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O governo do Canadá aprovou uma lei que proíbe qualquer tipo de terapia de “conversão de orientação sexual”, que no Brasil ficou conhecida como “cura gay”. A lei entrará em vigor no dia 7 de janeiro de 2022. As informações são de O Globo.

A decisão foi publicada pelo primeiro-ministro do país, Justin Trudeau, em uma rede social:

“É oficial: a legislação do nosso governo que proíbe a prática desprezível e degradante da terapia de conversão recebeu o consentimento real – o que significa que agora é lei. LGBTQIA+ canadenses, sempre defenderemos vocês e seus direitos”, disse.

O PL define que a utilização de técnicas comportamentais, cognitivo-comportamentais, psicanalítica, médicas, religiosas e espirituais não devem ser utilizados no consultório.

Segundo dados coletados pelo Community-Based Reasearch Center, 1 em cada 10 LGBTs do Canadá experimentaram a terapia de conversão, sendo que 72% antes dos vinte anos. Grupos de baixa renda, indígenas e outros grupos marginalizados estão desproporcionalmente representados, de acordo com o Departamento de Justiça do Canadá.

O texto do projeto de lei diz que a “cura gay” prejudica a sociedade porque “se baseia e propaga mitos e estereótipos sobre orientação sexual, identidade de gênero e expressão de gênero, incluindo o mito de que heterossexualidade, identidade de gênero cisgênero e expressão de gênero conforme o sexo atribuído a uma pessoa ao nascer deve ter preferência sobre outras orientações sexuais, identidades de gênero e expressões de gênero”

O ministro da Justiça do país, David Lametti, também comemorou a aprovação da lei no Twitter.

“A proibição total das chamadas terapias de conversão recebeu o consentimento real. Esta é uma vitória para o Canadá, em particular para a bravura e a coragem dos sobreviventes que falam abertamente há anos. Essa é a sensação de fazer história. Obrigado” publicou Lametti.

Canadá aprova proibição de "cura gay"
Reprodução

CURA GAY, POR QUE ELA É PROIBIDA?

Segundo o vídeo Existe Cura Gay? do Nerdologia, existem muitas características nossas que queremos mudar e não necessariamente se tratam de doenças, citando que uma ruga na testa, por exemplo, dificilmente será considerada uma doença pela sociedade, mas a pessoa pode procurar um cirurgião plástico para aplicar botox e se livrar dela.

Partindo dessa premissa, uma pessoa pode saber que homossexualidade não é doença e mesmo assim, por crenças e valores morais, ela queira sair daquela condição, já que isso é motivo de sofrimento. Ou seja, a pessoa sente atração sexual por pessoas do mesmo sexo, mas gostaria de desejar o sexo oposto.

Ignorando o fato daqueles que renunciam seu desejo sexual em prol de viver uma vida heteronormativa sob o argumento religioso de que “isso é o certo”, um estudo científico publicado em 2008 pela Ohio State University em parceria com a University of Minnessota, avaliou todas as tentativas de terapia publicadas nos últimos cinquenta anos, incluindo psicoterapia individual ou coletiva; tratamento eletroconvulsivo; indução de náusea ou vômito; hipnose e reorientação de orgasmo.

Todas as tentativas falharam em reorientar o desejo sexual dos pacientes, causando aumento no número de depressões profundas, disfunções sociais, pensamentos suicidas e outros danos psicológicos. O estudo também concluiu que essas tentativas não tinham fundamentação teórica, haviam sérias falhas metodológicas e violavam princípios éticos e direitos humanos.

Já um outro estudo publicado na Professional Psychology: Research and Practice 33, fez uma entrevista com mais de 200 clientes que passaram pela terapia de reorientação sexual. Destes, apenas 26 declararam que a terapia era de alguma ajuda e só 9 disseram passar a desejar o sexo oposto. Já o restante, os danos psicológicos foram os mesmos citados anteriormente.

Os testes de hipótese apontam que, assim como os héteros não mudam sua orientação sexual pela presença de gays (ou seja, não há nada que faça a pessoa desejar o mesmo sexo), os homossexuais também não são convertidos em héteros.

A conclusão é de que não existe nenhum método que reoriente o desejo sexual de ninguém, já que a homossexualidade se trata de mais uma variação da natureza. Além disso, os gays que buscam ajuda por estarem sofrendo devido a sua condição, param de sofrer quando aceitam sua homossexualidade e não são mais perseguidos por aqueles que estão a sua volta.

O que acaba com o sofrimento é a aceitação, não a reorientação.




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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"