Estudos brasileiros recentes apontam que os impactos do coronavírus ampliam as desigualdades existentes na nossa sociedade, especialmente quando os recortes avaliados são de gênero e cor. Dessa forma, entender quais serão as consequências e desdobramentos da crise na população LGBT+ é fundamental e urgente. Com esse objetivo, uma pesquisa está sendo aplicada junto a essa comunidade para identificar também as demandas específicas de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis.

Pesquisa medirá impactos do isolamento social na população LGBT+; responda ao questionário
https://www.unaddicted.co.uk/

Realizada pelo coletivo #VoteLGBT, a pesquisa é feita por meio de um questionário disponibilizado online com perguntas objetivas sobre temas como acesso a serviços de saúde; questões sócio-demográficas; emprego, trabalho e renda; percepção e impactos do coronavírus; acesso à informação e avaliação da atuação dos gestores públicos durante a pandemia. O questionário é anônimo e pode ser acessado e respondido no link bit.ly/corona-lgbt.

“Nossa intenção é produzir informação específica sobre a população LGBT, pois sabemos que pandemias como essa do novo coronavírus impactam mais fortemente pessoas que já estão em situação de vulnerabilidade. Sendo assim, LGBTs podem ter efeitos mais aprofundados em áreas como saúde mental, renda, emprego e mercado de trabalho, uma combinação fatal que pode aprofundar ainda mais a crise pela qual passamos”, avalia o demógrafo Samuel Silva, pesquisador da UFMG que integra o coletivo.

Os pesquisadores possuem indícios de que o isolamento social também afeta mais drasticamente essa população, já que vários LGBTs não possuem um ambiente domiciliar acolhedor devido a não-aceitação da sua identidade LGBT por parte de familiares.

“Já sabemos que as pessoas LGBTs formam um grupo alocado em trabalhos considerados sub-empregos, com alta instabilidade e salários mais baixos. O grupo também apresenta alta taxa de evasão escolar, menor nível de instrução e maior taxa de desemprego do que a média da população, devido ao preconceito que infelizmente ainda é presente na sociedade”, complementa a demógrafa Fernanda Fortes de Lena, pesquisadora da Unicamp que também atua na pesquisa.

Assim que finalizado o levantamento, o coletivo irá encaminhar o resultado às casas legislativas e gestores públicos dos âmbitos municipais, estaduais e federal, de forma a colaborar com informações qualificadas que resultem no aprimoramento de políticas públicas destinadas à essa população, em especial nos planos de contingenciamentos dos efeitos da pandemia. Como em todas as pesquisas realizadas pelo #VoteLGBT, o anonimato dos participantes na pesquisa é resguardado.

O questionário é anônimo e pode ser acessado e respondido no link bit.ly/corona-lgbt

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