Até os doze anos de idade, Rodrigo Pereira (31) mal sabia quem era a Xuxa. Ele explica: o pai era evangélico e não permitia que assistisse à Rede Globo; por isso, suas primeiras ídolas foram Mara Maravilha e Angélica

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Quando finalmente pôde acompanhar a rainha dos baixinhos na TV, ele caiu de amores por pela apresentadora e decidiu virar cover de Xuxa, de 2002 a 2015. O hobby virou profissão e ele começou a fazer festas, presenças VIP e performances em boates gays. A agenda cheia fez com que o jovem loiro blond deixasse sua cidade natal, Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e partisse para São Paulo para investir mais na carreira.

Em entrevista exclusiva ao GAY BLOG BR, o ex-Rodrigo Xuxa explica por que deixou de fazer cover de Meneghel, fala sobre o seu documentário em fase de produção e seu programa de TV online.

Reprodução

Você se tornou uma webcelebridade muito antes desse termo virar modinha. Ser famoso era um sonho de infância?

Eu queria ir um dia na televisão. Eu achava que as pessoas entravam dentro da TV, eu imaginava aquilo e achava muito mágico. “Como elas conseguiam entrar ali?” – bem, no sentido figurado mesmo (risos). Sempre gostei de dançar e imitar os artistas, não sei se ser famoso era bem o meu sonho, eu tinha convicção de que queria ser um artista de TV. Não sei se pra você pode parecer a mesma coisa, mas pra mim sempre foi muito mais profundo do que ser apenas “famoso”.

Você já esteve com a Xuxa pessoalmente mais de uma vez. Como foram esses encontros? 

Sim, eu estive com a Xuxa umas três ou quatro vezes. Ela sempre muito atenciosa e extremamente generosa. Ela é uma pessoa muito verdadeira, que fala com os olhos. A gente sente o amor, o carinho que ela tem principalmente pelos gays; a gente se sente abraçado por ela. Não dá pra explicar em palavras o que é estar perto da Xuxa, é preciso ver e sentir.

Você se acha parecido com ela fisicamente?

Não, na verdade nunca me achei.  Em algumas fotos que fiz no passado, por conta do corte de cabelo e as lentes de contato azuis que eu usava, até lembrava um pouco, mas parecidos nós nunca fomos.

Já fez alguma intervenção estética ou plástica? 

Não, nunca fiz, Deus me livre. Morro de medo de não ficar como eu quero e entrar na síndrome de Michael Jackson, fazer uma pra consertar a outra. Ainda não fiz, mas se um dia eu fizer eu conto.

Você recebe muitos ataques de haters na internet, em um dos comentários recentes dizia: “Mirou na Xuxa, acertou na Hebe”. Como reage a esses ataques?

Ser comparado a Hebe não acho que seja um ataque (risos), muito pelo contrário, me sinto até lisonjeado e nem sei se mereço essa comparação, porque muito antes da Xuxa, Hebe já era minha maior inspiração, porque desde criança eu sou apaixonado por TV e Hebe é a Rainha da TV. Sofro muito ataque sim, de homofobia, gordofobia e muitos outros insultos que recebo diariamente e eu reajo da melhor forma, devolvendo sempre com amor e sendo feliz no que eu faço, porque se eu for descer ao mesmo nível dessas pessoas e devolver um xingamento ou um palavrão, significa que eu estou vibrando na mesma energia ruim delas. E eu estou aqui nesse mundo pra evoluir e ser o meu melhor.

Rodrigo com Hebe Camargo – Reprodução

Em 2016, uma mulher chamada Luciene Falsarelli fez uma participação no Programa do Porchat como sósia da Xuxa. Saiu uma nota dizendo que você que esteve na plateia, não gostou disso e teria dito: “Sai daí sua velha, já deu. Ela tá toda caída, não deveria estar aí na frente”. 

Na época eu li essa matéria e mandei para todos os meus amigos que estavam comigo, inclusive a Luciene, com quem sempre tive boa relação. Todos acharam absurdo e provam que eu jamais disse isso. Eu, de fato, não sei por que esse jornalista que estava camuflado na plateia fez isso. Ou se, de repente, alguém de fato falou e ele achou que fui eu. Será que ele tem um vídeo ou um áudio onde aparece eu falando isso? Até eu gostaria de ver.

Reprodução: Falsarelli sósia da Xuxa

Em 2012, você faturava por mês em torno de R$ 4 mil com as apresentações de cover da Xuxa. De lá para cá, seu faturamento aumentou ou caiu?

Graças a Deus eu tenho uma vida bem estruturada, não dependo só do meu trabalho pra viver, tenho pessoas maravilhosas que me ajudam e que sonham junto comigo. Então tudo que eu ganho ou se, de repente não ganho (risos), é lucro.

Já te pediram pra fazer cover da Xuxa na hora H?

Já.

Desde 2015 você não faz mais cover da Xuxa. O que aconteceu?

Sim! Foi um desejo antigo meu de encerrar o personagem, porque eu comecei muito criança a fazer isso. Quando eu me tornei um adulto, já não tinha mais o mesmo corpo nem a mesma voz infantil que o trabalho pedia. Comecei a criar barba e me tornei um homem. Comecei a me sentir ridículo fazendo aquilo pra crianças. Foi quando em 2012 eu passei a me apresentar em boates de todo o Brasil por conta da fama que conquistei nas redes sociais. Ali o trabalho era o mesmo, mas a proposta era outra completamente diferente, passei a me montar e usar maquiagem mais carregada, com enormes cílios postiços, pernas de fora e botas até o joelho; afinal eu estava fazendo show para o público gay à noite, não podia mais me vestir de palhacinho do “Xuxa Só Para Baixinhos”, concorda? E foi nessa época que Xuxa me recebeu nos bastidores do seu programa ainda na Globo e tirou uma foto comigo. Desde então, conquistei algumas inimizades com alguns fãs dela. De repente se sentiram enciumados pela atitude dela de me receber e começaram a me perseguir com ligações, com insultos pela internet. Não sei como na época descobriram até o telefone da minha casa. E começaram a ligar, sempre tentando, me obrigando a deixar de imitá-la. Consegui segurar esse rojão até 2014, quando os insultos começaram a ficar mais pesados. Chegaram a mentir que a própria Xuxa não gostava de mim só pra ver se eu me decepcionaria e deixava de vez o personagem, chegando ao absurdo até de me ameaçar de agressão e morte. Eu sempre digo que eles não me venceram pelo medo, e sim pelo cansaço, porque eu já nutria dentro de mim um desejo de mudar o foco do meu trabalho. Foi em meados de 2015, quando anunciei em um show que aquele seria o último; o fim do personagem. E nunca mais eles me perseguiram, até hoje não sei quem eram, se eram várias ou uma pessoa, eram todos perfis fakes. Teve um dia que eu até retornei a ligação para um número dos que ligavam e deu em um telefone público do RJ. Só sei que os que me perseguiram desapareceram após abandonar este personagem.

Reprodução: Rodrigo Xuxa fazendo show
Reprodução: Rodrigo Xuxa fazendo show

Você deixou de ser fã dela?

Jamais! Xuxa é, foi e sempre será uma eterna fonte de inspiração pra mim. Tenho por ela profunda gratidão e amor, mas é lógico que nesses últimos 5 anos eu precisei deixar de ver a Xuxa por um bom tempo; até deixei de segui-la nas redes sociais, pra não ver o que ela estava fazendo. Eu precisava construir uma personalidade nova que há anos estava embebedada de Xuxa (risos). E pra mim era muito automático, era olhar pra ela ou ligar uma câmera e eu virava “Xuxa”; falava como ela, ria como ela, me comportava como ela, me vestia como ela. Por isso, foi fundamental deixar de  acompanhar a Xuxa, foi importante pra construção do Rodrigo Apresentador, que hoje nem de longe lembra a Xuxa. Mas ela vai ter sempre um lugar em meu coração, principalmente na minha história. Em 2017 eu estive com ela, eu já não era mais o Rodrigo Xuxa. Ela riu pra mim, eu devolvi o sorriso e ali eu me senti em paz comigo e com a vida. Recentemente voltei a segui-la, porque hoje me sinto mais confiante em mim mesmo, então está tudo certo. Mas deixar de gostar dela não deixei não.

No passado sua mãe não lidava bem com o fato de você fazer cover?

Tudo o que foi dito sobre a minha mãe na internet é mentira. Minha mãe me ama, me aceita e sempre me apoiou em todas as minhas decisões, desejos, e vontades. É verdade sim quando ela disse que gostaria que eu me formasse em uma faculdade e trabalhasse perto dela pra voltar pra casa todos os dias, e não viver nessa vida louca de SP, viajando sempre e ficando meses sem vê-la. Minha mãe é muito apegada aos filhos e sofre muito quando a gente está longe. 

Você está namorando? É mais fácil arrumar um namorado quando se é uma webcelebridade?

Eu estou num relacionamento antigo, namoramos muito antes de eu ser conhecido, mas nesse ponto eu tenho uma certa “blasesisse”. Não acho correto expor vida íntima e acho feio quem faz isso, por isso prefiro manter meu relacionamento na eminência parda, preferindo não tocar nesse assunto.

Reprodução

Na internet, você apresenta o Rodrigo Show. Como tem sido o feedback dos internautas?

A minha ideia foi fazer uma TV dos anos 90 na internet. E cada dia mais tenho conseguido passar a minha mensagem, porque o Rodrigo Show é um apanhado de tudo que eu sempre gostei de ver na TV, como por exemplo: entrevistar as pessoas, homenagear as minhas divas, mostrar o closet, falar de moda e estilo, levar as pessoas junto comigo nas minhas viagens, etc. Eu amo fazer meu programa e sempre busco pra ele referências do SBT dos anos 90, aquela coisa meio Gugu, meio Hebe, com uma pitada de Sílvio Santos.

Você vai lançar um documentário sobre sua carreira? 

“Final Feliz” foi o nome dado ao meu último show para o público infantil em 2011. Em 2015, quando eu encerrei o personagem Xuxa, fiz um documentário intitulado de “A história de Rodrigo Xuxa”. Em 2019, quando eu completei 30 anos, foi feito um documentário sobre minha vida intitulado de Rodrigo 30. E, desde março, estou gravando um curta, será tipo um filme mesmo. O roteiro aborda os dramas vividos nos bastidores dos meus 18 anos de história nos palcos como imitador e apresentador. O filme tem estreia prevista para abril de 2021 em um encontro com fãs pelo Brasil. Não será exibido na internet. Se chamará “Quando A Luz Se Apaga”.

Fora o lançamento do “Quando A Luz Se Apaga”, quais são seus planos pós-pandemia?

Voltar com tudo para as ruas. Não vejo a hora do contato com as pessoas, gravar externas, entrevistas, viajar de novo… Enfim, sair da minha mono pauta.

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