Justin Fashanu, o único jogador de futebol da Inglaterra a se declarar homossexual enquanto atuava no Campeonato Inglês, entrou para o Hall da Fama do Museu do Futebol Nacional (National Football Museum) no dia 19 de fevereiro, dia em que completaria 59 anos.

O jogador foi representado na cerimônia pela sua sobrinha, Amal Fashanu, criadora o The Justin Fashanu Foundation, instituição criada para combater a homofobia no futebol.

Justin Fashanu foi o primeiro jogador de futebol a se revelar gay Foto: Reprodução
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“O fato de Justin ter se levantado e dito: ‘este é quem eu sou, vou me respeitar e fazer com que os outros me respeitem por quem sou’, é uma das coisas mais impressionantes. Não conseguiria me sentir mais honrada em ser sobrinha dele” – disse, em entrevista à BBC (via Correio 24 horas).

Fashanu foi o primeiro jogador a valer mais de 1 milhão de libras, valor pago pelo Nottingham Forest ao Norwich City, em 1981.

HISTÓRIA DE VIDA TRISTE

Foto: Reprodução
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Antes de se revelar homossexual no ano de 1990, havia muitos rumores sobre sua sexualidade por pessoas terem visto-o em baladas e bares gays, algo que “alimentava” as revistas de fofoca da época.

Depois de muitas especulações, Fashanu decidiu se assumir em uma entrevista ao tabloide The Sun, sendo o primeiro jogador inglês a fazer isso. Apesar de ele dizer que foi bem aceito pelos colegas de equipe, ele disse também que volta e meia as pessoas faziam brincadeiras que o deixavam desconfortável, sendo as típicas “piadas inocentes” que, no fundo, tem alguma malícia envolvida.

Na década de noventa, a carreira como jogador de futebol entrou em declínio, e ele passou a jogar em clubes não tão expressivos até se aposentar do esporte em 1997.

No ano seguinte, Fashanu foi acusado de abuso sexual por um jovem de 17 anos, sendo que nessa época ele morava nos Estados Unidos. Depois de algumas tentativas da polícia em prendê-lo, o ex-jogador resolveu voltar à Inglaterra e, no dia 3 de maio, foi encontrado morto.

Ao lado, ele escreveu uma carta de suicídio onde ele dizia que não queria ser mais uma vergonha para amigos e familiares, e que a relação sexual foi consentida pelo jovem, que resolveu extorqui-lo depois.

No dia 9 de setembro foi confirmado pela polícia londrina que os norte-americanos haviam abandonado as investigações de abuso sexual por falta de provas.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".