O ator Benjamin Damini fez um post nas suas redes sociais para expor sua transição de gênero. Antes, ele se chamava Beatriz e chegou a ter um papel em Malhação – Toda Forma de Amar, interpretando a personagem Martinha. Ele afirmou que sempre se viu como homem e relatou dificuldades com as mudanças do corpo feminino.

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“Eu sou uma menina, mas eu não me sinto menina. Não sei nem ser menina. Aos 12, comecei com as explosões de agressividade com a minha família e com qualquer colega na escola que me chamava de Maria-Macho” – desabafou Benjamin Damini em seu Instagram – “Quando meus seios começaram a se desenvolver e eu não  podia mais brincar na praia sem a parte de cima do biquíni eu chorei. Aos 9 quando eu menstruei eu também chorei. Foram choros intermitentes que só sessaram depois de dias”.

No Instagram, o ator fez um pedido: “Eu sou transexual e pra você que está lendo isso, apenas deve significar que meu nome de verdade é Benjamin e desejo ser tratado no masculino. Eu sou transexual, e nem por isso eu nasci no corpo errado ou odeio minha genitália ou não me amo como sou”

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22 de setembro de 2020 12:02 benjamin quer te contar uma história. ele sou eu. nessa foto eu tinha 3 anos. aos 3 eu acreditava ter nascido no corpo errado e por muitos anos rezei antes de dormir pra acordar no dia seguinte no corpo certo, no corpo de um menino. aos 4 convenci meus amigos da escola de que eu era um menino disfarçado de menina, mas ninguém além deles poderia saber. aos 7 quando meus seios começaram a se desenvolver e eu não podia mais brincar na praia sem a parte de cima do biquini eu chorei. aos 9 quando eu menstruei eu também chorei. foram choros intermitentes que só cessaram depois de dias. porque eu nasci fêmea toda fêmea tem que ser menina. foi isso que sempre me disseram. então quem sabe seja isso mesmo. eu sou uma menina e pra sempre vou ser. mas eu não me sinto menina. não sei nem ser menina. não interessa. aprende. é assim que vai ser. enxuga essas lágrimas. engole esse choro. engole tudo o que te diferencia das outras meninas. engoli. comprei sutiã. sou uma menina. aos 12 comecei com as explosões de agressividade com a minha família e com qualquer colega na escola que me chamava de maria-macho. aos 13 escrevi uma história de um menino chamado benjamin que sentia demais. aos 14 veio a primeira depressão. terapia. remédios. aos 16 arrumei um namorado. antônio. antônio não é o nome dele de verdade. tipo beatriz. eu controlava até as roupas que o antônio usava. troca esse shorts porque não tá combinando com a blusa, antônio. aliás, não gosto dessa blusa, deixa eu escolher outra. tadinho do antônio. antônio foi uma das algumas vítimas das minhas projeções de gênero inconscientes. a verdade é que eu queria poder usar as roupas que o antônio usava. e eu até podia. mas tinha medo. aos 18 comecei a namorar ana. ana não é o nome dela de verdade. tipo beatriz. mas por 21 anos esse nome fez muito sentido. atriz. era isso que eu era. atriz de mim. quando ana terminou comigo eu percebi que eu não sabia quem eu era de fato. fui buscar. (continua nos comentários)

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“Benjamin quer te contar uma história. Ele sou eu. Nessa foto eu tinha 3 anos. Aos 3, eu acreditava ter nascido no corpo errado e por muitos anos rezei antes de dormir pra acordar no dia seguinte no corpo certo, no corpo de um menino.

Aos 4, convenci meus amigos da escola de que eu era um menino disfarçado de menina, mas ninguém além deles poderia saber. Aos 7, quando meus seios começaram a se desenvolver e eu não podia mais brincar na praia sem a parte de cima do biquini, eu chorei. Aos 9, quando eu menstruei, eu também chorei. Foram choros intermitentes que só cessaram depois de dias. Porque eu nasci fêmea, toda fêmea tem que ser menina. Foi isso que sempre me disseram. Então quem sabe seja isso mesmo. Eu sou uma menina e pra sempre vou ser.(…)

Mas eu não me sinto menina. Não sei nem ser menina. Não interessa. Aprende. É assim que vai ser. Enxuga essas lágrimas. Engole esse choro. Engole tudo o que te diferencia das outras meninas. Engoli. Comprei sutiã. Sou uma menina. Aos 12, comecei com as explosões de agressividade com a minha família e com qualquer colega na escola que me chamava de maria-macho. Aos 13, escrevi uma história de um menino chamado Benjamin que sentia demais. Aos 14, veio a primeira depressão. Terapia. Remédios. Aos 16 arrumei um namorado. Antônio. Antônio não é o nome dele de verdade. Tipo beatriz. Eu controlava até as roupas que o Antônio usava.

Troca esse shorts porque não tá combinando com a blusa, Antônio. Aliás, não gosto dessa blusa, deixa eu escolher outra. Tadinho do Antônio. Antônio foi uma das algumas vítimas das minhas projeções de gênero inconscientes. A verdade é que eu queria poder usar as roupas que o Antônio usava. E eu até podia. Mas tinha medo. Aos 18 comecei a namorar Ana. Ana não é o nome dela de verdade. Tipo Beatriz. Mas por 21 anos esse nome fez muito sentido. Atriz. Era isso que eu era. Atriz de mim. Quando Ana terminou comigo, eu percebi que eu não sabia quem eu era de fato. Fui buscar”

Ex-Malhação, ator Benjamin Damini se posiciona sobre sua transição de gênero
Reprodução

Após o relato sobre a transição de gênero de Benjamin Damini, vários anônimos e artistas se manifestaram apoiando o ator e a coragem de expor nas redes sociais.

“Todo amor, admiração e carinho para você! Que muita gente possa ver esse post, se identificar e assim se sentir mais leve do peso que é enfrentar esse mundo. Feliz vida pra você, Benjamin”, escreveu Alice Wegmann. “Todo o meu amor sempre”, completou Giovanna Griggio. “Bem-vindo”, disse Pally Siqueira, sobre a nova fase do amigo. “Todo mundo tem orgulho de você, Be”, comentou Carolina Dallarosa, que atuou ao lado dele em Malhação (via Extra).

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".