Desde 2016, o pesquisador Paulo Luz Corrêa documenta festivais e mostras audiovisuais brasileiros, especificamente sobre o processo de virtualização das inscrições de filmes. O relatório 2019 foi finalizado neste mês e aponta um quadro depressivo: pouco menos de 350 festivais/mostras abriram inscrições de obras audiovisuais, o menor número do último triênio (2017-2018-2019). Os estados apresentaram leves reduções nas quantidades de festivais/mostras realizados, salvo exceções como a Região Sudeste.

Foram 266 municípios que receberam ao menos 1 evento, indicando 4% de cidades brasileiras, desempenho mais tímido do que em 2018, quando foram 360 eventos distribuídos em pouco mais de 320 municípios e percentual de 7% de ocupação do território nacional.

O circuito abrigou quase 120 mil inscrições realizadas ao longo do ano, com a forma de especificamente virtual recebendo a maior parte dessas submissões, desenhando um perfil do festival/mostra brasileiro: que recebe em média 500 inscrições e utilizando majoritariamente o Formulário Google.

Em números absolutos, circuito audiovisual brasileiro de 2019 apresentou uma leve diminuição na quantidade de festivais/mostras que tenham aberto inscrições de obras em comparação com os anos anteriores, com a principal diminuição na quantidade de eventos em primeira edição e de segmentação LGBTQ+.

Manifestações contra a censura continuaram durante a cerimônia de premiação | Foto: Edison Vara/Agência Pressphoto
Manifestações contra a censura na cerimônia de premiação de Gramado em 2019 | Foto: Edison Vara/Agência Pressphoto

Mostras com temática LGBT+ reduziram

As mostras destinadas ao universo LGBTQ sofreram uma queda vertiginosa de aproximadamente 33%: eram 12, em 2018, e passaram a ser 8, em 2019. A redução dos festivais LGBTQ+ podem ser exemplificados nas dificuldades que o Festival Mix Brasil teve para ser realizado: “Ficamos esperando os cortes. E foi exatamente o que aconteceu”, conta Josi Geller, diretora-executiva do festival que acontece desde 1993.

Em virtude da perda de patrocínio e extinção de editais para cultura, o orçamento foi reduzido em 40%. Paradoxalmente, o engajamento ao festival Festival Mix Brasil foi maior dos que os anos anteriores, resultado em expressivas filas para as sessões.

Eventos e obras que dialogassem com os aspectos LGBTQ foram alvos de duras críticas por parte do governo, em diversas instâncias, tais como: um edital para TVs públicas com obras LGBTQ+ contempladas foram criticadas por Jair Bolsonaro; a ANCINE suspendeu uma verba para representação internacional de equipe de filmes de temática LGBTQ em festivais/mostras internacionais, conforme verificável com Balbi e Dias; e ANCINE cortou apoio financeiro para brasileiros divulgarem filmes em 11 festivais internacionais.

As mostras LGBT+ que ocorrem em 2019: Festival Mix Brasil (Capital – São Paulo), DIGO – Festival Internacional da Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás (Goiânia, Goiás), For Rainbow (Fortaleza – Ceará), Mostra Internacional Audiovisual Curta o Gênero (Fortaleza – Ceará), Festival de Cinema Sertão & Diversidade (Quixadá – Ceará), RECIFEST – VI Festival de Cinema da Diversidade (Recife – Pernambuco), MoDive-Se – Mostra da Diversidade Sexual de Campinas (Campinas – São Paulo) e Transforma – Festival de Cinema da Diversidade de Santa Catarina (Florianópolis – Santa Catarina).

Link para download de todos os anuários: http://bit.ly/estudosfestivais

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