Questões de gênero, abordagens sobre a diversidade dos afetos e debates sobre a vasta gama das vivências sexuais não-hegemônicas. Esses são os ingredientes do cardápio de produções audiovisuais que constam na plataforma LGBTflix (www.votelgbt.org/flix) uma plataforma totalmente gratuita, sem nenhuma relação com qualquer plataforma de streaming.

A LGBTflix  reúne curtas e longas-metragens que retratam a existência de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros.

Plataforma LGBTflix disponibiliza gratuitamente filmes sobre diversidade sexual
“O Meu Melhor Amigo”, com Jesuíta Barbosa

Usuários podem selecionar entre os mais de 60 filmes brasileiros que integram a plataforma os títulos que tratam de sua temática predileta. Basta clicar em cada uma das letras da sigla LGBT, para em seguida ser direcionado à lista específica dos filmes.

A LGBTflix é uma iniciativa do coletivo #VoteLGBT pensada para atenuar o impacto do isolamento social causado pelo novo coronavírus. De documentários sobre relevantes questões sociais, passando por sátiras, olhares poéticos e obras ficcionais, a seleção de filmes reúne uma poderosa vastidão de olhares.

“Esse período de isolamento social pega mais pesado nas pessoas LGBTs, porque muitas de nós não encontram na família um sistema de apoio. Imagina ficar isolado num lar opressor com pessoas que não respeitam seu nome e sua identidade!”, provoca o artista Gui Mohallem, um dos integrantes do #VoteLGBT. “Nesses tempos de quarentena, ficar longe de outras pessoas LGBT pode ser ainda mais penoso. Por isso, estamos organizando uma série de iniciativas para ajudar nesse momento, o LGBTflix é a primeira delas”, completa Mohallem.

A iniciativa também serve de janela para divulgação da extensa produção audiovisual brasileira, que encontra poucos espaços de exibição nacional. “De um lado você tem pessoas querendo se ver representadas, e de outro você tem uma produção cultural potente que enfrenta uma série de obstáculos para chegar ao seu público. Nossa galeria de filmes se propõe a ajudar nesse encontro”, explica Mohallem.

DIVERSIDADE

De temática lésbica, o curta-metragem “Guaxuma”, de Nara Normande, retrata o reencontro de duas meninas que cresceram numa praia nordestina.

Já a abordagem proposta em “Negrum3” consiste em um mergulho na caminhada de jovens negros da cidade de São Paulo. Dirigido por Diego Paulino, o filme é uma das várias produções sobre a experiência gay disponíveis na plataforma.

A bissexualidade aparece em obras como “Depois do Almoço”. No filme de Rodrigo Diaz Diaz, o que seria um típico almoço de domingo envolvendo maridos entretidos com o futebol e esposas levemente alteradas acaba com a revelação de um sonho erótico capaz de mudar o rumo das coisas.

Entre as opções audiovisuais que relatam questões da transexualidade, “Vestido de Laerte”, de Claudia Priscilla e Pedro Marques, acompanha um longo caminho percorrido pela afamada cartunista na cidade de São Paulo em busca de um certificado.

Outra preocupação da iniciativa é a diversidade regional, por isso os filmes selecionados são realizações de cineastas de várias regiões do Brasil.

A plataforma é colaborativa e está aberta para qualquer cineasta que queira inscrever sua obra, seja curta ou longa-metragem. Basta preencher formulário disponível no site.

Longa “Tatuagem”, protagonizado por Jesuíta Barbosa e Irandhir Santos, liberado gratuitamente no streaming do Canal Brasil

#VoteLGBT

Formado por profissionais de várias áreas como artes visuais, jornalismo, demografia, direito, entre outras, o #VoteLGBT é um coletivo que busca aumentar a representatividade das pessoas LGBT+ em todos os espaços da sociedade, principalmente na política. Para nós, a diversidade é um valor fundamental para a democracia e, por isso, também enxergamos a representatividade de forma interseccional às pautas de gênero e racial.

Além de campanhas realizadas em épocas de eleições municipais, estaduais e nacionais – que visam dar visibilidade a candidaturas pró-LGBT e lutar pelo respeito a diversidade sexual e de gênero -, os membros do coletivo também promovem pesquisas durante as paradas LGBTs de BH, Rio de Janeiro e São Paulo para gerar dados sobre essa parte da população.