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O artista brasileiro Fernando Carpaneda teve duas obras selecionadas para a Bienal de Long Island 2020, no Museu de Arte Heckscher, em Nova Iorque. Uma das obras é chamada de “Homofobia mata. Caso número 17” (alusão ao 17 do Bolsonaro) e a outra obra é um Jesus Cristo negro.

"Homofobia mata. Caso número 17"
Reprodução parcial de “Homofobia mata. Caso número 17”

“Achei esta seleção importante, porque vivemos um momento difícil. Ter essas obras selecionadas para uma exposição em um museu, neste momento, é uma grande vitória para todos nós que acreditamos em liberdade e igualdade para todos”, comemora o artista

Com um recorde de 800 inscrições de obras de arte inscritas na bienal de Long Island, 100 obras de 52 artistas foram selecionadas para exibição. Pela primeira vez, a maioria dos artistas exibe duas ou três obras de arte, apresentando aos espectadores uma imagem mais completa de seus trabalhos recentes.
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esus Christ by Fernando Carpaneda
Jesus Christ by Fernando Carpaneda
A exposição estará em exibição de 15 de outubro de 2020 a 10 de janeiro de 2021. Saiba mais neste link.

SOBRE O ARTISTA

Fernando Carpaneda é um artista do desejo, interessado tanto em sua investigação quanto instigação. Em sua série “Homem Objeto”, o artista expôs o desejo e a sua crueza. Não se trata da crítica política da objetificação, da reclamação do se tornar somente um “pedaço de carne”. Pelo contrário, Fernando evidencia aquele lugar existencial que faz de toda cama açougue, de todo olhar cutelo, de todo toque talho, de toda entrega sangria, de todo sexo carnificina. Sua escultura é uma radical arte corporal: os pelos do artista compõem as obras. Fernando objetifica-se e faz dos fragmentos de si elementos da narrativa desejante do outro – como afinal fazemos todos e todas nas nossas camas. Em uma investigação da insatisfação do desejo, expomos também uma série inédita de estudos para pintura de Fernando. Os palimpsestos do artista permitem nos aproximarmos do seu esquadrinhamento dos corpos como exercício inacabado, como apreensão sempre parcial do outo, como desejo nunca satisfeito. Em tempos em que o desejo é tratado como ameaça, é fundamental enfrentar a perseguição e a censura afirmando galerias e museus como territórios de investigação do humano e de sua miríade de possibilidades eróticas.
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