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O ator Marcos Oliveira (65) ficou famoso no Brasil com o personagem Beiçola, no seriado “A Grande Família” (2001-2014). Entretanto, a carreira do artista começou décadas antes em um grupo teatral em Santo André, no ABC paulista.

A chance de ir para a televisão surgiu em 1988, quando fez uma participação em “Vale Tudo”. A partir daí, atuou em várias novelas e séries em emissoras como Globo e a extinta Manchete, além de programas de humor como “Zorra Total”, “Vai que Cola”, “Os Suburbanos”, “Tô de Graça”, “Pânico na Band” – além dos sete longas que atuou.

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Marcos Oliveira – crédito: reprodução

Em entrevista ao GAY BLOG BR, Oliveira falou sobre os mais diversos assuntos esbanjando bom humor e contente com o atual momento em sua carreira. Toda segunda e quinta-feira, às 19h, ele tem feito lives com a sua personagem Rainha Louca. O ator também tem feito shows onde canta samba e jazz – e em janeiro volta a gravar o sitcom “O Dono do Lar”, no Multishow, que atualmente está reprisando no canal.

Ultimamente você tem participado de vários podcasts, sendo bastante sincero nessas entrevistas, onde notamos que os bastidores da TV não é “um mar de rosas”. Você acredita que muitos atores têm um ego maior que o talento?

Marcos Oliveira: Sim, como em qualquer profissão. Às vezes sim, às vezes não. Depende muito de cada pessoa. Infelizmente hoje estamos lidando com gente de todo tipo. As pessoas vão seguindo pela vida como der.

Como você tem lidado com isso consigo mesmo?

Marcos Oliveira: Tentando sobreviver e ser autêntico. Tem situações no dia a dia em que não se pode fugir. É preciso enfrentar. E unir-se a pessoas de boa conduta. Como em qualquer campo da vida.

De 2001 a 2014, você integrou o elenco do seriado “A Grande Família”, no qual fez muito sucesso com o personagem Beiçola. Você se incomoda quanto o público te reconhece por este personagem?

Marcos Oliveira: Não. Sou muito grato a ele. Anos maravilhosos. Faz parte do meu currículo, da minha afetividade de trabalho. Há pessoas que extrapolam e me confundem com o personagem (risos). Mas foi maravilhoso. Tenho muito dele em mim e nele há muito do que eu criei.

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Marcos Oliveira  (Foto: Reprodução)

Você fez vários trabalhos na TV, desde novelas, minisséries, programas de humor. Algum trabalho que você tenha boas recordações e outro cuja experiência não tenha sido tão boa?

Marcos Oliveira: Muita coisa…. no teatro fiz muita coisa também. Adorei tudo o que fiz. Me formei no teatro, para ser ator. Se os papéis exigiam determinada ação ou atitude minha, eu fazia, interpretava. Mas antes estudava muito, fazia laboratório, me preparava para o trabalho como todos precisam se preparar. A diferença é que um personagem que está na TV é visto por muita gente e fica ligado a afetividade das pessoas, a uma época.

Nos anos 1990 você fez uma minissérie na extinta Manchete chamada “O Marajá”, que nunca foi ao ar, pois a mesma foi censurada pelo então presidente na época. Você acredita que o politicamente correto é um tipo de censura?

Marcos Oliveira: Essa minissérie infelizmente não foi ao ar por conta de todo o escândalo que já rolava na época. Culturalmente, sintetizamos os sentimentos, os pensamentos como público. Mas se cairmos no politicamente correto, isso pode se tornar uma armadilha que pode induzir o público a pensar o que é certo ou o que é errado na vida. Uma dicotomia. Isso é uma armadilha perigosa… transmitindo dogmas. Ainda mais com um governo como o atual, isso é extremamente danoso.

Como você avalia o atual cenário cultural e político no país?

Marcos Oliveira: É no fundo do poço que chama? O governo atual aparelhou os órgãos da Cultura para destruir nossa identidade. Para transformar essa nação tão rica em diversidade, em um povo triste, sem esperança. A alegria deles é sádica; querem matar tudo o que construímos! Mas nós vamos vencer. Tenho fé e procuro transmitir isso com meu trabalho.

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Marcos Oliveira – crédito: reprodução

Há poucos anos você foi notícia em alguns sites a respeito de um momento de fragilidade financeira, como está a sua vida atualmente?

Marcos Oliveira: Estou trabalhando e buscando trabalho. Mas quase na fragilidade financeira como quase todo mundo neste país (risos). Quero trabalho, personagens para pessoas como eu, da minha idade, com a minha experiência.

Em 2017, você participou do programa “Pânico na Band”, como foi essa experiência?

Marcos Oliveira: Pelo que me lembro, foi divertido.

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Marcos Oliveira – crédito: reprodução

Na televisão, principalmente das novelas, as coisas talvez tenha mudado muito: no passado era comum ver atores veteranos como protagonistas, hoje se tem atores cada vez mais jovens – e muitas vezes sem tanta experiência – em personagens principais. Você acredita que exista um preconceito em relação aos atores acima dos 40 anos?

Marcos Oliveira: Isso tem a ver com a formação do público também. As novelas têm papel importante nisso. Vendem fantasia. Na vida real não é assim. Estão tornando invisíveis, apagando as pessoas idosas. Mas isso também talvez porque pessoas idosas não consumam tanto como os jovens. Idosos ganham mal neste país. Vão consumir o quê? Como? Espero que seja uma fase, que isso acabe. Afinal todos irão envelhecer.

No passado, era comum atores gays (principalmente os galãs) ficarem no armário. Atualmente parece haver um progresso em relação a isso, tendo alguns se sentindo mais confortáveis para falar sobre sexualidade…

Marcos Oliveira: Verdade. É normal, como é na vida real. As pessoas podem levar a vida como se sentirem felizes para isso. Mas com tanta repressão ideológica, isso inibe o pensamento crítico da maioria das pessoas. Por que não é normal uma pessoa de um sexo amar a outra do mesmo sexo ou gênero? Onde está escrito que as pessoas para serem felizes, tem que seguir um manual de conduta? Isso é imposição, censura e é extremamente danoso para a cabeça das pessoas. Já pararam pra pensar no mal interno que isso pode causar? Precisamos aprender com as diferenças e qual outra forma para mostrar isso, se não for mostrando que nem todas as famílias são iguais, por meio da dramaturgia, da arte? Mas na vida pessoal isso tem que ser decidido por cada pessoa, artista. O público pode também se projetar sobre a vida sexual dos artistas. Ainda mais quando o artista vira um produto para o mercado.

E como foi esse processo para você?

Marcos Oliveira: Nunca tive problemas com isso.

Falando um pouco sobre a comunidade LGBTQIA+, você acha que existe um ageísmo na própria comunidade?

Marcos Oliveira: Eu nunca tive esse problema. Cada um leva a vida como lhe é mais conveniente. Não sinto esse problema. Minha realidade é outra.

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Marcos Oliveira – crédito: reprodução

Quais são seus próximos projetos? Teatro, novela, cinema?

Marcos Oliveira: Tenho feito publicidade e tem sido muito bom. Quero voltar a atuar no teatro ano que vem. Já tenho um texto, só precisarei adaptar para o momento, correr atrás de patrocínio, teatro e público. Novela não tenho convites neste momento, mas estou à disposição se alguém quiser. Já fiz muita coisa e posso fazer muitas outras, além de vender pastel (risos). Ano que vem, em janeiro volto a gravar um sitcom no Multishow: ‘O Dono do Lar’. No cinema ainda não tenho convites. Fiz algumas coisas com produção da Netflix mas nada para os próximos meses. Quero fazer. Amo o cinema.

Saiba mais sobre Marcos Oliveira: linktr.ee/marcosoliveiraator

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