O Centro Provisório de atendimento (CPA IV), inaugurado no mês passado na Lapa, no Rio de Janeiro, abriga pessoas LGBTs em situação de rua e vulnerabilidade sócio-econômica. A Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS Rio), em conjunto com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH), inaugura no CPA IV nesta quarta-feira, 22, a biblioteca Professora Laura de Vison.

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A biblioteca em homenagem a Laura de Vison vai contar com um acervo de 200 livros de literatura brasileira. A ideia de disponibilizar livros para os abrigados partiu das assistentes sociais e funcionários do CPA IV como forma de incentivar o conhecimento através da leitura.

Centro Provisório de atendimento (CPA IV)
Centro Provisório de atendimento (CPA IV) – Reprodução

É uma iniciativa louvável que reafirma a qualidade do serviço público quando existem pessoas engajadas em usar os instrumentos disponibilizadas pelo Estado como meio transformador. Como professor, reafirmo que não existe transformação social sem passar pela educação, que abre horizontes para inúmeras oportunidades e promove cidadania“,  comemora o Coordenador Especial da Diversidade Sexual, Nélio Georgini.

Durante o dia, na escola, lecionava com seu nome de batismo, Norberto Chucri David. Foto: reprodução
Durante o dia, na escola, lecionava com seu nome de batismo, Norberto Chucri David. Foto: reprodução

“A inclusão do público LGBTQI+ não passa apenas pelo acolhimento que temos dado no CPA IV. É importante prover esta parcela da população de alimento para o intelecto, abrir as portas para o conhecimento e dotá-los de capacidade para entender o mundo que os cerca por outras lentes. E a literatura pode cumprir perfeitamente este papel. Ter uma biblioteca aqui neste hotel é fundamental para cumprir a nossa meta básica que é a reinserção deste público na sociedade”, ressalta Tia Ju, secretária de Assistência Social e Direitos Humanos.

LAURA DE VISON

Enfrentando a sociedade no período da ditadura militar, por muitos anos, Vison durante o dia lecionava história e moral e cívica em escolas públicas com seu nome de batismo. Usava os cabelos presos, roupas masculina e uma cinta de compressão para esconder os seios. Após 18 anos, doi demita do Colégio Cenecista Capitão Lemos Cunha, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, após responder perguntas dos alunos sobre AIDS e por admitir ser homossexual.

Como atriz, sua atuação em Os Bigodes da Aranha, em 1991, rendeu a Medalha de Ouro no Festival du Court-Métrage de Bruxelles, na Bélgica. Recebeu ainda o Candango de Ouro, em Brasília, e ao Sol de Prata, no Fest Rio, na categoria de melhor ator em Mamãe Parabólica.

Laura também fazia shows na cena LGBT+ das noites carioca, era aplaudida por turistas, antropólogos, sociólogos, atores, cantores e personalidades internacionais, como o estilista Jean Paul Gaultier. Em uma passagem pelo Brasil, quando soube que Laura lecionava história e moral e cívica, Gaultier, pasmo, declarou à imprensa: “Interessante essa faceta dupla, isso não seria permitido pela moral francesa”.

Laura de Vison – um ícone cult da cena queer carioca dos anos 70, 80 e 90

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