Com a pandemia do coronavírus, especialistas em medicina do mundo inteiro estão testando a eficiência de medicamentos contra a doença, incluindo a droga Truvada, usada para a a Profillaxia Pré-Exposição do HIV, mais comumente conhecida como PrEP.

Estudos preliminares indicam que o Remdesivir, utilizado no tratamento de HIV/AIDS pode ser eficaz contra o coronavírus, levando a atenção dos especialistas para o Truvada, que é da “mesma família”.

David Hardy, professor adjunto de medicina da Divisão de Doenças Infecciosas da Universidade de Medicina John Hopkins, diz que eles atingem o vírus em determinado ponto que impede o seu ciclo de replicação.

PrEP foi aderida por grande parte dos homens gays em todo o mundo. Foto: Reprodução

“Se o Remdesivir funciona, sendo ele da mesma classe medicamentosa do Truvada, então Truvada também deve ser tentado.” – disse.

Apesar disso, parece que há uma diferença “chave” entre ambas as drogas, já que Truvada pode ser administrada através de pílulas orais, e por essa razão ele é utilizado como PrEP, enquanto o Remdesivir é apenas injeção intravenosa. Referente a este último, seria mais complicado tratar um grande número de pacientes.

Os testes foram feitos com dois pacientes hospitalizados, um nos EUA e outro na China, e ambos tiveram melhora nos sintomas já no dia seguinte. No entanto, o número é muito reduzido para dizer que a droga é, de fato, eficiente contra o coronavírus, mas foi o “ponto de partida” para que o Providence Regional Medical Center fizesse testes clínicos, e estes deverão sair no final de Abril.

No entanto, Hardy faz uma ressalva para aqueles que já tomam a droga para se tratar do HIV, dizendo que os cuidados tradicionais para prevenir o COVID-19 devem ser mantidos.

“As pessoas interpretaram mal quando leram que as drogas contra o HIV podiam funcionar contra o coronavírus, como se elas ficassem protegidas, e nós ainda não sabemos se isso procede.”

O professor também explica que há muitas variáveis quando envolve um mesmo medicamento sendo usado para infecções diferentes.

“Talvez a dosagem utilizada para o HIV não seja o suficiente.”

Também há testes sendo feitos com vários outros medicamentos, como a hidroxicloroquina e o azitromicina. Outro medicamento utilizado contra o HIV, Kaletra, foi testado na Itália com a população mais velha e teve resultados positivos, porém com “pequenas melhoras” na saúde.

Mesmo que a OMS diga que a vacina vai demorar de 12 a 18 meses para chegar ao público, Hardy acredita que o tratamento para quem já está infectado com o coronavírus chegará entre seis a oito semanas.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".