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A engenheira de sistemas Michelle Brea Soares (40) foi alvo de comentários transfóbicos ao participar de uma live em que foi convidada por autodenominados cristãos que se referiram a ela no masculino, chamando de “o” Michelle, desrespeitando seu gênero.

O tema da live era “Identidade de Gênero” e esta era comandada pelo Samuel Zalton (18), que se autointitula “cristão conservador”. Além dele, estavam presentes a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL), o vereador mineiro Nikolas Ferreira (PRTB) e a evangélica  Ingred Silveira.

Michelle pediu para que não utilizassem o pronome masculino para se referir à ela, mas Zalton foi irredutível e disse que ele tem esse direito pelo artigo quinto da constituição, e que não seria desrespeitoso independente da “opção sexual” dela.

“Existe algo que nós, cristãos, acreditamos, que inclusive é o artigo quinto da constituição, nos assegura a liberdade de expressão. Nossa religião está em uma premissa, em princípios. Eu acredito que você respeita todas as religiões, principalmente a fé cristã, independente de sua matriz. Na nossa religião não existe distinção entre sexo e gênero. Então, com relação aos meus princípios, da maneira que levo minha vida, eu devo te tratar sem negar os meus princípios, mas com muito respeito”, disse Zalton.

Em resposta, Michelle disse: “O artigo quinto da constituição federal prevê a liberdade de pensamento e de expressão. Da mesma forma que prevê essa tua liberdade religiosa e também os direitos e deveres iguais entre todos os cidadãos brasileiros. Só que o limite da liberdade de expressão é a lei, e quando você incorre criminalmente em algumas coisas por causa da sua fé, aí é um problema”.

Outro ponto polêmico da live foi quando Michelle disse que eles não podiam criar leis antiLGBTs por serem cristãos (vídeo acima), citando a laicidade do estado. Em resposta, a deputada estadual Ana Campagnolo disse “Sim, eu posso”.

Após a repercussão, a hashtag #RESPEITOPORMICHELLE entrou nos trending topics do Twitter, e a própria agradeceu a todas as mensagens de apoio.

“Queria agradecer todas as mensagens de apoio e carinho. Aquela live não me abalou, apenas me deu a oportunidade de mostrar como nós somos tratadas no Brasil. Só que dessa vez tinha uma câmera ligada e alguém que sabia se defender”, disse no microblog.

A partir dos 27:18

O QUE É A TRANSFOBIA DISFARÇADA DE OPINIÃO?

A transfobia engloba uma gama de atitudes, sentimentos ou ações negativas, discriminatórias ou preconceituosas contra pessoas transgêneros. Além dos assassinatos, raiva, desconforto, medo, intimidação e violência física ou psicológica direta, há também o que se chama de transfobia velada, que são aquelas “frases inocentes”, que às vezes surgem em um tom de elogio, mas que reforçam a subalternização e o desrespeito que a sociedade coloca pessoas trans.

Entre elas está não respeitar a identidade de gênero dessas pessoas, chamando pelo pronome uma mulher trans de “ele” ou um homem trans de “ela”; dizer “você parece mulher/homem mesmo”; “nem parece que você é trans!”; “Você é tão linda, mas a voz não engana”; “Você é operada?”; “Sou hétero e não curto pessoas trans”, entre outros.

Às vezes as pessoas não sabem tratar outras pessoas por desinformação, e neste caso, basta perguntar e, caso venha a cometer algum erro e seja corrigido pela pessoa trans, não custa pedir desculpas. Empatia.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"