Morreu nesta terça-feira, dia 23 de junho, a ativista LGBTQIA+ Amanda Marfree, em decorrência do Covid-19. Ela trabalhava no Centro de Referência e Defesa da Diversidade em São Paulo e era pré-candidata a vereadora da cidade.

Segundo a atriz Renata Carvalho, Amanda fez testes de Covid-19 recententemente e deu negativo, mas alguns dias depois ela começou a passar mal e teve que ser hospitalizada.

Sendo uma das primeiras beneficiárias do programa Transcidadania durante a gestão de Fernando Haddad como prefeito, Amanda Marfree conseguiu concluir o ensino médio e, desde então, passou a ajudar outras mulheres trans em situação de vulnerabilidade.

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“O único lugar que a travesti tinha era a esquina. Agora tem a escola” – disse em entrevista à Fórum em 2015 – “Eu acho que no termo ‘LGBT” a parte mais vulnerável é o ‘T’. Estamos sempre militando por isso, porque é a parte mais fraca e agredida. Sempre tive uma militância, mas não dessa forma. Eu não tinha voz e não tinha o conhecimento que eu poderia ir numa Câmara [Municipal] , por exemplo. O Transcidadania me deu isso: me tirou do umbral e me levou para a luz”

Ela recebeu o diploma de honra ao mérito com a conclusão dos estudos na Escola Estadual Padre Antão, sendo uma das mais bem classificadas no Enem de 2015.

Mais recentemente, Amanda Marfree concedeu uma entrevista ao Estadão (via Carta Capital), comentando sobre sua militância e o movimento pró-democracia.

“Sentimos que estamos ameaçadas a todo instante. E um presidente que insinua golpes militares, classifica antifascista como terrorista e exalta figuras do nazismo é uma ameaça para nós.” – disse

Marfree também disse na mesma entrevista que sempre foi “excluída de tudo” e que até os trinta anos ela não tinha noção de nenhum direito que ela tinha, muito menos cidadania.

Amigos e ativistas lamentaram a morte de Amanda Marfree. A atriz Renata Carvalho ressaltou a importância de seu trabalho (via G1):

“O mundo fica menos solidário. Nós travestis ficamos sem sua bondade, seu companheirismo e sua militância (era pré-candidata a vereadora em uma chapa coletiva). Que dia triste. Que momento triste. O Traviarcado perde mais uma brava guerreira travesti. O Traviarcado está em luto.”

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".