Número de héteros diagnosticados com HIV supera gays, diz estudo da WA Health

O vírus HIV é associado aos homossexuais desde os anos oitenta. No entanto, um estudo realizado pelo departamento de saúde do Governo Ocidental da Austrália (WA Health) concluiu que, em 2019, a incidência de novos casos do vírus foi maior entre os héteros.

De acordo com a pesquisa realizada na Austrália, houve uma queda de 51% de casos infecção entre os homens que se relacionaram sexualmente com outros homens quando comparado aos cinco anos anteriores. Já entre os héteros, houve um aumento de 21%. Não houve divulgação de números absolutos, mas segundo os pesquisadores, eles atribuem as novas infecções ao identificar que os homens fazem sexo não protegido.

Aqui no Brasil, uma matéria da Folha de Boa Vista concluiu que, em Roraima, foram diagnosticados 3.000 casos de HIV, sendo que 70% são de homens heterossexuais. Isso é endossado por uma outra matéria publicado no Capital News, que concluiu que no Mato Grosso do Sul, 68,8% dos infectados foram homens héteros e também pelo Portal Correio, que diz que na Paraíba a predominância também se dá entre os homens heterossexuais.

POR QUE O HIV ERA ASSOCIADO AOS GAYS?

Heterossexuais são os que mais foram contaminados pelo HIV (Foto:Reprodução)
Heterossexuais são os que mais foram contaminados pelo HIV (Foto:Reprodução)

De acordo com um artigo escrito no canal Papo de Homem por Átila Iamarino, que atualmente é famoso pelo canal Nerdologia no YouTube, a associação de que o HIV tem a ver com os gays vem dos primeiros diagnósticos, já que o vírus foi descoberto inicialmente em homossexuais e, só mais tarde, em usuários de drogas injetáveis.

Nesse período, ela passou a ser chamada nos Estados Unidos de “GRID” (Gay-Related Immunodeficiency Disease ou Doença da Imunodeficiência relacionada aos Gays). No entanto, ainda nos anos oitenta começaram a surgir os diagnósticos entre os heterossexuais e também os casos conhecidos como “transmissão vertical”, onde a mãe passa para o filho durante a gestação. Desde então, o nome “GRID” passou a ser “AIDS“, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, já que todos estão sujeitos a pegar o vírus.

Evidente que o assunto gera polêmica e um extenso debate dentro da comunidade LGBT+. Em entrevista a UOL, a infectologista Heloísa Ramos Lacerda, coordenadora científica da Sociedade Brasileira de Infectologia, argumenta que há dados concretos que comprovam que há uma incidência maior da presença do vírus entre homens gays, endossando o discurso da Organização Mundial de Saúde, a OMS, dizendo que a população homossexual masculina é um grupo de risco.

Na mesma matéria, Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, argumentou que a associação é leviana.

“Acho essa recomendação leviana porque é sempre o público gay que é remetido à doença. A gente volta naquela situação da década de 80 que chamava a Aids de câncer gay”

ALTA ADESÃO DO PREP NO BRASIL É ENTRE GAYS, MAS NÃO HÉTEROS

PreP teve uma alta adesão entre a população homossexual, mas não entre os héteros (Foto:Reprodução)
PreP teve uma alta adesão entre a população homossexual, mas não entre os héteros (Foto:Reprodução)

Provavelmente por ser associado aos gays até hoje, os usuários do PrEP, que é o comprimido que impede a contaminação pelo vírus HIV, é de 82,7% entre os homens gays aqui no Brasil. Apenas 8% das mulheres cisgênero heterossexuais e 5,9% dos homens cisgênero hétero. A porcentagem restante fica diluída entre o grupo LGBT.

A pílula diária está sendo distribuída gratuitamente pelo SUS e é feita para prevenir a contaminação do vírus HIV, sendo que todos, sem distinção de orientação sexual ou identidade de gênero, estão sujeitos a se contaminarem.

Vale lembrar que há uma estimativa de que 135 mil brasileiros não sabem que estão com vírus HIV.