Jake Gyllenhaal e o falecido Heath Ledger protagonizaram um dos casais gays mais famosos do cinema em “O Segredo de Brokeback Mountain” lançado em 2005.

Comentando sobre este assunto à revista Another Man, Gyllenhall disse que os organizadores do Oscar daquele ano pensaram em fazer piadas relacionadas a homossexualidade de ambos os personagens do longa no palco. No entanto, Ledger não aceitou e já naquela época ele achava de “mau gosto” fazer brincadeiras relacionadas a orientação sexual.

“Eu lembro que eles queriam fazer uma abertura do Academy Awards fazendo algum tipo de piada sobre o assunto, e Heath recusou. Na época eu pensava ‘Ah, okay…tanto faz’ e sempre pensei: isso vai ser divertido. Mas Heath disse: ‘não é uma piada para mim – eu não quero nenhuma piada sobre isso”

O repórter que entrevistou Gyllenhall disse o quão esperto era Ledger olhando em retrospectiva, e o ator respondeu: “Absolutamente”.

LEDGER LUTAVA PELO DIREITO DOS HOMOSSEXUAIS

Segundo uma matéria publicada na revista Out, Heath Ledger viu em Brokeback Mountain uma excelente oportunidade de combater à intolerância e a homofobia.

“Ele estava muito preocupado com as questões políticas do filme quando foi lançado. Muitas vezes as pessoas brincavam sobre isso, e ele ficava extremamente sério, a ponto de não querer ouvir nenhuma ‘piada’ que era feita” – disse o diretor Ang Lee.

Jake Gyllenhaal aceitou o papel assim que foi oferecido, mas antes de Heath Ledger ser escalado, diversos atores foram chamados para interpretar seu par romântico, mas recusaram a participação.

“Eu sabia que seria um filme difícil de fazer, que afastaria as pessoas, mas eu não sabia o quão desafiador seria. Meus parentes mais próximos, meus padrinhos eram um casal gay, então era algo que eu não tinha qualquer preconceito” – disse Ang Lee.

Lee também disse que o filme ajudou muito no combate a homofobia nos Estados Unidos, e que também levou muitas pessoas da própria equipe a exporem sua orientação sexual.

“Ele [o longa-metragem] permitiu à sociedade, em especial a cultura americana, confrontar os problemas com a comunidade gay” – disse a roteirista Diana Ossana.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".