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Recentemente, o Vaticano emitiu uma nota dizendo que não poderia abençoar casais do mesmo sexo porque não pode “abençoar o pecado“, causando repercussão negativa e até o cantor Elton John decidiu se manifestar.

No entanto, parece que nem sempre a Igreja Católica pensou deste modo, considerando que dois santos: São Sérgio e São Baco, teriam tido um relacionamento homoafetivo.

A história de ambos foi revelada em um texto grego chamado “A Paixão de Sérgio e Baco”, datado do século IV, e os dois eram descritos como amantes. Segundo a lenda, os dois eram oficiais do exército romano e não se separaram nem depois da morte.

De acordo com o livro “Cristianismo, Tolerância Social e Homossexualidade”, escrito pelo historiador John Boswell (1947-1994), os dois formavam um casal gay respeitado pela Igreja e esta, ao longo da história, teria tentado “acobertar” este passado.

Boswell defende que ambos passaram por um rito chamado “adelphopoiesis” que, segundo ele, consistia em um tipo de união homoafetiva, o que sustenta a teoria de que a Igreja Católica tinha um posicionamento mais favorável aos homossexuais.

Segundo a biografia, eles teriam sido soldados romanos de alta patente e foram martirizados quando acompanhavam o imperador romano Galério Maximiano (260-311) em uma viagem ao Oriente Médio.

São Sérgio e São Baco: conheça o casal gay que teria sido abençoado pela Igreja Católica
Reprodução

Nessa época, o cristianismo era perseguido pelos romanos, mas Sérgio e Baco professavam a fé na clandestinidade. Durante uma viagem, ambos teriam se recusado a participar de uma oferta ao Deus Júpiter em um templo pagão e, desse modo, os romanos viram que os dois eram cristãos.

Como forma de ridicularizá-los, os soldados vestiram os dois com roupas femininas e os torturaram. Baco não suportou e morreu. Dias depois, Sérgio foi decapitado.

O mais antigo ícone sacro conhecido da dupla, uma imagem do século VII, mostra Sérgio e Baco representados lado a lado a figura de Cristo. Boswell explica que nessa época, os casais heteros da Roma Antiga eram retratados desta forma, em que “uma divindade” ocupa essa posição como “uma dama de honra supervisionando o casamento”. 

Além de ambos, há outros santos da Igreja que seriam LGBT, incluindo a união de Santa Perpétua e Santa Felicidade, executadas juntas em um anfiteatro da África romana no século III; São Aelred, com vários manuscritos em que ele fala sobre “amor entre pessoas do mesmo gênero” e São Sebastião, que teria sido flechado e surrado até a morte por desafiar o Império Romano e sair em defesa dos Cristãos.

Com informações de Aventuras na História e BBC




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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"