pessoa conhecida é o seu trabalho, é o tempo que você dedica para isso, não o que você vai me pagar.

Você foi responsável pela Peladona de Congonhas. Por onde ela anda? A fama pode ser rentável no caso de ‘Congonhas’?

A Jéssica Lopes, que ficou conhecida como “Peladona de Congonhas”, hoje mora na Inglaterra. Está casada e há 2 meses fez um ensaio para a última playboy da Europa, e continua tocando a carreira dela hoje morando em outro país.

Cacau Oliver – Reprodução

Qual o tipo de subcelebridade mais difícil de lidar? A gostosa burra ou a gostosa que tem um ego surreal?

Eu não gosto de usar esse termo “gostosa burra” e “gostosa que tem ego surreal”. Claro que ajuda uma mulher ser bonita, mas isso só no primeiro momento. Se ela não tiver um conteúdo, um projeto, se a assessoria não for uma assessoria de guerrilha, ela não vai acontecer. Não vou usar o termo “gostosa”. Eu gosto de uma pessoa que se dedica e sabe o que quer, que se dedica ao tempo do projeto.

Em relação a alguma subcelebridade lançada por você, algum arrependimento? Alguém que o tenha decepcionado…

Não existe arrependimento sobre nenhum tipo de trabalho. Eu tenho na minha cabeça que todo trabalho tem um início, meio e fim. Qualquer artista que eu tenha trabalhado, teve um início que foi conseguir transformar ela em uma pessoa conhecida e midiática. Então, ela vai ter o ápice e irá caminhar para outros lugares, para outros caminhos. O ciclo de vida dessa artista comigo, acabou e ela está seguindo outro caminho. Todas as pessoas que trabalhei até hoje têm um carinho muito grande. Elas me mandam mensagem, agradecem, muitas se dizem arrependidas de não terem me escutado. Uma coisa que 17 anos de profissão te dá, é uma noção de como as coisas podem acontecer.

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