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Um cientista resolveu estudar a seguinte questão: a foto nos apps gays dizem alguma coisa sobre a personalidade dos usuários? A resposta é: sim —e é mais complexa do que parece, escreve o colunista Felipe Germano, do UOL.

Para chegar às respostas, Brandon Miller, pesquisador da Universidade de Boston (EUA) entrevistou 322 homens que fazem sexo com homens (conhecidos pela sigla HSH). A descrição é importante porque vai muito além do “homem gay”.

Além de entrevistar rapazes pan ou bissexuais, HSH inclui também pessoas que simplesmente não gostam de se rotular, ou aqueles que fazem sexo homoafetivo, mas se declaram héteros.

Reprodução

Todos os participantes deveriam estar em algum tipo de app LGBTQIA+, como o Scruff, e responder uma série de perguntas. Algumas delas, claro, se dedicavam a entender como era o perfil dos entrevistados nos apps.

Sua foto principal mostra seu rosto? Completa ou parcialmente? Não? Então mostra o corpo? Seu torço está completamente nu? Há alguma foto no seu perfil público que contenha nudez ou seminudez? Entre outras coisas.

Quais foram as conclusões da pesquisa?

Com os dados planilhados, Brian passou a ligar os pontos e as conclusões começaram a aparecer. “Imagens onde o rosto aparecia foram ligadas a um maior (e mais longo) uso dos apps e uma sensação maior de estar fora do armário”, afirmou Brandon na conclusão de seu estudo.

“Ao mesmo tempo, fotos do corpo foram ligadas à idade, busca por masculinidade e aversão a homens femininos”, completa.

Há alguns pontos que explicam essas conclusões:

A primeira é a homofobia. Não é à toa que muitos homens não mostram o rosto, eles talvez não se sintam seguros a tal ponto. A maioria dos caras que se enquadraram no grupo dos tanquinhos possuía alto nível de educação e grana.

“Por conta da reputação sexualizada e estigmatizada dos apps, homens de determinados contextos econômicos, profissionais e culturais, talvez evitem mostra o rosto, por medo de consequências na sua reputação”, afirma Brandon. Isso explica uma sensação maior de estar dentro do armário.

Os descamisados também se sentiam mais seguros com seus próprios corpos —o que provavelmente lhes deixavam mais confortáveis na hora de compartilhar fotos sem roupa. Não só isso, eles majoritariamente ligavam a exibição de corpo com masculinidade. O que explica (mas não justifica) o porquê de eles se sentirem mais masculinos que a média —e também evitarem homens afeminados.

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Jornalista pela Universidade Federal de MS, foi repórter de economia e hoje, além de colaborar para o Gay Blog, é servidor público em Joinville (SC). Escreveu ''A Supremacia do Abandono'', livro disponível em amazon.com.br.