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Jair Bolsonaro dizia, antes afirmar que teria sido contaminado pelo covid-19, que “máscara é coisa de viado”, constrangendo diversos visitantes do Palácio do Planalto. As informações foram apuradas pela Folha de São Paulo na coluna de Mônica Bergamo. A fala homofóbica entrou nos trending topics do Twitter neste dia 8 de julho.

Bolsonaro se recusava a usar máscaras na visitas feitas a ele e não tinha nenhum pudor em cumprimentar os visitantes com apertos de mão e se aproximar deles sem máscara mesmo, contrariando as regras preconizadas por autoridades de saúde do mundo inteiro. Já o discurso de “coisa de viado” era feito em “tom de brincadeira”, só que ofensiva, com os funcionários da casa.
Já o Fefito disse em seu twitter que a frase “coisa de viado” tem um lado positivo, já que abre o debate sobre a homofobia.
“Após a publicação, as pessoas estão Tweetando suas fotos de máscara e discutindo questões como homofobia e padrões de masculinidade.”
Sabe o que é coisa de viado, presidente? É ter orgulho de ser quem a gente é. É ter coragem de seguir em frente. É amar, é construir família, é sobreviver com dignidade e alegria no coração, apesar de pessoas como o senhor. https://t.co/GinZpQPp5M
— Thiago Theodoro (@thiwitter) July 8, 2020
É engraçadíssimo que as coisas ditas "de viado" são sempre algo positivo: cuidar da saúde, estudar, demonstrar compaixão. Deus me livre ser hetero então. 🙃🏳️🌈
— Paulo Roberto Netto (@paulorobnetto) July 8, 2020
ESTE viado que vos tuíta muito se orgulha de ser viado e de respeitar a si e aos outros ao usar máscara e cumprir o isolamento social, regras de preservação a vida que infelizmente não aprendi com o presidente da República do meu país.
— Greg (@gregprudenciano) July 8, 2020
STF DECIDE QUE HOMOFOBIA É CRIME
O Brasil se tornou o 43º país a criminalizar a homofobia em junho de 2019. Por oito votos a três, o STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou nesta noite o uso da Lei do Racismo para punir homotransfobia.
O uso desta lei se trata de uma medida provisória enquanto o Congresso cria leis específicas para LGBT+. Votaram por criminalizar a homofobia: Cármen Lúcia, Celso de Mello, Luis Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Gilmar Mendes.
Votaram contra a criminalização da homofobia: Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Dias Toffoli. O QUE REALMENTE ESTÁ APROVADO O texto aprovado reconhece “omissão inconstitucional do Legislativo” por ignorar medidas contra a homofobia, que tramita na casa sem resposta há 18 anos. Por isso, enquanto o Congresso Nacional não cria legislação específica para o tema, o STF enquadrou a homofobia na Lei de Racismo.
As ações apresentadas afirmam que a discriminação na sociedade tem impedido a população LGBT+ de viver livremente o exercício de todos os seus direitos. COMO AS DENÚNCIAS PODERÃO SER FEITAS Ao blog Universa, a advogada da ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) Maria Eduarda Aguiar, diz que a pessoa LGBT+ que for vítima agressão verbal ou lesão corporal motivadas por homofobia ou transfobia poderão se dirigir a qualquer delegacia, todavia, a especialista sugere as Decradi (Delegacia De Crimes Raciais E Delitos De Intolerância).
PENA A pena para quem cometer o crime será de um a três anos, além de multa; se houver divulgação ampla de ato homofóbico em meios de comunicação, como publicação em rede social, a pena será de dois a cinco anos além da multa. TEMPLOS RELIGIOSOS Em maio, algumas pessoas da comunidade LGBT polemizaram o PL 672/ 2019, que dizia que templos religiosos poderiam “impedir ou restringir a manifestação razoável de afetividade de qualquer pessoa em local público ou privado aberto ao público”.
Vale a pena entender que o texto não dá alvará para religiosos cometerem crimes, apenas dá liberdade ao ‘religioso’ dizer que é contra relações homossexuais. Ainda sim será criminalizado se incitar ou induzir, em templo religioso, a discriminação ou o preconceito.
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