O primeiro condomínio social destinado às mulheres trans foi inaugurado essa semana na cidade de Neuquén, na Argentina, contando com fundos do governo e chegando a receber parabenizações do papa Francisco.

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A iniciativa veio do governo federal em parceria com o mosteiro das Carmelitas Descalças chefiada pela freira Mônica Astorga, que dedicou mais de 15 anos de sua vida para ajudar às mulheres trans a saírem da prostituição e vício em drogas, além de ajudá-las a conseguirem um emprego que lhes garantam a sobrevivência.

Argentina inaugura primeiro condomínio social destinado às mulheres trans
Reprodução

“O Condomínio Social para Mulheres Trans” foi construído ao longo de três anos em um terreno doado e são doze conjugados destinados a pessoas que tem entre 40 e 70 anos e vivem em situação de vulnerabilidade. Em caso de morte, a residência ficará disponível para outra pessoa nas mesmas condições.

As casas foram financiadas pelo Instituto Provincial de Habitação e Urbanismo, no distrito de Confluencia e foram entregues para administração do mosteiro. Sobre o assunto, Mônica comenta ao canal LM Neuquén:

“A escolha não foi fácil porque a maioria das trans vivem em lugares desumanos, em quartinhos de três por dois metros, sem cozinho e pagando aluguéis de mais de 10.000 pesos (cerca de 760 reais) (…) Como as mulheres trans vão ter uma casa? ‘Elas não merecem ter uma casa’, disseram os que se opuseram ao projeto (…) Muitas pessoas estão esperando o fracasso desse projeto para continuar condenando as mulheres trans. Elas merecem viver em um lugar decente e não em quartos pequenos desumanos” – citando também que os lugares onde ela encontrava as mulheres trans eram, em geral, úmidos e cheios de insetos.

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A freira também diz que as mulheres trans que habitarem a casa terão de cumprir alguns compromissos e caso decidam sair, terão de disponibilizar a residência para outra pessoa que passa por essa necessidade.

“[As mulheres trans] assinam um empréstimo como se fosse uma renda, mas não pagam nada e têm a obrigação de cumprir as disposições que constam no regulamento de convivência (…) Isso significa dar vida a essas pessoas e transformá-las por viverem em um lugar digno (…) Essas mulheres vivem no escuro há muito tempo, então eu digo a elas que essas casas devem iluminá-las para seus companheiros e para que a sociedade possa entender que elas também merecem viver com dignidade e respeito (…) Posso garantir que é o coletivo mais marginalizado, mais maltratado em todos os sentidos”. 

 Télam
Foto: Télam
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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".