Jogadores do LiGay relatam homofobia no futebol | SCRUFF

Torneio criado para lutar contra o preconceito dentro e fora de campo, LiGay teve sua terceira edição em São Paulo com patrocínio do SCRUFF

A Champions LiGay SP, que teve patrocínio do SCRUFF – app que promove relacionamentos, encontros e eventos –, reuniu nesta maior edição, 16 times de 8 estados brasileiros. Foram mais de 250 jogadores homossexuais jogando bola e lutando contra a homofobia dentro e fora de campo. O clima era dos melhores e os boleiros disputavam lance a lance tranquilos, com o melhor do fair play e, principalmente, tranquilos de que estavam num ambiente seguro.

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Foto: Arthur Maringoni

Mas nem sempre foi possível para muitos deles se divertir jogando futebol dessa forma. Xingamentos como “viadinho”, “bicha”, “joga feito homem” e musiquinhas com cunho homofóbico ainda são comuns serem ouvidos nos estádios brasileiros. Os times, digamos convencionais, não toleram jogadores assumidamente gays. O futebol, infelizmente, ainda é um ambiente carregado de machismo e outros preconceitos.

Ligay 2018. Foto: Arthur Maringoni

Jonathan Nascimento, de 22 anos, é um dos jogadores que revela só agora se sentir à vontade para praticar o esporte que tanto ama porque joga entre gays. “Eu jogava em três times, com pessoas de onde moro. Sempre jogamos juntos desde categorias de base até a várzea. Porém, quando descobriram que eu era gay, pararam de me avisar dos torneios e jogos amistosos”, conta o moço que desde abril deste ano joga no Unicorns Brazil, time que tem patrocínio do SCRUFF.

“Depois uns dois jogos sem ir, dei a cara a tapa e apareci por lá. O treinador me disse que eles não estavam confortáveis e não aceitariam um gay no time. Tentei justificar falando que eles não significavam nada sexualmente e que eram como irmãos pra mim, mas nada do que eu disse adiantou. Assisti àquele jogo e fui embora sozinho. Depois daquele dia, senti vergonha do que eu era e fiquei dois anos sem jogar futebol, coisa que faço desde os 6 anos”, lamentou.

Agora tudo mudou: Jonny, como é chamado pelos novos amigos de equipe, voltou a fazer gols com satisfação. “No ano passado, descobri o Afronte. Fui fazer um teste no time e eles me chamaram pra jogar. Fiquei muito feliz. Desde abril estou jogando pelo Unicorns e posso dizer que realmente aquela alegria de infância que eu sentia em jogar, em competir, foi realmente resgatada”, comemora ele, orgulhoso de exibir no peito o novo uniforme do time com as cores do arco-íris.

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