Gays, negros, índios e judeus se unem para debate no Dia Internacional do Holocausto

A data foi escolhida por ser o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, considerando que o regime nazista perseguia todos esse grupos.

No último dia 27 de janeiro de 2020, data onde é lembrada o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, homoafetivos, negros, índios, imigrantes e judeus se uniram em São Paulo para um debate sobre a violência e discriminação que sofrem no Brasil hoje em dia.

A data foi escolhida justamente porque, durante holocausto no período nazista, houve perseguição de todos todos esse grupos citados anteriormente.

Heloísa Alves, da Aliança Nacional LGBTI, afirmou que, após a eleição de Bolsonaro, a sensação de medo foi aumentada, assim como a discriminação no sistema de transporte público e o número de casamento homoafetivos, sendo este último uma surpresa.

Francisco Marcos, do movimento negro, lembra que foi muito bem tratado nas escolas judaicas.

“Nunca fui tratado como negro, apenas como não judeu. Sejam mais coloridos, gays, bolivianos, sul-americanos. Precisamos da vossa solidariedade!” – disse.

Debate de minorias ocorreu no Dia Internacional do Holocausto (Foto: Reprodução)
Debate de minorias ocorreu no Dia Internacional do Holocausto (Foto: Reprodução)

Já o índio Anthony Karai Poty, uma das lideranças da Tekoa Pyau T.I Jaraguá, fez duras críticas a Jair Bolsonaro. “Somos muito mais humanos do que ele”, em referência à recente declaração de Bolsonaro de que o índio “está evoluindo”.

“Temos medo de sair na rua, a Polícia nos manda voltar para casa”, acrescentou. O vereador Eduardo Suplicy, presente no encontro, afirmou que averiguará o caso com o secretário de Segurança Pública.

Jovana Mayo, boliviana do Grupo Warmis: Mulheres Imigrantes Voluntárias, lembrou que também eles sofrem forte discriminação. E avalia que há solidariedade de gente que não sofre discriminação, mas que não é suficiente, “por não vir de um lugar igual”, ressaltando o quanto é importante ter o “lugar de fala” pelas pessoas que passam exatamente pela mesma experiência.

A historiadora Lucia Chermont, que atua nos projetos educativos da Anne Frank House no Brasil, observou que os grupos judaicos de esquerda, antes secretos, agora são abertos e atuam de forma organizada em resistência ao governo.

“Também nós judeus sofremos discriminação, mesmo que não pareça óbvio”, acrescentou Clarisse Goldberg, do Observatório Judaico.

O nazismo perseguia os gays sob o argumento de incompatibilidade com o regime pelo impedimento da reprodução da raça superior (Foto: Reprodução)
O nazismo perseguia os gays sob o argumento de incompatibilidade com o regime pelo impedimento da reprodução da raça superior (Foto: Reprodução)

“O antissemitismo continua presente. Quando se fala em algum judeu, sempre vem junto essa informação, mesmo que ela não faça nenhuma diferença. É como se continuassem nos colocando uma estrela no peito para dizer: judeu, com a carga do antissemitismo”.

Também estiveram na reunião os ex-deputados Clara Ant e Adriano Diogo; o vereador Daniel Annenberg, o dramaturgo Luccas Papp, rabinos e representantes das religiões católica e evangélica, entre.

O dramaturgo e ator Luccas Papp, autor da peça “O Ovo de Ouro”, com temática relacionada ao Holocausto, foi o responsável pela fala de abertura.

Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek e agora está em busca de novos desafios. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".