A artista amazonense Olívia de Amores resolveu inovar e lançou o clipe da música “Só Vamo”, reinterpretando o clássico jogo Super Mario Bros em uma versão lésbica e feminista. A história traz a protagonista Maria, terá de salvar sua princesa. Além da versão em vídeo, há o jogo em si que pode ser baixado para dispositivos Android.

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Videoclipe de "Só Vamo" recria Super Mario Bros em versão lésbica e feminista (Foto: Reprodução)
Videoclipe de “Só Vamo” recria Super Mario Bros em versão lésbica e feminista (Foto: Reprodução)

Como é de se esperar, o videoclipe, chamado “Super Maria Sis” simula um jogo de plataforma em 2D de correr e pular típico dos anos noventa. Há enfrentamento de inimigos, desvio de obstáculos e tudo isso fazendo uma dura (e criativa) crítica social.

Na fase “Idade das Trevas”, os obstáculos que ela têm de superar são nomeados como “Isso não é de Deus”, “Ainda não apareceu o homem certo” e outras frases que os LGBTQI+ escutam ao longo da vida, em especial as mulheres homossexuais.

“O game tem relevância no contexto atual em que, ao passo que ganhamos mecanismos de combate à homofobia, machismo e racismo, pessoas ainda morrem ou têm suas vidas afetadas pelo preconceito”, diz Olívia, que, além de feminista, se declara ‘negra e lésbica com orgulho’.

“A sociedade precisa acompanhar essa evolução e a cultura é um instrumento de mudanças profundas nas subjetividades das pessoas. Arte muda a percepção das pessoas quanto o que é ‘certo’, ‘bonito’. ‘Super Maria Sis’ traz o protagonismo para uma mulher negra lésbica, uma personagem que está inserida em várias intersecções de vulnerabilidade e, de forma heroica, consegue tirar a princesa de perigo, superando seus próprios medos”, finaliza.

OLÍVIA DE AMORES

Olívia de Amores grava todos os instrumentos de seu álbum (Foto: Reprodução)
Olívia de Amores grava todos os instrumentos de seu álbum (Foto: Reprodução)

A cantora Olívia de Moraes ganhou reconhecimento na cena independente do Amazonas ao participar do trio Anônimos Alhures, banda em que permaneceu durante dez anos. Em 2013, ela passa a adotar o nome artístico de Olívia de Amores após ganhar um prêmio na Secretaria de Cultura do Amazonas, onde elaborou a música “Plano Baixo”, sendo este o primeiro passa para a carreira solo da artista.

“Apesar do reconhecimento como guitarrista, cantora e compositora na cena, eu sabia que havia sentimentos que não podiam ser vivenciados naquele formato e contexto. Eram mais íntimos, mas tão agressivos quanto rock. Só que nem sempre eu achava que era pro palco, e nem sempre podia ser executado num trio”, conta ela.

Sua mudou no fim de 2016 e começo de 2017, quando a vida de Olivia virou de “cabeça pra baixo”, segundo ela mesma, após passar por uma sequência de perdas: a morte da bisavó e uma das principais bases familiares, de uma amiga e o término de um longo namoro foram os impulsos para ela questionar seus rumos, se trancar em estúdio com um produtor e trabalhar em suas canções.

A já lançada Post-it é um contraponto ao espírito de Plano Baixo e fala abertamente desse processo de reconstrução e inspiração após as perdas. O clipe foi registrado durante o período de um ano, filmando um segundo importante de cada dia. 

“Minha intenção com o clipe é mostrar que, mesmo na época mais sombria, nos dias mais tristes, é possível um segundo mostrar a beleza do mundo ao redor. No vídeo, eu faço exatamente o que as pessoas fazem nas redes sociais diariamente, só que não só mostrei apenas bons momentos. A experiência do registro me mostrou algo que eu quis dividir com as pessoas: todo dia vale a pena ser vivido”, explicou Olívia.

Atualmente finalizando seu visual álbum, Olívia ainda carrega consigo toda a presença de sua voz e guitarra, junto de seu espírito feminista. O disco se chama “Não é Doce” e é uma grande revisitação à memória da artista. Por ser extremamente pessoal, os instrumentos têm sido gravados exclusivamente por ela. 

O resultado é um trabalho que caminha por diversos pontos do espectro emocional, carregado com dor e esperança e que passa longe de ser doce. 

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".