Facebook desabilitou a segmentação de anúncios por orientação sexual

A mudança deixou as organizações que oferecem serviços para a comunidade LGBT incapazes de atingir diretamente seus públicos-alvo

Discretamente, o Facebook desabilitou a opção de segmentar anúncios por orientação sexual em sua plataforma. A retirada do filtro não apenas vai complicar as marcas, mas também as organizações que oferecem serviços de ajuda para a comunidade LGBT+. Segundo o canal Pink News, há uma exceção concedida para alguns poucos aplicativos de encontros até o final de abril.

O filtro de anúncio permitia as marcas escolherem o target pelo gênero acrescido da opção “interessado ​​em (gênero)“. As informações de “interessado em” eram recolhidas através da própria declaração dos usuários em seus seus perfis (na parte “sobre”).

O Trevor Project, um serviço de ajuda sem fins lucrativos com foco na prevenção de suicídios de jovens LGBT+, lamenta que a ausência de segmentação com base na preferência sexual interrompeu quase por inteiro o trabalho da instituição. Mesmo tentando abrir diálogo com o Facebook sobre a possibilidade de restabelecer o filtro, as negociações até agora foram “infrutíferas”, disse o diretor do Trevor Project, Calvin Stowell, ao BuzzFeed News. “Precisamos anunciar nossos serviços que, obviamente, salvam vidas”, enfatiza.

A decisão do Facebook em tirar o filtro “interessado em” faz parte de uma grande reformulação da plataforma de anúncios a qual a empresa iniciou após as polêmicas relacionadas às eleições presidenciais nos EUA. A Revista Superinteressante conta que em 2016, através de um aplicativo chamado thisisyourdigitallife (desenvolvido por Aleksandr Kogan, pesquisador da Universidade de Cambridge, no Reino Unido), o usuário fazia login com a conta e ‘brincava’ de fazer um teste de personalidade. Em troca, bastava aceitar que seus dados (e dos seus amigos) fossem coletados para uso acadêmico. Com as informações, o time do Trump poderia entender, por exemplo, quem estava indeciso sobre as eleições e encaminhar para essas pessoas notícias que falassem bem sobre o candidato ou que criticassem sua rival, Hillary Clinton. Os dados incluíam detalhes sobre profissão, local de moradia, gostos pessoais e hábitos. Os usuários do aplicativo não tinham ideia de que estavam ajudando a eleger o próximo presidente dos EUA.

Algumas entidades LGBT+ não se opõem à mudança do Facebook, como a Aliança Gay e Lésbica Contra a Difamação (GLAAD), que disse ao BuzzFeed que a remoção da segmentação baseada em identidade, mantendo a segmentação baseada em interesses, é “um compromisso justo” que pode impedir o uso malicioso da plataforma de anúncios. A GLAAD, organização de defesa de direitos, não usa a segmentação baseada em identidade – e nem depende dela, como o Trevor Project.

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