Charlie Martin é o nome da primeira piloto trans a participar das 24 horas de Le Mans, antes de ter os planos paralisados devido a pandemia do coronavírus. Segundo uma matéria publicada no F1Mania, a britânica de 38 anos diz que já teve que lidar com muitos desafios ao longo da vida.

Além de ser uma pessoa trans, ela perdeu os pais muito cedo devido ao câncer. Seu pai morreu quando ela tinha dez anos, e a mãe faleceu quando ela estava com vinte e três. No entanto, Martin encara as perdas de modo positivo, dizendo que isso a forçou a ser mais “resiliente e independente”.

“Acho que minha maior luta foi perceber, em tenra idade, que sou transgênero. A única vez que vi alguém como eu, eles foram apresentados em um contexto muito negativo. Então você pode imaginar como isso é incrivelmente prejudicial para alguém crescer e entender quem ela é, porque você sente que há ‘algo errado’ com você e as pessoas não o aceitam por quem você é.”

Martin já é campeã de Stonewall e crê que sua representatividade ajuda na visibilidade LGBT dentro de seu segmento, ampliando a aceitação e a conscientização das pessoas.

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“Essa é uma das razões pelas quais agora estou tão apaixonada por usar minha visibilidade e meu papel no automobilismo para inspirar outras pessoas e apenas aumentar a conscientização, aceitação e empatia na sociedade, compartilhando minha história”.

Apesar disso, Charlie Martin diz que a inclusão no automobilismo não tem sido fácil, dizendo ter enfrentado adversidades por ser uma pessoa transgênero.

“Não é como se eu me colocasse em algumas situações apenas para dizer a todos que sou transgênero, mas corri em equipes onde esse era o elefante na sala”.

Com o mundo em quarentena, agora Martin está se preparando para a corrida virtual Race at Home, enfrentando pilotos famosos do mundo para disputar uma chance de dirigir o Gen2, carro verdadeiro da Fórmula E.

“Eu nunca pratiquei kart ou algo assim. Então, minha introdução às corridas foi, na verdade, no PlayStation e Xbox e muito antes de eu chegar ao volante, foi onde tudo começou para mim”.

Por fim, Martin diz que sua atitude e representatividade é uma tentativa de “mudar um pouco o mundo e torná-lo um lugar melhor”.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".