De acordo com a coluna do Ancelmo Góis em O Globo, Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, decidiu se posicionar através da ONG Viva Cazuza para que as músicas de seu filho não sejam utilizadas nas manifestações a favor de Jair Bolsonaro.

“Com base nas prerrogativas dadas pelo artigo 29 da Lei de Direitos do Autor (Lei 9610/98), a Viva Cazuza desde logo torna pública a proibição da execução de qualquer obra ou interpretação de Cazuza em qualquer evento e/ou manifestação dessa natureza, ficando qualquer um que desrespeite esta proibição sujeito à aplicação das sanções civis e penais cabíveis em virtude de violação de direitos autorais. Apoiamos a democracia e não atitudes violentas”, diz a nota divulgada pela Viva Cazuza e assinada pela mãe do cantor e também pelos compositores George Israel e Nilo Romero.

A nota também alerta para as pessoas seguirem as medidas de isolamento social, reforçando as orientações da OMS para que a população fique em casa.

O posicionamento se dá porque a música “Brasil”, parte do álbum Ideologia lançado em 1988, acabou se tornando uma espécie de tema para as manifestações pró-Bolsonaro.

30 ANOS DA MORTE DE CAZUZA

O cantor, nascido Agenor de Miranda Araújo Neto, morreu por um choque séptico causado pela AIDS no dia 7 de julho de 1990, aos 32 anos. O diagnóstico veio em 1987, durante a época da promoção de seu segundo álbum solo, Só se for a Dois.

Depois que Cazuza descobriu que estava com o vírus HIV, ele disse que “parou de olhar o próprio umbigo e passou a cantar o seu país”, segundo sua mãe.

Já a Sociedade Viva Cazuza foi fundada no final de 1990 com o objetivo de ajudar pacientes com o HIV/AIDS. Em 1994, a ONG passou a dedicar seus esforços especialmente às crianças e adolescentes abandonados pelas famílias por serem soropositivo. Além deles, há também um trabalho para pacientes adultos que, em sua maioria, são analfabetos.

HIV e AIDS são coisas diferentes

Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".